Sustentabilidade, desenvolvimento humano e diversidade
Reinaldo Bulgarelli
Txai Consultoria e Educação
Esta semana foi cheia de atividades das mais variadas e para as quais eu preparo muito material. Gosto de PowerPoints! Nem todo material eu posso compartilhar porque são produzidos para clientes.
Outros, são para eventos abertos e adoro isso porque posso publicar minhas produções, descobertas, dúvidas, opiniões, desejos, pelo menos aquilo que foi parar no PowerPoint.
Por meio do SlideShare, compartilho aqui duas apresentações que realizei no mesmo dia, 18 de março (dia cheio de diversões!). Uma delas foi para o primeiro Clube Abraps do ano, logo cedo. A Abraps é a Associação Brasileira dos Profissionais da Sustentabilidade. Não apresentei os slides porque o formato é de um gostoso pape-papo no café da manhã, mas aqui estão as reflexões que fiz sobre o que há de novo no tema da valorização da diversidade em relação às práticas de sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Falo das novidades e também dos desafios para o ano de 2015.
Depois, à noite, estive na Universidade Metodista para atender a um convite muito especial do Curso de Direito: uma aula magna com o tema "A Condição do Vulnerável na Sociedade Contemporânea". Falei sobre desenvolvimento humano, o Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD que tratou do tema (2014) e, claro, como o tema sugere, falei de direitos humanos e valorização da diversidade.
Seguem aqui os links para o site do Slideshare.
http://pt.slideshare.net/reinaldotxai/sustentabilidade-e-diversidade
http://pt.slideshare.net/reinaldotxai/aula-metodista-reinaldo-bulgarelli-18mar15-ap
Este é um blog sobre valorização da diversidade que também reúne artigos, notícias, comentários e informações variadas sobre o tema e suas interfaces com sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Estou também reunindo aqui (quase) tudo que sai publicado com minha participação, como artigos, entrevistas, livros, notícias, facilitando que sejam encontrados em um só lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli
sábado, 21 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
A Operária Adriana e o Dia da Mulher na empresa dos homens
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| Meninos trabalhando |
A operária Adriana e o dia da mulher na empresa dos homens
Reinaldo Bulgarelli, Txai Consultoria e Educação08 de março de 2015
Adriana foi convidada para o evento do Dia da Mulher. Ficou
surpresa porque ela trabalhava na fábrica e essas celebrações eram na sede da
empresa. Ainda maravilhada com a novidade, perguntou ao seu colega José Antônio
se não iria participar. Ele disse que o evento era apenas para as mulheres,
conforme estava no convite. Ela leu novamente e não falava nada sobre isso, mas
ele retrucou mostrando o convite cor-de-rosa que só falava em mulheres. Na
porta do ônibus fretado distribuíam rosas vermelhas. Ela concordou com José
Antônio.
Lá chegando, mais mimos para as mulheres. Um fornecedor oferecia
creme depilatório. O cartão cor-de-rosa dizia algo sobre mulheres e as
barreiras que os pelos ofereciam à sua felicidade. Adriana logo lembrou-se de
José Antônio. Olhou à sua volta para constatar que havia apenas mulheres no
evento, tanto da sede como de todas as outras fábricas da empresa.
Sentadas no chique auditório, todo enfeitado com frases de
mulheres famosas, impressas em papel cor-de-rosa e ilustrados com flores, ouviram
o presidente da empresa fazer a abertura do evento:
- Estamos aqui para celebrar o que há de mais belo,
perfumado e encantador nesta empresa: as mulheres. A beleza de vocês torna
nosso dia melhor. Vocês são o enfeite desta empresa!
Ele se retirou em seguida dizendo que iria para uma importante
reunião com os executivos da empresa na qual decidiriam questões essenciais
para o futuro dos negócios. Adriana cochichou com sua colega:
- Pensei que estivéssemos trabalhando, mas somos só enfeite.
Até o evento é um enfeite porque o homem tem coisas mais importantes pra
fazer...
Depois, um grupo de mulheres, todas muito bem vestidas,
saltos altos, cheias de joias e cabelos impecáveis, subiu ao palco e uma a uma
foi se apresentando. A diretora de RH da empresa festejou o fato da empresa
possuir agora três por cento de mulheres depois de cinco anos de esforços. Haviam
criado um grupo de mulheres no ano passado e disse também da felicidade com
este primeiro evento da empresa no Brasil. Deixou escapar, contudo, que
lamentava não estar na reunião que o presidente agendou bem no horário do
evento. Ela era a única executiva no grupo de quinze homens. Adriana pensou que
a situação era igual à que vivia na fábrica. Era a única mulher em sua área. Havia
apenas trinta e seis mulheres operárias em um grupo de mil e duzentos operários.
Foi a vez de uma das advogadas do jurídico da empresa fazer
a apresentação sobre o grupo de mulheres. Ela explicou que o grupo pensava em
como aumentar o número de mulheres nos cargos executivos. Disse que haviam
criado outro grupo para pensar especificamente na questão da maternidade e
carreira.
Sobre este assunto, convidaram uma executiva de outra empresa
para contar como foi conciliar a carreira com o fato de ser mãe de um filho
que, aliás, estudou em Harvard e hoje é presidente de uma grande multinacional.
Ela disse que sem a babá que a acompanhou a vida toda não teria conseguido
subir na carreira.
Quando já estavam para encerrar o evento, depois de várias
falas sobre como era maravilhoso ser mulher e mãe, abriram para dois minutos de
perguntas da plateia.
Adriana levantou-se imediatamente e, quando viu, o microfone
já estava em sua mão.
- Eu queria agradecer pelo evento tão bonito que tivemos.
(aplausos) Mas, os homens não deveriam estar aqui para escutar tudo isso? (mais
aplausos). Meu marido, por exemplo, até me ajuda em casa, mas eu não gostaria que
ele me ajudasse e sim que dividisse comigo as tarefas. Lá em casa, ele é o enfeite
quando se trata de lavar louça e aqui na empresa eu descobri hoje que eu sou o
enfeite. (silêncio total)
Alguém da organização do evento grudou ao lado de Adriana e
segurou o microfone para ela lembrando que deveria ser breve.
- Vou ser breve, mas queria dizer que vocês bem que poderiam
pensar também nas mulheres da fábrica. Olha esse uniforme! Um calor terrível e
o uniforme é o mesmo em todas as cidades do norte ao sul do país. E esse modelo?
Quem desenhou era homem e só pensou nos homens. Tudo bem que eles são maioria,
mas é para continuar sendo assim que bolam essas coisas? Queria dizer também
que acho lindo vocês pensarem numa sala de manicure aqui na sede, mas na minha
fábrica não tem banheiro para mulheres. Nós andamos muito para ir até a área
administrativa e o meu chefe sempre faz piadinhas sobre como mulheres são menos
produtivas. Mais uma coisa para eu me sentir culpada na vida. Lá em casa eu me
sinto culpada por não dar conta das crianças e da casa – e olha que eu não
tenho empregada doméstica, como vocês! Lá o problema é que meu marido não
divide as tarefas de casa comigo e aqui o problema é que não pensaram e
continuam não pensando nas mulheres que trabalham na empresa. Muito boas as dicas
que vocês deram sobre como lidar com a culpa, mas eu queria muito aprender
sobre como gerar culpa nos homens. Ninguém pergunta para eles sobre como é
conciliar a carreira com a paternidade. Adorei essas dicas sobre como ser mais
assertiva, objetiva e só chorar escondida no fundo do banheiro. O banheiro é
tão longe que nem sei se conseguiria segurar o choro quando gritam comigo, mas
e as dicas para os homens serem mais respeitosos com todos?
Desligaram o microfone para encerrar o evento, mas as
mulheres da plateia estavam gostando e pediram para a Adriana continuar.
- Como a empresa vai
aumentar o número de mulheres em cargos de liderança aqui na sede se há tão
poucas mulheres nas fábricas? Sei que não temos plano de carreira na fábrica,
mas os problemas são comuns porque tudo foi pensado por homens e para homens.
Não seria o caso de pensar a empresa toda quando falamos de mulheres? Vocês têm
uma empregada doméstica, que deve ser negra, como eu, para ajudar nas
atividades da casa. Nós, operárias, não temos empregadas, mas nossas mães ou
até nossos próprios filhos cuidando da casa enquanto trabalhamos. Não é para
pensar em todas as mulheres e seus desafios? Para nós também seria ótimo termos
seis meses de licença maternidade, tanto quanto seria para vocês aqui na sede.
Será que a empresa vai ter um prejuízo imenso por ter mulheres ou por não ter
mulheres? E tudo gira só em torno da maternidade?
Alguém se levantou no palco para agradecer e cortar, mas
Adriana retomou o microfone.
- Eu quero fazer parte deste grupo e ele não deveria pensar
apenas em carreira, mas em como, em tudo, aqui poderia ser um bom lugar para homens
e mulheres trabalharem. Isso de subir na carreira eu penso que é consequência da
empresa ser mais aberta para homens e mulheres, a nossas questões específicas e
os benefícios que traz para todos. Ou não tem benefícios? Também vejo o jeito
dos homens lidarem com as máquinas e detesto quando me elogiam por ser mais
delicada. Delicadas são as máquinas de hoje e esse elogio é uma ofensa para os
homens. Até quando eles vão repetir que são maioria porque o trabalho exige
força, como se fossem apenas músculos sem cérebro e sentimento? Nós, que somos
mães, queremos embrutecer nossos meninos para sobreviverem neste mundo?
Na saída do evento, Adriana foi cumprimentada por muitas
mulheres e a diretora de RH a convidou para fazer parte do grupo. Outras
mulheres torceram o nariz. Uma colega chegou a dizer que ela era feminista e
que não sabia seu lugar. Todas ganharam um bombom com um lindo laço cor-de-rosa
e uma propaganda de outro fornecedor. O cartãozinho rosa dizia que a família
era a coisa mais importante do mundo e que a mulher era o centro do universo.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Diversos Somos Todos: enfrentando o padrão dominante
Diversos Somos Todos: Enfrentando o Padrão
Dominante
Reinaldo Bulgarelli
Txai Consultoria e Educação
18 de novembro de 2014
Minha apresentação no evento INOVAR-SE
- http://www.inovarse.org/ - trata de
direitos humanos e valorização da diversidade, abordando:
1. O conceito de valorização da diversidade;
2. Os desafios para o ambiente empresarial e para a
sociedade;
3. Boas práticas na promoção e gestão da diversidade;
4. Perspectivas da valorização da diversidade no
Brasil.
O título da minha fala é “Diversos
Somos Todos: Enfrentando o Padrão Dominante”. Vamos por partes. Para falar do
conceito de diversidade, é preciso afirmar constantemente que cada um de nós é
um ser único e, por isso mesmo, muito especial. Cada um de nós é uma das
soluções que a vida encontrou para se fazer presente dentre as muitas e muitas
composições possíveis.
Somos todos únicos e se tem algo que
nos caracteriza a todos é a singularidade. Nossa singularidade, o que nos torna
únicos, é resultado de um conjunto de características ou, usando um nome mais técnico,
um conjunto de marcadores identitários.
Quando a Declaração Universal dos
Direitos Humanos afirma que “todas as pessoas nascem livres e iguais em
dignidade e direitos”, está afirmando também que nossas características não
devem ser transformadas em motivo para desigualdades, injustiças, desvantagens,
vulnerabilidade, exclusão ou violências de qualquer tipo.
Todas as pessoas, em suas
singularidades, devem “gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta
Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,
religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social,
riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
A igualdade na condição de gente não
significa, de forma alguma, o extermínio de nossas características porque ela é
um dado da realidade e também é fonte de riqueza, condição para se falar em
desenvolvimento e, sobretudo, em desenvolvimento sustentável.
Eu senti que era importante dizer que
diversos somos todos porque algumas pessoas nas empresas e outras organizações
tratavam a diversidade como um atributo de alguns de nós, ou seja, não se
percebiam como parte da diversidade humana. Isso impacta negativa a formulação
e gestão de programas de valorização da diversidade ou dirigidos a determinados
temas ou a segmentos da população.
Em geral, essas pessoas se tornavam
“invisíveis” à diversidade humana porque se pareciam com um padrão idealizado,
que eu chamo de “padrão dominante”. Esse padrão dominante diz que é normal,
belo, forte, confiável, inteligente, interessante, pronto para nos governar,
que merece ser ouvido, respeitado e valorizado, quem é homem, branco, sem
deficiência, adulto, heterossexual, rico, alto, saudável, católico, da região
desenvolvida do país, entre tantas outras características.
O padrão dominante é uma ideologia e
com base nela nos dividimos, nos separamos, criamos como que uma hierarquia
para dizer que uns são mais humanos que outros. Essa ideologia é uma forma de
ver o mundo e atende a interesses, buscando que os considerados como padrão
dominante tenham privilégios em relação aos demais que não se parecem com ele.
A valorização da diversidade é um
movimento, uma postura individual e institucional que enfrenta o padrão
dominante para dizer que quem se parece com ele merece todo respeito, assim
como todas as demais possibilidades de ser humano, com suas características das
mais variadas.
Valorizar a diversidade na empresa é
fazer esse movimento de remar contra a maré ao dizer duas coisas: um não à
discriminação e um sim à diversidade como fonte de riqueza. Significa até mesmo
lembrar a todos e todas as promessas feitas pelo mundo empresarial moderno,
regido por uma visão, missão e valores escolhidos para tratar da forma como a
organização irá realizar sua missão e obter resultados.
Significa lembrar, por exemplo, que o
mérito deveria ser o critério para constituir equipes e não se basear em características
como ser homem ou mulher, por exemplo. Na prática das empresas, ainda temos inscrito
no perfil da vaga que ela deve ser ocupada por um homem porque ali se exige
força. Se exige força, o foco deve estar na força e não no sexo porque há
homens fracos e mulheres fortes.
Mas, ao dizer sim para a diversidade
como fonte de riqueza, de enriquecimento do olhar da empresa para realizar suas
atividades num mundo complexo, desafiador, em rápido e profundo processo de
mudança, a diversidade passa também a ser critério para a composição de uma
equipe de trabalho. Mais do que contratar pessoas com base no mérito
individual, o que é importante, a empresa, como qualquer organização, está
buscando também construir a competência organizacional para lidar com o mundo
no qual quer ser bem-sucedida.
Desafios para as empresas na
valorização da diversidade? O principal deles é enfrentar o padrão dominante e
as ideologias da discriminação que dele resultam – o machismo, o racismo, a
homofobia e todas as formas de violência que afastam a empresa de sua própria
declaração de visão, missão e valores.
Há empresas que acham que valorizar a
diversidade é apenas monitorar a sua demografia interna. É uma parte da tarefa.
O mais importante é a construção de um ambiente plural, aberto, inclusivo e
acolhedor da diversidade humana. Portanto, ambiente que valoriza pessoas, a
vida, que tem conexão com a realidade onde opera os negócios, com as
perspectivas atuais e as tendências de futuro.
Isso é essencial para uma organização
ser criativa e inovadora, atributos cada vez mais valorizados e necessários. Isso
implica em trabalhar a cultura organizacional e não apenas a demografia
interna. Uma demografia que atenda a princípios básicos como a não
discriminação, demandas da sociedade e suas normas, se complementa com uma gestão
de pessoas que trabalhe essa expressão da pluralidade numa cultura de respeito
e inclusão.
O conjunto de boas práticas empresariais
no campo da valorização da diversidade tem duas características essenciais:
(a) O enfrentamento do padrão dominante, mais do que apenas a inclusão
de alguns segmentos ausentes ou em situação de desvantagem na organização. Isso
implica rever e aprimorar estruturas físicas, pensamentos, posturas, processos,
sistemas, formas de comunicação, com impactos também no seu fazer, nos produtos,
serviços, atendimento e relacionamento com seus diferentes públicos ou
stakeholders. Se tudo foi moldado pelo padrão dominante, das máquinas à
comunicação, é preciso que a pluralidade esteja não apenas nas características
da demografia interna, mas no jeito de ser, de fazer e de se relacionar da
organização.
(b) A participação das pessoas, mais do que projetos mirabolantes e bem
feitos no meu escritório de consultoria, por exemplo. É essencial ouvir as
pessoas, promover diálogos, promover a participação efetiva de todos no
enfrentamento do padrão dominante e na construção dessa cultura organizacional
aberta à criatividade e inovação na maneira de ser, de fazer e de se relacionar
no mundo.
Não acredito em projeto de valorização
da diversidade que não envolva a criação de um comitê com representantes de
diferentes áreas, uma plataforma a partir da qual as pessoas se capacitam no
tema, colaboram umas com as outras e constroem juntas as soluções para que a
organização faça uma excelente gestão da diversidade que, por sua vez, adicione
efetivo valor a todos. O projeto mais bonito é o mais efetivo. Isso só se
consegue com a estética da participação construindo soluções que tenham total
sintonia com a identidade da organização, sua estratégia de negócio e sua
gente, seus líderes, a cultura a ser fortalecida ou transformada.
Não acredito em projeto de valorização
da diversidade que não crie espaços de diálogo sobre diversidade racial,
sexual, de gênero, etária, religiosa etc. Os grupos, centrados em questões ou
temas de enfrentamento do padrão dominante, se reúnem, nestas empresas para,
sobretudo, ajudar suas organizações a lidar melhor com esses segmentos, temas
ou questões. São mais estratégicos, como gostamos de dizer, quanto mais
efetividade garantem para a organização ao garantir a consideração pelas
singularidades em tudo que se faz.
É essencial que as pessoas sejam
ouvidas e que dialoguem em torno da identidade da organização, o que envolve
todo mundo, não apenas as pessoas daquele segmento ausente ou em situação de
vulnerabilidade e desvantagem dentro da empresa. Se interessa a todos, de
verdade, todos devem se sentir convidados a participar e contribuir.
Falando, por fim, das perspectivas da
valorização da diversidade nas nossas empresas no Brasil, eu posso dizer que o
tema tem futuro se, e somente se...
(a)
Se nós, os profissionais que trabalhamos o tema no ambiente empresarial,
tivermos um profundo carinho pelas nossas empresas que nos faça aprimorar
sempre e mais nosso entendimento do tema e nossas ferramentas de intervenção na
realidade.
É preciso acreditar que as empresas e
seus sujeitos são capazes de transformar a situação atual de discriminação e
segregação em uma cultura de respeito aos direitos humanos e de valorização da
diversidade como fonte de riqueza, de adição de valor, de contribuição para a sustentabilidade
da organização num mundo também sustentável.
(b) Se as empresas desenvolverem cada vez mais a capacidade de trabalhar em
conjunto, criar fóruns e grupos de trabalho em torno de questões essenciais
para a valorização da diversidade no âmbito do respeito e promoção dos direitos
humanos, de práticas socialmente responsáveis e de contribuição para o
desenvolvimento sustentável. A criação do Fórum de Empresas e Direitos LGBT, em
março de 2013, é um exemplo disso. O tema não era fácil para cada empresa
individualmente mas, ao juntarem-se para conversar em rodas envolvendo os
executivos e os profissionais que lideram as ações de diversidade em diferentes
áreas, todos encontraram ali soluções efetivas e uma serenidade necessária para
avançar.
Diversos
somos todos e, portanto, somos todos responsáveis por valorizar e promover
a diversidade. O desafio não está colocado apenas dentro de uma empresa, mas
dentro da nossa mente, na nossa sociedade e exige humildade para reconhecer que
não sabemos tudo; persistência para enfrentar questões milenares; profundidade para
buscar a essência e enfrentar a superficialidade; diálogo para enriquecer a perspectiva
individual e coletiva; coração aberto para acolher a vida em sua diversidade
criadora. Obrigado!
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Gestão e Inclusão da Pessoa com Deficiência
Reinaldo
Bulgarelli, Txai Consultoria e Educação
17 de novembro de 2014
O que significa a legislação de cotas para inclusão do profissional com deficiência no mercado de trabalho
1.
A pessoa com deficiência tem
direito ao trabalho. É isso que afirma a legislação de cotas para que os empregadores
cumpram com o princípio de não discriminação do trabalhador.
2.
A inclusão do profissional
com deficiência significa afirmação do princípio do mérito, que não está sendo
respeitado quando uma característica da pessoa se torna motivo para não ser
contratada.
3.
O mercado de trabalho, do
ponto de vista social, está criando um circulo virtuoso ao promover a inclusão, o
que envolve outros atores como a família da pessoa com deficiência, o sistema
de educação, de transporte, lazer, entre tantos outros.
4.
O investimento em educação
profissional é uma prática comum e rotineira, condição para o desenvolvimento dos
negócios e da sociedade. Portanto, o que há de novo neste processo de inclusão
do profissional com deficiência é um olhar específico para a sua condição de
maneira que também se beneficie do acesso à educação profissionalizante.
A empresa e a inclusão
5.
A empresa se beneficia
porque expressa na prática seu compromisso com valores universais de direitos
humanos e
tudo que isso significa em termos de enfrentamento da discriminação, passando
uma mensagem positiva para toda a sociedade e adicionando valor à sua marca.
6.
A empresa aprimora suas
práticas de gestão ao rever estruturas e processos para acolher a diversidade humana,
abandonando um padrão de normalidade que não tem a ver com competência, mérito,
produtividade e tudo que interessa para os negócios e para a sociedade.
7.
A empresa valoriza sua
marca, aumenta o valor dos seus imóveis, se torna atraente para clientes e para
talentos
que preferem trabalhar num ambiente respeitoso e inclusivo da diversidade
humana. Ao adotar na prática conceitos como inclusão, acessibilidade,
tecnologia assistiva, desenho universal, entre outros, a empresa ganha valor.
O gestor e a inclusão
8.
O gestor de pessoas é gestor
da diversidade humana porque as pessoas são caracterizadas pela pluralidade e não pela
uniformidade.
9.
Gestores inclusivos da
diversidade humana aprimoram suas práticas de gestão ao manter foco no mérito, na
produtividade e nos resultados, considerando a realidade da vida e trabalhando
com aquilo de melhor que as pessoas têm a oferecer.
10.
A inclusão é um processo, envolve diálogo, interação e
compromisso de todos porque é multidirecional. Não é um gesto apenas do gestor
na direção do profissional com deficiência, mas de todos em direção a todos.
11.
A inclusão envolve
cooperação intensa entre todos. Reforça, portanto, a colaboração necessária para que a
empresa alcance seus resultados.
12.
Gestores inclusivos cuidam
de saúde e segurança considerando a diversidade humana, o que contribui para
elevar os padrões da empresa.
13.
Gestores inclusivos se
capacitam
não apenas estudando, mas na vivência cotidiana da inclusão do profissional com
deficiência.
14.
Gestores inclusivos rejeitam
“ideias paralisantes” e trocam a máxima do “só é possível incluir quando tudo estiver
perfeito” por “tudo melhora conforme incluímos os profissionais com
deficiência”.
15.
Gestores inclusivos se
desenvolvem profissionalmente para trabalhar com os desafios do século XXI e são
interessantes para o mercado de trabalho moderno.
domingo, 26 de outubro de 2014
Antes de raiar o dia
Antes de raiar o dia
Reinaldo Bulgarelli
26 de outubro de 2014
Aqui na rua acontece de tudo. Tem um bar que reúne os jovens
e os não tão jovens. Eles chegam ao comecinho da noite e ficam até de tarde do dia seguinte. O
cheiro de cerveja, xixi, maconha e desespero vão longe.
A moça do escritório em frente levou um soco no rosto de um
maluco desses. Doeu, machucou e ela, briguenta, levou o sujeito para a
delegacia, apesar do protesto dos demais. No dia do batizado do meu neto, ele estava
todo arrumadinho e a família desfilando com muita pompa de casa até a igreja. Vimos
uma moça tirar a roupa para fazer xixi no meio da calçada, bêbada e jogando
pragas. A moça pelada é assunto para o resto da vida.
Assim é o bar do lado de casa. Brigas e facadas, polícia,
propina e muita droga é o que tem neste lugar, retrato de muitos cantos do
nosso país. Nunca vi nenhum pastor passar por ali para converter os infiéis da Rua
Augusta. Se algum tentou, não deve ter sido fácil. Fácil mesmo é acolher um
desses jovens quando quer sair do alcoolismo e das drogas, dos dias sem nada
para fazer, a não ser ficar malucando na porta do bar.
Depoimentos emocionantes na igreja e um palco para aqueles
que mudaram de vida, que falam do passado com dor, lamentando o que foram e fizeram.
É isso que estou chamando de fácil. E quem os amava e acolhia enquanto estavam
ali mergulhados na cerveja e no xixi?
Lembrei-me dos anos e anos em que passei trabalhando com
crianças e jovens em situação de rua no centro de São Paulo. Lembrei-me dos
educadores sociais de rua que estão pelo Brasil a fora fazendo este trabalho de
estar com aqueles que ainda não contam sua história no tempo passado.
Estou agora engajado em um projeto para ampliar a empregabilidade
de ex-detentos. São pessoas que cumpriram penas no sistema prisional e que não
encontram oportunidade no mercado formal de trabalho. O que eu disse ser fácil,
não é tão fácil assim. Mesmo para estes que estão dizendo que não querem voltar
para o mesmo lugar, que querem uma chance para se reinventar, as portas do
mercado de trabalho oferecem restrições: queremos saber dos antecedentes
criminais. Deveriam prioriza-los, mas, ao contrário, fecham as portas. Temos
muito que fazer para mudar isso.
Mas, quem é que se dedica a visitar os presos,
principalmente aqueles que ainda não demonstraram nenhum interesse em mudar de vida
e ingressar no mercado de trabalho? Quem é que os visitam e trabalha para
ampliar suas possibilidades e escolhas, com ou sem moralismo, trabalhando com
desenvolvimento humano? Quem é que lida com “essa gente” dizendo que têm valor,
como os jovens aqui do bar vizinho, mesmo enquanto ainda não se bandearam para
o lado definido como decente?
Difícil mesmo é ver valor naquele sujeito que deu o soco na
moça do escritório, a outra doidona que fazia xixi no meio da rua e o outro que
esfaqueou o colega por um motivo qualquer. Na minha experiência com as crianças
e jovens em situação de rua, aprendi que isso faz toda diferença. Se a pessoa quer
ficar ali, num tempo que pode ser maior que a minha vida ou até o limite da
vida dela, mesmo assim a gratuidade da presença passa mensagens poderosas.
É o olhar, o gesto e essa presença dizendo algo essencial
para qualquer escolha que se possa fazer nesta vida: você tem valor, dignidade
e merece respeito em qualquer circunstância. Se quiser mudar, se não quiser,
mesmo assim, antes e acima de tudo, você tem valor. Era isso que dizíamos, às
vezes sem dizer nada, para aqueles que estavam na rua, nem sempre só pobres,
nem sempre só violentos ou drogados. O
que havia de comum era a falta de perspectiva, um projeto de vida, um propósito
de verdade que fosse além da sobrevivência no dia presente.
Na falta de perspectiva, faz toda diferença ter alguém
sinalizando que você tem valor hoje, agora, neste instante. A perspectiva é
construída numa mão estendida, numa oportunidade e numa escolha que acontece
dentro da gente.
O que vem antes? Não tem antes e nem depois. É tudo junto e
ao mesmo tempo porque estamos falando de gente. Alguns se reconstroem por
dentro a partir da vivência da oportunidade, incluindo erros e acertos, idas e
vindas. Alguns se reinventam primeiro no silêncio de uma escolha que acontece
dentro. Aí, depois disso, é que passam a buscar as oportunidades e as condições
de seu desenvolvimento.
Uma sociedade que lida apenas (e muito mal) com quem foi
capaz de reinventar-se, por motivos religiosos ou outro qualquer, não lida direito
com nada que seja significativo ou sustentável. O bom mesmo é reconhecer uma
pessoa onde tudo em volta e tudo dentro diz que ali está uma besta sem qualquer
humanidade. Minhas homenagens aos que visitam os presos, aos educadores sociais
de rua, aos que se dedicam a estar naquele lugar que cheira a xixi e naquele momento
turbulento do dia que ainda não raiou.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Os avanços na temática LGBT no ambiente empresarial
Reinaldo Bulgarelli
03 de outubro de 2014
A Txai Consultoria e Educação (eu, Bruna Douek e Beto de Jesus) foi responsável pela
elaboração do Manual da ONU sobre direitos LGBT no mundo do trabalho, lançado
no último dia 30 de setembro.
Nos últimos dois anos, demos
prioridade aqui na Txai para a temática dos direitos LGBT e estamos colhendo os
resultados destes esforços.
Temos duas publicações para o meio empresarial no tema (do
Instituto Ethos e da ONU); temos um Fórum (Fórum de Empresas e Direitos LGBT,
hoje com mais de 80 grandes empresas e um Comitê Gestor com 11 empresas), uma agenda de trabalho (10 Compromissos
da Empresa com os Direitos LGBT, com indicativos de ação e indicadores de
profundidade); marcador de livro com 10 Compromissos (amplamente divulgado nas reuniões e atividades do Fórum); um vídeo com
duas versões (Instituto Ethos, disponível no espaço deles no Youtube); cartazes
para sensibilização no tema (ONU); a Carta de Adesão ao Fórum e aos 10
Compromissos (em discussão no Comitê Gestor do Fórum para assinatura em 10 de
dezembro próximo); vários cases empresariais demonstrando amadurecimento e boas
práticas nesta questão; ampla cobertura da imprensa para essas ações.
O meio empresarial avançou significativamente na questão da
orientação sexual e identidade de gênero, ganhando também a responsabilidade
ainda maior de ajudar a sociedade toda a também realizar avanços no que diz
respeito à igualdade de oportunidades e de tratamento; enfrentamento firme e
efetivo da homo-lesbo-transfobia; promoção de ações afirmativas em várias áreas
ou relacionamentos da empresa, priorizando travestis e transexuais; promoção de
uma cultura de respeito aos direitos humanos LGBT, o que envolve organizações
mais inclusivas e engajadas.
Muito orgulho de mais uma atividade da Txai que está
contribuindo em temas de difícil abordagem no meio empresarial e na sociedade em
geral.
Segue abaixo link para matéria no site da ONU e para a
publicação lançada no último dia 30/09/2014.
http://www.onu.org.br/onu-lanca-manual-sobre-direitos-lgbt-no-mundo-do-trabalho/
sábado, 27 de setembro de 2014
"As Políticas Públicas e os Incentivos para a Diversidade em Empresas”
Conferência Ethos 360º: "As Políticas Públicas e os
Incentivos para a Diversidade em Empresas”
Reinaldo Bulgarelli, 27 de setembro de 2014
Conferência Ethos 360o - Fui mediador, no último dia 24
de setembro, da mesa "As Políticas Públicas e os Incentivos para a
Diversidade em Empresas". Falamos de inovação, conexão com a realidade onde a empresa opera negócios, falta de sensibilidade
dos indicadores para com o tema da diversidade na eleição de boas práticas
empresariais e a enorme dificuldade das empresas de lidar com a questão do
negro e a promoção da equidade de gênero e raça.
Foi consenso que a adoção de ações afirmativas, incluindo
as cotas, são importantes para transformar a realidade atual de profunda
desigualdade, sobretudo na questão do negro e da mulher negra.
Foram apresentadas sugestões para melhoria da legislação
de cotas para inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, como a
priorização das pessoas com deficiência visual, por exemplo, que enfrentam
maiores barreiras para essa inclusão por motivos que não se explicam a não ser
pelo preconceito.
Reforcei a importância das empresas participarem do Grupo
de Trabalho de Direitos Humanos e outras iniciativas do Instituto Ethos, como
forma de capacitação no tema, engajamento e interação em torno de desafios que
precisam ser enfrentados conjuntamente para melhorar o desempenho das empresas
na área.
Além de mediador, estava ali também para falar do tema
LGBT. Citei o Fórum de Empresas e Direitos LGBT, fundado pela Txai Consultoria
e Educação, bem como a criação de 10 Compromissos da Empresas com os Direitos
LGBT, como exemplo de que as empresas podem atuar conjuntamente em temas
desafiadores, mas com uma agenda de trabalho bem definida e que permita
monitoramento da situação atual e dos avanços buscados.
Na plateia estavam sobretudo os profissionais que estão
trabalhando o tema da valorização da diversidade nas empresas, lideranças
empresariais, do governo e do movimento social, demonstrando que a Conferência
Ethos 360o cumpria com seu objetivo de olhar os temas de maneira ampla.
Foi muito positiva e produtiva nossa discussão que contou
com Maria Aparecida Bento (CEERT),
José Vicente (Faculdade Zumbi dos Palmares), Guilherme Bara (BASF) e que teve no centro da
roda Tatau Godinho (Secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica
das Mulheres da Presidência da República).
Link para a cobertura do evento: http://www3.ethos.org.br/ce2014/noticias/o-que-falta-para-diversidade-chegar-empresas/
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Eleições e direitos LGBT
Eleições e direitos LGBT
Reinaldo Bulgarelli
02 de setembro de 2014
As críticas aos candidatos à presidência que estão sendo feitas pelo movimento LGBT dizem respeito à defesa de seus direitos.
A vida do país é muito mais, mas você imagina um judeu votando no partido nazista porque o candidato propõe coisas boas para a economia ou defende os animais?
A gente acaba até votando num dos candidatos, mas não obrigue a comunidade a se calar diante de insultos ou omissões.
O país é muito mais do que uma minoria, mas o jeito do candidato lidar com as minorias diz muito sobre ele e sobre como pensa o país. Quando um/a candidato/a à presidência do país rejeita avanços nos direitos LGBT, pode olhar em volta porque há mais coisas que estará rejeitando. Sinaliza reforço à violência, parceria com o que há hoje de mais retrógrado em vários campos da vida em sociedade.
Hoje são os direitos LGBT que estão servindo de referência para demonstrar o compromisso efetivo destes candidatos com a liberdade, com a democracia, com a capacidade de lidar com a pluralidade com a qual devemos aprender a conviver mais e mais no mundo moderno.
Já tivemos outros temas em debate que significaram a visão de mundo das pessoas, como a questão da escravidão e do voto feminino, por exemplo. A história os julgou conforme caminhou na direção contrária. Há outros temas que amanhã poderão ganhar esse papel de representar algo mais do que apenas o direito de uma chamada minoria.
É bom prestar atenção no que hoje significa negar direitos ao segmento LGBT.
Se não bastasse, resta perguntar às pessoas se elas preferem prosperidade econômica ou a liberdade, respeito e dignidade. Vão responder, como estão respondendo, que querem tudo isso junto e muito mais. Quem não sabe combinar igualdade com liberdade, boa coisa não faz e não irá fazer.
Haverá um mundo melhor que não é respeitoso para com a diversidade humana? Então, está bem longe de ser um mundo melhor.
Reinaldo Bulgarelli
02 de setembro de 2014
As críticas aos candidatos à presidência que estão sendo feitas pelo movimento LGBT dizem respeito à defesa de seus direitos.
A vida do país é muito mais, mas você imagina um judeu votando no partido nazista porque o candidato propõe coisas boas para a economia ou defende os animais?
A gente acaba até votando num dos candidatos, mas não obrigue a comunidade a se calar diante de insultos ou omissões.
O país é muito mais do que uma minoria, mas o jeito do candidato lidar com as minorias diz muito sobre ele e sobre como pensa o país. Quando um/a candidato/a à presidência do país rejeita avanços nos direitos LGBT, pode olhar em volta porque há mais coisas que estará rejeitando. Sinaliza reforço à violência, parceria com o que há hoje de mais retrógrado em vários campos da vida em sociedade.
Hoje são os direitos LGBT que estão servindo de referência para demonstrar o compromisso efetivo destes candidatos com a liberdade, com a democracia, com a capacidade de lidar com a pluralidade com a qual devemos aprender a conviver mais e mais no mundo moderno.
Já tivemos outros temas em debate que significaram a visão de mundo das pessoas, como a questão da escravidão e do voto feminino, por exemplo. A história os julgou conforme caminhou na direção contrária. Há outros temas que amanhã poderão ganhar esse papel de representar algo mais do que apenas o direito de uma chamada minoria.
É bom prestar atenção no que hoje significa negar direitos ao segmento LGBT.
Se não bastasse, resta perguntar às pessoas se elas preferem prosperidade econômica ou a liberdade, respeito e dignidade. Vão responder, como estão respondendo, que querem tudo isso junto e muito mais. Quem não sabe combinar igualdade com liberdade, boa coisa não faz e não irá fazer.
Haverá um mundo melhor que não é respeitoso para com a diversidade humana? Então, está bem longe de ser um mundo melhor.
sábado, 23 de agosto de 2014
Melhores Empresas para se Trabalhar (para alguns trabalharem?)
Melhores Empresas
para se Trabalhar (para alguns trabalharem?)
Reinaldo Bulgarelli
23 de agosto de 2014
Para estar entre as
melhores, nenhuma delas precisa apresentar algum cuidado com a promoção da
igualdade racial e nem mesmo práticas de enfrentamento do racismo.
Assim, você
pode estar numa empresa considerada melhor e não ter um colega negro ao seu
lado.
Dizem que esse número de brancos é a tal meritocracia. Há controvérsias.
É possível ser a melhor empresa para se trabalhar num país com tamanha
desigualdade racial? Isso não impacta o negócio e o desenvolvimento do país?
Quando é que os critérios para se eleger uma empresa para isso ou para aquilo
(prêmios, índices da bolsa, crédito governamental etc.) passarão a considerar
efetivamente a questão racial como algo essencial para o negócio e para o país?
No caso de multinacional, nem sequer trazemos para o Brasil o que faz a matriz.
Seria impensável apresentar os mesmos dados nos EUA ou na Europa. Pior ainda,
seria impensável não apresentar dado algum em relação à demografia interna da
empresa quanto à questão racial, como acontece aqui.
A Época e a Você S.A., com
seus parceiros, precisam rever seus critérios e incluir fortemente esse tema
porque o Brasil tem mais de 50% de negros em sua população. Fosse muito menor
esse percentual, como nos EUA, já seria motivo para agir a favor da diversidade
racial.
Este é um dos temas de um seminário que estou ajudando a organizar e
que deve acontecer em novembro. Se a questão também te incomoda, vou divulgar
aqui assim que for aprovado e tomara que possamos começar 2015 com outro olhar
sobre o que é ser uma das 130 ou 150 melhores empresas para se trabalhar.
Estou
focando na questão do negro, mas o mesmo vale para o cumprimento da legislação
de cotas (é lei!) para a inclusão de profissionais com deficiência. Sua empresa
pode ser considerada entre as dezenas de empresas como a melhor para se
trabalhar sem que a questão da lei seja avaliada? Temos que criar um índice à
parte, como está sendo criado? Dou a maior força, mas fazemos isso pelo triste
motivo de que algumas portas estão fechadas e resta apenas caminhos alternativos.
Presidentes das grandes empresas, profissionais da área de SRSE e suas
organizações, podemos e devemos mudar isso.
domingo, 27 de julho de 2014
Perguntas e respostas
Perguntas e respostas
04 de junho
de 2006
"Acabemos de uma vez com a
única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.
Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo."
Albert Einstein
“Quando a gente acha que tem
todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas...”
Luis Fernando Veríssimo
Estamos cercados de respostas por
todos os lados. Queremos respostas e elas estão diante de nós em todos os
lugares, em cada nascer do sol, cada flor que se abre, cada bicho que nasce,
cada criança, adulto ou idoso em seus cotidianos variados.
O que não temos são as perguntas
no tempo certo para dar conta de tantas respostas. Muitas perguntas são
formuladas muito tempo depois que as respostas foram dadas. E ainda tem gente
que se dedica a buscar respostas e não a formular perguntas. Ainda tem gente
achando que o mais importante e concreto são as respostas importantes e
concretas para aquelas mesmas questões que estão formulando há séculos.
Mudem as perguntas, façam outras,
invertam a ordem, busquem ressignificar as coisas e seus nomes que talvez a
gente encontre mais rápido soluções novas para os desafios que a cada dia vamos
inventando e sofisticando. Tudo é muito complexo para ficarmos repetindo
perguntas ou para nos darmos ao luxo de não formulá-las.
Saramago nos diz isso em sua
frase genial: “Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas”.
O tempo das perguntas é por
demais demorado quando queremos, como Einstein nos ensinou, resolver novos
desafios com antigas soluções. “O mundo
não vai superar a crise usando o mesmo pensamento que a criou.”
Nossas
organizações em geral, sejam elas empresas ou escolas, ONGs, sindicatos e governos,
precisam urgentemente repensar a forma como produzem perguntas e aí a diversidade
tem um papel fundamental. Com cabeças que pensam e perguntam diferente,
enxergamos respostas que antes eram invisíveis. Quanto mais tornamos invisíveis
algumas pessoas por serem diferentes do padrão dominante que criamos, mais
invisíveis ficam as soluções que precisamos dar no momento atual do mundo.
Marcel Proust, para quem o olhar era tudo, disse que "A verdadeira
viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver
com novos olhos".
Ou seja, tudo indica que a diversidade pode nos ajudar a pensar de outra
forma, a formular novas perguntas e a ver as paisagens com outros olhos.
Inserir
diversidade na tomada de decisões é exatamente acolher novos pensamentos,
perguntas e olhares na busca de soluções e resultados efetivos para nossos
desafios.
Faça
outra pergunta para o mesmo problema e envolva mais gente nesta tarefa. Quem sabe
a resposta não estará diante de você? Boa sorte!
*Revisto em 27 de julho de 2014.
sábado, 26 de julho de 2014
Mercados Diversos
Pequenas empresas e a diversidade
A Revista Ideia Sustentável de julho de 2014 traz estudo da Next com 8 tendências de sustentabilidade para pequenas e microempresas.
Entre experiências práticas e opiniões de especialistas, a tendência 7 trata de diversidade com um artigo meu sobre "A pequena empresa e a diversidade" (pg 78 e 79).
Com dados sobre o mercado de trabalho em geral e o recorte para micro, pequenas e médias empresas, priorizo a abordagem da questão da mulher, do negro e da pessoa com deficiência.
Segue link para a Revista (tem de cadastrar-se antes): http:// www.ideiasustentavel.com.br /cadastro_revista/
A Revista Ideia Sustentável de julho de 2014 traz estudo da Next com 8 tendências de sustentabilidade para pequenas e microempresas.
Entre experiências práticas e opiniões de especialistas, a tendência 7 trata de diversidade com um artigo meu sobre "A pequena empresa e a diversidade" (pg 78 e 79).
Com dados sobre o mercado de trabalho em geral e o recorte para micro, pequenas e médias empresas, priorizo a abordagem da questão da mulher, do negro e da pessoa com deficiência.
Segue link para a Revista (tem de cadastrar-se antes): http://
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Trabalho infantil
Reinaldo
Bulgarelli
14 de
julho de 2014
Crianças e
adolescentes se organizam na Bolívia para pedir que o trabalho seja liberado a
partir dos 10 anos de idade.
No Brasil, com apoio até das igrejas, de ONGs e dos governos, tínhamos associações de engraxates e outras aberrações que a cidadania tratou de varrer da história.
Problematizamos o trabalho das crianças (era tido como solução e não como problema), aderimos à idade mínima de 14 anos (acho que deveria ser pelo menos aos 16 anos, mas...), criamos um cenário positivo afirmando que lugar da criança era na escola e não nas ruas, favorecendo a mobilização da sociedade para encontrar outras soluções.
E assim foi. Colocamos nossa criatividade, energia e recursos para encontrar soluções que não estivessem baseadas em remendos e conivência com o trabalho das crianças. Nada de manter o trabalho infantil enquanto não existem outras soluções. Proibimos o trabalho infantil, incondicionalmente, para que outras soluções surgissem.
Se tivéssemos mantido aquela proposta de dar uma caixa de isopor para cada criança pobre vender picolé na rodoviária da cidade (com logomarca da ONG ou da prefeitura), a situação no Brasil estaria ainda pior em relação ao trabalho infantil. Avançamos e muito.
Programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, se mostraram muito mais eficazes para enfrentar a pobreza e esse dado cultural, com sociedades que têm gosto pelo trabalho das crianças e as colocam para ajudar no sustento da família.
É a família que deve ajudar a criança e não o contrário. É o Estado que deve ajudar a família a ajudar suas crianças. No atraso, nesta visão que tudo vale para os filhos dos pobres, o Estado vai ajudar a criança a ajudar a família e ninguém sai do lugar.
Os comentários a esta notícia da Folha mostram como pensam muitos que têm adoração pelo século passado e nele gostariam de viver. Felizmente, o patamar aqui é outro no enfrentamento do trabalho infantil. Programas oficiais e não governamentais de gente cínica que exploravam crianças em nome de uma educação dos pobres para o valor do trabalho já não encontram mais lugar no marco legal.
Ou será, com base nos comentários, que essa gente cínica e exploradora está perdendo a vergonha também neste tema e volta a defender abertamente o quanto é bom uma criança pobre ficar nas ruas da cidade até tarde da noite, como o líder "sindicalista" da Bolívia?
Quem defende o trabalho infantil, no modelo defendido pelo sindicato mirim da Bolívia, tem seus filhos engraxando sapatos na Praça da Sé ou vendendo doces nos trens?
Se não colocou os filhos para trabalhar, então assuma que odeia pobres, que defende que só os ricos devem ter auxílio do Estado com suas bolsas, universidades gratuitas, ajuda financeira para pesquisar os pobres, isenção nos impostos etc etc etc.
Assuma e defenda abertamente que as crianças pobres não deveriam nem receber migalhas sem pagar por elas com o suor do trabalho. Só não engane a si mesmo e aos outros dizendo que o trabalho dos pobres educa. É exploração mesmo e ponto.
No Brasil, com apoio até das igrejas, de ONGs e dos governos, tínhamos associações de engraxates e outras aberrações que a cidadania tratou de varrer da história.
Problematizamos o trabalho das crianças (era tido como solução e não como problema), aderimos à idade mínima de 14 anos (acho que deveria ser pelo menos aos 16 anos, mas...), criamos um cenário positivo afirmando que lugar da criança era na escola e não nas ruas, favorecendo a mobilização da sociedade para encontrar outras soluções.
E assim foi. Colocamos nossa criatividade, energia e recursos para encontrar soluções que não estivessem baseadas em remendos e conivência com o trabalho das crianças. Nada de manter o trabalho infantil enquanto não existem outras soluções. Proibimos o trabalho infantil, incondicionalmente, para que outras soluções surgissem.
Se tivéssemos mantido aquela proposta de dar uma caixa de isopor para cada criança pobre vender picolé na rodoviária da cidade (com logomarca da ONG ou da prefeitura), a situação no Brasil estaria ainda pior em relação ao trabalho infantil. Avançamos e muito.
Programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, se mostraram muito mais eficazes para enfrentar a pobreza e esse dado cultural, com sociedades que têm gosto pelo trabalho das crianças e as colocam para ajudar no sustento da família.
É a família que deve ajudar a criança e não o contrário. É o Estado que deve ajudar a família a ajudar suas crianças. No atraso, nesta visão que tudo vale para os filhos dos pobres, o Estado vai ajudar a criança a ajudar a família e ninguém sai do lugar.
Os comentários a esta notícia da Folha mostram como pensam muitos que têm adoração pelo século passado e nele gostariam de viver. Felizmente, o patamar aqui é outro no enfrentamento do trabalho infantil. Programas oficiais e não governamentais de gente cínica que exploravam crianças em nome de uma educação dos pobres para o valor do trabalho já não encontram mais lugar no marco legal.
Ou será, com base nos comentários, que essa gente cínica e exploradora está perdendo a vergonha também neste tema e volta a defender abertamente o quanto é bom uma criança pobre ficar nas ruas da cidade até tarde da noite, como o líder "sindicalista" da Bolívia?
Quem defende o trabalho infantil, no modelo defendido pelo sindicato mirim da Bolívia, tem seus filhos engraxando sapatos na Praça da Sé ou vendendo doces nos trens?
Se não colocou os filhos para trabalhar, então assuma que odeia pobres, que defende que só os ricos devem ter auxílio do Estado com suas bolsas, universidades gratuitas, ajuda financeira para pesquisar os pobres, isenção nos impostos etc etc etc.
Assuma e defenda abertamente que as crianças pobres não deveriam nem receber migalhas sem pagar por elas com o suor do trabalho. Só não engane a si mesmo e aos outros dizendo que o trabalho dos pobres educa. É exploração mesmo e ponto.
*Sobre matéria na Folha de São Paulo de 08 de julho de 2014:
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/2014/07/1482682-criancas-formam-sindicato-na-bolivia-para-defender-trabalho-infantil.shtml?cmpid=%22facefolha%22
sábado, 8 de março de 2014
Mulheres na fábrica: a transição entre a força e a delicadeza
Mulheres na fábrica: a transição entre a força e a delicadeza
Reinaldo Bulgarelli
Txai Consultoria e Educação
08 de março de 2014
O moço sem músculos
fala que as mulheres são fracas
Um rapaz operário, magro e sem músculo algum, me disse que não
havia tantas mulheres na fábrica porque o trabalho era pesado. A priori, todas
as mulheres do mundo são mais fracas que ele e todos ou qualquer homem pode trabalhar ali. É o machismo produzindo justificativas que não têm cabimento,
baseadas em estereótipo e na superioridade dos homens, incluindo a força
muscular.
Basta olhar para os demais homens da empresa para verificar
que o discurso da força não se sustenta. Com todo cuidado, para não humilhar ou
criar constrangimentos, eu aponto a falta de músculos dos homens. Mesmo assim
insistem, repetindo o discurso que a realidade desmente. Alguns dizem que as
mulheres não suportam o trabalho pesado por muito tempo.
Questiono se homens
também não estão engordando essa estatística, se houver estatística, de
abandono da empresa. O tal turnover é medido com recorte de gênero? Também proponho pensar nas mulheres que vão à feira ou ao
mercado, que carregam o filho no colo por longas distâncias, que cuidam de uma
casa e, mesmo assim, os homens continuam me dizendo que o trabalho deles é mais
pesado e intenso.
As máquinas não
precisam mais de músculos
Eu pergunto, andando entre as máquinas da fábrica, em qual
momento o uso da força física se faz necessário. Mesmo as máquinas mais antigas
e os processos mais primitivos são todos movidos por alta tecnologia e o
discurso da força cai por terra novamente. Não há um lugar ou atividade que a
força física é necessária para justificar a ausência das mulheres.
As máquinas e os processos mudaram. Tudo bem que há equipamentos velhos e que a
empresa tolera máquinas antiquadas que jamais seriam aceitas no país da matriz,
mas mesmo assim a alta tecnologia impera. O trabalho é muito pesado, mas nada
comparável às máquinas e processos de uma ou de mais décadas atrás, muito menos
relacionado apenas a homens. Mesmo no passado, essa justificativa da ausência
das mulheres só se sustenta no machismo.
Focar na exigência da
força e não de homens
Se a força é necessária, o foco deveria estar nela e não nos
homens. Há homens fracos e mulheres fortes. Mas, é mesmo necessária tanta força
assim? Nem a lei permite e nem a prática demonstra que a força é que move as
máquinas nas fábricas, sobretudo de nossas grandes empresas. Os homens se
desqualificam quando justificam que estão ali por conta da força, como se
fossem apenas músculos. Com tanta tecnologia, estão ali porque são inteligentes
para poder lidar com tantos manuais e regras de trabalho tão sofisticadas.
As mulheres, quando estão presentes nestas conversas, ficam
com um sorrisinho no canto da boca, estrategicamente prudentes diante do abalo
que causo nos pilares ocos do machismo. Elas sabem que o escárnio é fatal neste
ambiente de homens, uma organização feita por eles e para eles, portanto,
ambiente masculino, masculinizado e masculinizante. Gostam quando eu digo que é
preciso contratar com foco na força e não no sexo. Precisar de força é uma
coisa diferente de precisar de homens, quebrando a lógica de atribuir
automaticamente a força aos homens e a fragilidade às mulheres.
Vou mais fundo e pergunto a gestores o que acham do trabalho
das poucas mulheres que estão realizando as atividades antes realizadas apenas
por homens. A turma se divide.
Mulheres não gostam
de trabalho pesado
Alguns falam de preguiça, vaidade, fragilidade, falta de
empenho e que as mulheres ficam pouco tempo na área, logo se transferindo para
áreas “feitas para elas”, como o laboratório e áreas com atividades tidas como
mais leves. Dizem que elas é que escolhem assim.
Vou pesquisar e vejo que houve um caso em que a mulher
trocou de área e, conversando com ela, disse não suportar a permanente
hostilidade dos homens. Quando ouço essas histórias de mulheres que abandonam a
área, penso com os homens em algumas alternativas para justificar esse fato.
Não será o clima interno que é também insuportável para
estas poucas e pioneiras mulheres? Não será um problema na seleção, já que as
mulheres da área de RH não estão acostumadas a recrutar e entrevistar mulheres
operárias, escolhendo aquelas que correspondem ao estereótipo vigente? Estariam
escolhendo mulheres com foco no estereótipo feminino e não com foco no perfil
da vaga, da atividade e suas exigências? Não haverá ainda uma falta de cultura
na cidade em relação à presença de mulheres em fábricas ou atividades tidas
como masculinas, explicando que apareça um tipo de candidata não compatível com
aquele trabalho? Não há uma falta de demanda por mulheres sobre as instituições
que formam os profissionais para a fábrica?
As mulheres são muito
melhores que os homens
Outros falam que deveriam ter contratado mulheres desde sempre.
Elas são melhores, mais delicadas, mais limpinhas, mais organizadas, mais
cuidadosas com a saúde, com a segurança, diminuindo o número de acidentes. Elas
dão conta do trabalho pesado e ainda tornam o ambiente mais agradável com sua
presença. O que será que querem dizer com isso?
Dizem também que elas são mais comunicativas, lidam melhor
com as regras do ambiente empresarial atual, acatam e fazem críticas com mais
facilidade que os homens. Elas são mais inteligentes que os homens em todos os
sentidos, incluindo a chamada inteligência emocional.
Mulher é muito melhor que homem, dizem estes, enquanto os
outros demonstram aversão a qualquer movimento da empresa para incluir mais
mulheres na fábrica. Entre os dois extremos, as mulheres apenas querem
oportunidades iguais, respeito, condição para se desenvolverem num trabalho
decente. Os homens também, mas a igualdade ainda está distante.
Fase de transição não
é nada fácil
É uma fase difícil para as empresas e seus trabalhadores
homens e mulheres. É fase de transição. As mulheres ficam divididas entre
aceitar o elogio de que são melhores e enfrentar a prática do machismo que as
desqualifica em tudo.
No número, a mulher sai perdendo porque estas grandes marcas
ainda apresentam uma demografia favorável aos homens na base ou em cargos de
liderança. No discurso, contudo, a mulher agora é elogiada e apresenta-se como
a solução para todos os males: produtividade, segurança, cuidados com o
ambiente de trabalho etc. Mudou o paradigma e os números, penso eu, tendem a
mudar numa velocidade que nenhuma empresa e seus sujeitos ainda estão preparados.
Empresas que gostam
de diversidade se saem melhor
As empresas com discurso de valorização da diversidade
oferecem um repertório melhor para as mulheres. Elas sabem que as ações de
valorização da mulher, incluindo ações afirmativas, são para garantir equidade,
uma demografia equilibrada, meios para alcançar o equilíbrio na demografia
interna e não privilégios porque agora a moda é apostar na mulher.
Estas empresas estão dizendo que gostam é de diversidade,
não de mulheres, com as ações para promover e empoderar a mulher baseadas em princípios
universais de direitos humanos, aspectos éticos, argumentos econômicos e de
contribuição para o desenvolvimento sustentável.
Empresas que têm apreço pela diversidade, a promovem com um
conjunto amplo de ações que também consideram e buscam impacto na cultura
organizacional e, evidentemente, na cultura local onde estão imersas. Não
reduzem a promoção da equidade de gênero a cotas porque sabem que isso é meio e
não fim para se conseguir uma organização que seja tão masculina quanto
feminina, que gosta de diversidade e a valoriza na maneira de ser e de agir, de
tomar decisões e de se expressar no mundo.
Ainda parece tão difícil, mas a diversidade tem se mostrado
o melhor caminho para superar essa fase e chegarmos logo num novo patamar.
Enquanto isso, na sala dos presidentes, o mais ouvido e respeitado é o moço sem músculos com o argumento de que a força é a competência mais exigida na
fábrica.
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