Este é um blog sobre valorização da diversidade que também reúne artigos, notícias, comentários e informações variadas sobre o tema e suas interfaces com sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Estou também reunindo aqui (quase) tudo que sai publicado com minha participação, como artigos, entrevistas, livros, notícias, facilitando que sejam encontrados em um só lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli
terça-feira, 20 de julho de 2010
Homenagem aos filhos
Reinaldo Bulgarelli, 19 de julho de 2010.
Nossas mães dizem que não viram o tempo passando. Quando deram conta, já éramos adultos. Dizem isso quando alguém enxerido pergunta nossa idade. Sempre tem uma tia chata ou uma amiga vingativa por perto para cumprir o papel de trazer a mãe da gente para a realidade. Coisa mais sem graça. Para nossas mães, o tempo não passa. Somos eternas crianças e nos olham sempre desse lugar de mãe. É um lugar, não é um tempo.
Filhos são eternamente filhos. Elas se assustam com nossa velhice, nossos cabelos brancos, os óculos que chegam ao nosso rosto para não mais sair. Mas os espantos são pontuais. No dia a dia, somos filhos de pegar no colo ou pra nos mandar fazer coisas: vai buscar pão, liga pra sua tia, faça isso e faça aquilo. Nossos títulos de nada valem diante da mãe. Não adianta ser Presidente da República ou um avô já acostumado com o ofício. É filho, uma condição única que tem no colo materno um lugar também único.
Tem coisa melhor que ligar pra mãe como quem não quer nada só pra ouvi-la dar um “boa noite” ou falar aquelas coisas de sempre? O colo da mãe é um lugar visitado de muitas formas. Tem quem exagere e curte o colo literalmente, mas às vezes não é preciso tanto pra sentir aquele lugar único, aquela voz única, aquele jeito único de mãe.
Se elas se assustam com a nossa velhice, imagine os filhos! A gente até percebe a velhice deles chegando. Uma hora pode isso e aquilo. Outra hora já não pode mais. E nunca mais. Aquele doce preferido? Não pode mais. Fazer aquele passeio de sempre se torna mais difícil e o mundo vai ficando pequeno pras pernas que já nos levaram e nos apresentaram ao universo. Aquela história contada à exaustão sumiu da memória. Um probleminha aqui e outro acolá, mas é um susto quando desabam de vez.
De repente aquela velhice que parecia também eterna sofre um baque, tropeça em alguma coisa inesperada e lá se vai nossa mãe pra cama. Da cama para o hospital. No hospital, para diferentes lugares, incluindo salas de exames complicados, UTI, num dia fala e noutro dia já não nos reconhece mais.
Filhos é que têm uma surpresa horrível. Outro dia mesmo estava brigando com a mãe por uma coisa qualquer. Agora passa a noite num hospital e tem uma notícia pior que a outra a cada visita dos médicos. Melhor não vê-los. Melhor sumir ou voltar pra casa e ver se passa, se tudo volta ao normal. Não volta. Entre melhoras e pioras a gente luta, faz de tudo, se entrega, se revolta, sangra, acha forças, luta, desiste, volta e fica em lugares e situações nas quais jamais se imaginou estar. Liga o piloto automático, desliga, dorme e acorda na mesma conversa com o médico, um verdadeiro dr. Jeckyll e Mr. Hide, que queremos beijar na boca e matar a facadas, tudo junto e ao mesmo tempo.
Outro dia mesmo a gente se pegou pensando na morte da mãe, mas não era nada pra agora. A perda da mãe era um lugar, não um tempo. Agora, do lado de fora da UTI, vendo a mãe pela janela entubada, sedada, amarrada em fios e mais fios de aparelhos precisos, a gente fica atônito, tomado de uma surpresa que só o afeto explica. Outros nos olham sem entender nada sobre o nosso espanto. É o tempo chegando. E quem disse que relação de mãe e filho se subordina ao tempo?
Pra nos conformar, dizem coisas que fingimos aceitar só pra não contrariar os loucos e voltar logo a atenção à aparelhagem e seus ruídos lúcidos. Só fazem aumentar nosso espanto ao querer nos conformar. Caber na forma, conformar, como?! Era pra ser agora? Porque não avisaram? Ué, a mãe envelhecia diante da gente dando todos os sinais, mas quem disse que a gente queria ver. Os olhos dos filhos não veem o tempo, só o lugar. Falam tanto do olhar das mães que se esquecem de falar do olhar dos filhos.
Espanto mesmo, daqueles de tirar o fôlego, de deixar o coração suspenso, a respiração trancada no peito, é esse de filhos que acompanham a mãe despencando no poço da vida. Quando a gente se dá conta, está no hospital. Quando atenta, não sai mais do hospital. Quando acorda do pesadelo de noites em claro, providências das mais estafantes, se vê numa conversa com o médico sobre a falta de esperanças. Vem o choro, o susto, o medo, a dor, o cansaço, o alívio de não ver sofrer e o horror da despedida. O coração sangra como num parto.
Aquela ideia de ligar pra alguém único para ouvir a voz única, o colo único, se torna impossível, uma lembrança do que foi e nunca mais será. Na morte da mãe, tempo e lugar se encontram. É um abraço apertado, um parto às avessas, um gosto de saudade antes mesmo que a saudade transbordasse de amor por todos os dias sem mãe.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Argentina: um passo adiante do Brasil nos direitos LGBT
Toni Reis, presidente da ABGLT, enviou por email artigo para ser divulgando que trata da legislação aprovada na Argentina.
Aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina : um exemplo de cidadania plena
Toni Reis*
Depois de 14 horas de debate, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Argentina na madrugada do dia 15 de julho de 2010, com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções. Uma mudança tão pequena de redação, com tanto significado para a igualdade de direitos. A reforma substitui as palavras “homem e mulher” da versão atual da legislação por “cônjuges”, permitindo assim que casais do mesmo sexo também possam contrair o matrimônio.
Congratulações à querida aliada Cristina Kirchner e seu governo, à câmara dos deputados, ao senado, às pessoas militantes LGBT, e a todo o povo argentino. Esta aprovação é um gesto de civilidade.
A Argentina agora, sem dúvidas, torna-se um país com mais igualdade e inclusão. Todos e todas são vitoriosos pela decisão histórica. Afinal, universalizou-se este direito.
Vocês, hermanos e hermanas, devem se orgulhar do feito. Vocês são o primeiro país a reconhecer a igualdade dos direitos humanos de pessoas LGBT em nossa região, onde existe ainda muito machismo e homofobia. E são o décimo no mundo a avançar nessa garantia. Agora vocês estão ao lado da África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça. Orgulhem-se!
Foi o maior debate na sociedade argentina desde a aprovação da lei do divórcio em 1987.
Do lado dos argumentos contra – muitos deles irracionais, ilógicos, retrógrados, conservadores e fundamentalistas – disseram que somos inférteis, filhos do diabo, desviados, antinaturais, pervertidos, abomináveis, projeto do demônio, que queríamos destruir a família tradicional, e implantar a filosofia de Sodoma e Gomorra; seria o apocalipse, um “risco para o futuro da pátria”, iríamos acabar com a perpetuação da espécie... Como bem resumiu a presidente Cristina Kirchner, "o discurso da igreja recorda os tempos da inquisição e das cruzadas".
Também, não vamos tripudiar os vencidos. Afinal, qual deles ainda ousam falar que a terra é quadrada ou que os negros não têm alma? Eles também vão mudar lentamente, daqui uns 500 anos talvez.
Venceu o discurso racional, lógico e sólido, a honestidade intelectual e liberdade de consciência, provando que esta lei é mais um instrumento de luta contra a discriminação. Venceu o estado laico e a secularidade do código civil.
Um fato importante é que apesar de ser uma iniciativa de duas parlamentares da esquerda, Silvia Augsburger e Vilma Ibarra, parlamentares de todas as matizes ideológicas e partidárias votaram e foram a favor do projeto.
Para ficar na história, seguem alguns dos argumentos a favor apresentados por parlamentares da situação e da oposição:
Ao apoiar a mudança, o líder do bloco da oposição radical, Gerardo Morales, afirmou que "chegou a hora de sancionar normas que se adaptem a novos modelos de vínculos familiares" e relembrou a existência de "modelos de famílias diferentes (aos) que tínhamos há 30 ou 40 anos". Segundo ele, apesar das polêmicas e disputas, "ganhou o debate cultural" no país, diante da participação da sociedade na discussão.
O senador socialista Rubén Giustiniani, que votou a favor da lei, disse que o perfil da sociedade argentina mudou e por isso era o momento da aprovação do texto. Segundo ele, dados oficiais indicam que 59% das famílias argentinas já não atendem ao perfil tradicional de pai, mãe e filhos. Mas de mães solteiras, casais separados e casais homossexuais.
"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez na Argentina se legisla para as minorias", afirmou o senador Miguel Pichetto, líder do bloco do governo, acrescentando que "aqui não haverá mais casamentos do mesmo sexo só porque aprovamos esta lei. O objetivo desta norma é eliminar a discriminação".
A senadora Victoria Blanca Osuna defendeu: "as questões que estão em jogo nesse projeto não são religiosas ou morais. Nós estamos perguntando a nós mesmos a responsabilidade da democracia com as minorias discriminadas".
Nas palavras do senador Eduardo Torres, "a única diferença entre gays e heterossexuais é que eles têm menos direitos na sociedade argentina. Nós não podemos aceitar a discriminação que ocorre em várias partes da sociedade.”
Já o senador Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico. O Estado argentino passou a reconhecer a mudança social, e a projetou juridicamente.”
A senadora Maria Eugenia Estenssoro, da opositora Coalición Cívica, argumentou que o projeto é "necessário" para os casais do mesmo sexo. "Esta lei permitirá que os homossexuais possam assumir publicamente suas relações."
Com certeza, a comunidade LGBT brasileira está com “uma certa inveja arco-íris”. Aqui estamos sendo menos ousados, estamos pedindo somente a união estável, e mesmo assim estamos tendo a maior dificuldade com fundamentalistas religiosos. Vamos analisar e discutir esta nova conjuntura.
Não vamos desistir. Vamos nos inspirar na Argentina. Vocês venceram uma etapa importantíssima, agora sejam felizes e continuem lutando para mudar a cultura. A mudança das leis não quer dizer a mudança de cultura.
Para quem não foi escravo, a libertação da escravatura foi um fato histórico relevante. Mas para quem era escravo, foi a melhor coisa que aconteceu. Da mesma forma para nós LGBT, a aprovação do Casamento Civil é a abolição de uma das tantas discriminações imposta à nossa comunidade.
No Brasil pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira são negados aos homossexuais. Para isto, há uma possibilidade que a união civil poderá chegar aqui também, a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que deve examinar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132-RJ e a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277, nas quais se argumenta que negar o direito de união às pessoas do mesmo sexo viola os princípios constitucionais de igualdade. Nisto, já temos apoio do Presidente Lula e da Advocacia Geral da União.
É um absurdo que a essa altura da história nossa sociedade ainda esteja discutindo se deve ou não universalizar os direitos. Mas, apesar do poder de grupos religiosos fundamentalistas contrários à mudança, mais cedo ou mais tarde, a lei será aprovada no Brasil também, garantindo dignidade e combatendo a discriminação.
Como o Presidente Lula falou na abertura da I Conferência Nacional LGBT, “Ninguém pergunta a orientação sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo?”
A querida aliada presidente Cristina Kirchner resumiu tudo, estamos felizes e satisfeitos com a vitória.
Esta vitória mudou o mapa da região, vejam em anexo. (ACIMA)
Amores iguais, direitos iguais, nem menos, nem mais. Que viva a cidadania plena, sem discriminação de qualquer natureza. Que viva a Argentina, e que continue dando exemplo para o mundo de como devem ser tratadas as pessoas LGBT.
* Toni Reis
- convive com seu marido há 20 anos
- especialista em sexualidade humana
- mestre em ética e sexualidade
- doutorando em educação
- presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
- diretor da Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina e no Caribe
quarta-feira, 7 de julho de 2010
VIDA SIMPLES - Viva a Diferença!
Pra quem não leu a Vida Simples que tratou de diversidade e tolerância, segue o link para a Revista.
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Enquanto nossa seleção perdia para a Holanda na Copa do Mundo 2010, a ONU criava uma nova estrutura para o empoderamento das mulheres.
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Princípios de Empoderamento das Mulheres UNIFEM e Global Compact
O UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e o Pacto Global lançaram em março uma iniciativa mundial visando a mobilização do mundo empresarial em torno dos direitos humanos das mulheres. Trata-se dos Princípios de Empoderamento das Mulheres.
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Morre brutalmente assassinado um adolescente de 14 anos por crime de ódio a homossexuais.
A valorização da diversidade nas empresas, numa sociedade tão dividida, produz impactos positivos não apenas na gestão dos negócios, mas em toda a comunidade. Gestores estão atentos ao fato de que há entre seus funcionários membros de gangues ou de grupos violentos contra negros, nordestinos, gays, prostitutas, entre outros?
O assassinato deste jovem de 14 anos faz pensar sobre ações no cotidiano da gestão empresarial que poderiam trabalhar melhor a qualidade das relações, princípios e valores da organização. É correto permitir que um funcionário expresse livremente seu ódio a homossexuais? Eu lido com isso com frequência e fico espantando com a conivência das empresas em relação a seus colaboradores racistas, machistas, homofóbicos...
Porque essa tolerância com discursos de ódio, que podem, afinal, expressar práticas de ódio dentro da própria empresa ou na comunidade? Essa tolerância não pode ter como desculpa o respeito à diversidade de pensamentos, já que há princípios organizacionais, em geral, muito claros, convivendo com princípios legais e uma normativa internacional de direitos humanos em relação aos quais as empresas assumem compromissos públicos para poder operar.
Políticas de valorização da diversidade ajudam, mas gestores têm uma responsabilidade importante ao identificar dificuldades de seus subordinados neste tema. Práticas de formação, discussões aprofundadas sobre o valor da diversidade e os riscos de práticas de discriminação negativa, favorecem a ampliação da consciência, mas também deixam evidentes os limites colocados pela empresa, o que é aceitável e o que é inaceitável.
Há empresas que dizem que esse tipo de violência sofrida pelo jovem de apenas 14 anos é mais um dos problemas que a sociedade deve resolver. Sociedade? E a organização não faz parte dela? Há outras que afirmam, por meio de seus líderes, que trata-se de uma questão cultural, como se nada pudesse ser feito para transformá-la numa cultura de apreço, valorização e promoção da diversidade. Pequenos gestos podem produzir efeitos muito positivos na cultura interna e na cultura da sociedade.
O mesmo colaborador que expressa ódio aos homossexuais pode ser aquele que coloca a empresa em risco em relação a práticas anti-éticas, corruptas, de boicote à qualidade das relações com clientes, fornecedores, comunidades, imprensa, sindicatos, acionistas e governos, entre outros stakeholders.
Os assassinos de adolescentes homossexuais podem estar trabalhando dentro de sua imensa e poderosa organização, com um marca internacionalmente conhecida. Que direito os gestores omissos têm de colocar o trabalho sério de tanta gente em situação de risco? Que direito têm de se calar e nada fazerem quando alguém demonstra que seu ódio no discurso pode expressar crimes de ódio na comunidade? Onde quer que você esteja, seja qual for sua atividade e ou nível de poder, aja, faça algo para ajudar o mundo a ser mais inclusivo, respeitoso e promotor da pluralidade.
Direitos Fundamentais LGBT: Morre brutalmente assassinado uma criança de 14 anos de idade, motivado pelo ÓDIO aos HOMOSSEXUAIS!
domingo, 20 de junho de 2010
Folha de S.Paulo - A ditadura do crime de ódio
O deputado Carlos Giannazi, do PSOL, respondeu hoje na Folha ao artigo publicado pelo vereador Carlos Apolinário no mesmo jornal. Aos que ainda tentam disfarçar atentados aos direitos humanos com argumentos "democráticos", Giannazi responde de maneira muito didática e com foco na valorização da diversidade.
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
O site JusBrasil é um portal de notícias da justiça brasileira e muito acessado por aqueles que trabalham na área do direito. Ele trouxe a notícia abaixo, que foi também publicada no Portal do Geledés, boletim de 20 de junho de 2010.
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Machismo mata!
O Portal do Geledés escolheu a foto deste homem sarado para falar sobre como os homens vivem menos porque cuidam pouco da saúde.
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
sábado, 19 de junho de 2010
Palas Athena
Dia 15 de julho estou no Palas Athena conversando sobre diversidade. Segue link para a programa completa e a proposta da minha apresentação.
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Diversidade humana e biodiversidade - Revista Página 22
A Revista Página 22 de junho traz um artigo muito interessante e demonstra o esforço da revista por trazer às discussões e práticas de desenvolvimento sustentável a dimensão humana. Tarefa difícil porque parece que estamos falando apenas de meio ambiente. Uma confusão terrível para o desenvolvimento sustentável porque separa o que está unido no mesmo planetinha azul chamado Terra.
Vejam trechos do artigos: "Assim como as espécies, variantes culturais desaparecem da face da Terra num ritmo acelerado e irreversível. As línguas, expressão máxima do conhecimento e dos valores de uma determinada cultura, extinguem-se na velocidade de uma a cada duas semanas, segundo o projeto Enduring Voices, da revista National Geographic. A projeção é de que, até o final do século, metade das 7 mil línguas faladas hoje terá desaparecido (leia mais em “Letra Morta”, texto da coluna de Regina Scharf, à edição 39).
Dá até para especular que o declínio dos recursos naturais tenha algo a ver com isso. Um relatório produzido pela Unesco, em 2002, aponta que os ambientes mais biodiversos do mundo têm também a maior diversidade linguística. Simples assim: quanto mais elementos disponíveis no ambiente, mais os humanos geram palavras para denominá-los. Isso não se restringe às populações tradicionais. Basta lembrar-se do repertório da gastronomia, ou mesmo dos fitoterápicos, comum a todos nós: dendê, tucupi, pequi, camomila, boldo, erva-cidreira… Por aí vai a alquimia de ingredientes que compõem a diversidade biológica e cultural brasileira.
(...)“A preservação e o uso duráveis da diversidade biológica reforçarão as relações amigáveis entre os Estados e contribuirão com a paz da humanidade” – Convenção sobre a Diversidade Biológica, 1992, assinada por 156 países
“O respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e entendimento mútuos, está entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais” – Convenção sobre a Diversidade Cultural, 2005, assinada por 148 países"
Artigo e revista inteira no link: Espelho meu « Página 22
terça-feira, 15 de junho de 2010
MEU AMIGO CLAUDIA
Assisti este fim de semana o DVD que Claudia Wonder me deixou na sexta-feira. "Meu Amigo Claudia" é um documentário sobre a Claudia e também sobre o nosso país.
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
quarta-feira, 9 de junho de 2010
17 de Maio - Dia Nacional de Combate à Homofobia - PL 7052/06
Presidente Lula decreta dia 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia. O ato ocorreu na véspera da 14a. Parada LGBT de São Paulo, de acordo com a ABGLT.
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Atores e executivos homossexuais: sair ou não do armário?
A Parado do Orgulho LGBT 2010 será neste domingo e o assunto do momento é este mesmo: orgulho LGBT.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Câmara de Comércio GLS
A Câmara de Comércio GLS do Brasil está funcionando a pleno vapor.
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Entrevista para Revista Vivendo - Sustentabilidade: aspectos sociais
A revista Vivendo, da UNIMED de Amparo, está com matérias sobre sustentabilidade com base nos pilares econômico, ambiental e social.
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
O Instituto Ethos publicou hoje meu artigo "O importante é a diversidade de ideis?", publicado originalmente no Portal do Geledés.
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
Segue link para site do Ethos com boletim e o artigo.
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
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domingo, 30 de maio de 2010
I Festival Gastronômico GLS - participe e divulgue!
A Txai é parceira desta iniciativa da Câmara de Comércio GLS do Brasil, que promete agitar São Paulo. Vejam a divulgação realizada pela Câmara:
"Não é bom poder sair com os amigos, namorados e namoradas e saber que vai gastar pouco, se divertir e ser bem atendido?
É exatamente essa a proposta que a Câmara de Comércio GLS do Brasil trás para São Paulo! Entre os dias 2 e 13 de junho de 2010 acontecerá o 1ª Festival Gastronômico GLS da cidade, onde você poderá desfrutar momentos super agradáveis, com pratos e drinks elaborados para você.
Todas as casas participantes do festival selecionaram um prato e/ou um drink, que custarão o valor fixo de R$ 24,00 e 9,90 respectivamente. Consulte os restaurante e bares participantes e aproveite o melhor da gastronomia da Cidade de São Paulo.
O 1ª Festival Gastronômico vem com o objetivo de fortalecer, desenvolver e aprimorar o comércio, o serviço e principalmente o atendimento prestado ao segmento GLS, mostrando que esse exigente público prima além de um bom serviço, um atendimento impecável, sem qualquer diferenciação.
Este festival conta com o apoio da Associação Brasileira de Turismo para Gay, Lésbicas e Simpatizantes – ABRAT GLS, Casarão Brasil – CABAG, Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual – CADS, Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Turismo e Gastronomia de São Paulo – HOTEC, São Paulo Turismo – SPTURIS, Txai Consultoria, Convention & Visitorsbureau. Maiores informações consulte www.camaragls.com.br" - Câmara de Comércio GLS
"Não é bom poder sair com os amigos, namorados e namoradas e saber que vai gastar pouco, se divertir e ser bem atendido?
É exatamente essa a proposta que a Câmara de Comércio GLS do Brasil trás para São Paulo! Entre os dias 2 e 13 de junho de 2010 acontecerá o 1ª Festival Gastronômico GLS da cidade, onde você poderá desfrutar momentos super agradáveis, com pratos e drinks elaborados para você.
Todas as casas participantes do festival selecionaram um prato e/ou um drink, que custarão o valor fixo de R$ 24,00 e 9,90 respectivamente. Consulte os restaurante e bares participantes e aproveite o melhor da gastronomia da Cidade de São Paulo.
O 1ª Festival Gastronômico vem com o objetivo de fortalecer, desenvolver e aprimorar o comércio, o serviço e principalmente o atendimento prestado ao segmento GLS, mostrando que esse exigente público prima além de um bom serviço, um atendimento impecável, sem qualquer diferenciação.
Este festival conta com o apoio da Associação Brasileira de Turismo para Gay, Lésbicas e Simpatizantes – ABRAT GLS, Casarão Brasil – CABAG, Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual – CADS, Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Turismo e Gastronomia de São Paulo – HOTEC, São Paulo Turismo – SPTURIS, Txai Consultoria, Convention & Visitorsbureau. Maiores informações consulte www.camaragls.com.br" - Câmara de Comércio GLS
Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Quando escrevi o artigo "Cafona é ser Racista" no Portal do Geledés, estava indignado com algumas falas dos profissionais da moda brasileira.
Eles diziam que não havia modelos negros para se justificar frente à demanda do momvimento negro e das medidas do Ministério Público.
Walter Rodrigues caprichou, colocou foco na África e trouxe modelos negras para a passarela.
Continuo afirmando que cafona não é a discussão sobre o racismo, mas é ser racista.
Walter, parabéns pelo desfile e pela visibilidade que deu às modelos negras brasileiras. Será que foi tão difícil assim conseguir essas profissionais fantásticas?
Veja a cobertura e o vídeo no Portal do Geledés - Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Eles diziam que não havia modelos negros para se justificar frente à demanda do momvimento negro e das medidas do Ministério Público.
Walter Rodrigues caprichou, colocou foco na África e trouxe modelos negras para a passarela.
Continuo afirmando que cafona não é a discussão sobre o racismo, mas é ser racista.
Walter, parabéns pelo desfile e pela visibilidade que deu às modelos negras brasileiras. Será que foi tão difícil assim conseguir essas profissionais fantásticas?
Veja a cobertura e o vídeo no Portal do Geledés - Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Seminário "Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes"
Conheça o blog e divulgue o seminário “Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes". O evento será realizado dias 23 e 24 de junho próximo, no auditório do Instituto APAE de São Paulo, à Rua Loefgren, 2109, no bairro de Vila Clementino, na cidade de São Paulo (SP).
O objetivo do evento é dar voz a diferentes atores e segmentos sociais que trabalham com temas ligados ao HIV/aids e deficiência, visando relatar iniciativas e projetos de prevenção e tratamento e também estimular reflexões, dando visibilidade a temas ainda cercados por preconceitos e tabus.
Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes
O objetivo do evento é dar voz a diferentes atores e segmentos sociais que trabalham com temas ligados ao HIV/aids e deficiência, visando relatar iniciativas e projetos de prevenção e tratamento e também estimular reflexões, dando visibilidade a temas ainda cercados por preconceitos e tabus.
Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes
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