O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu nesta quarta-feira (28), em Brasília (DF), o secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica (IGLCC), Pascal Lépine (foto). O executivo viaja pela América do Sul para estudar a viabilidade de implantação de uma filial na região. A entidade, sediada no Canadá, defende o comércio da comunidade LGBT e no desenvolvimento sócio-econômico da comunidade em todo o mundo.
Após se encontrar com o presidente Lula, o secretário-geral da IGLCC foi recebido em audiência pelo ministro em exercício da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Rogério Sottili. “Estamos muito felizes em recebê-lo e agradecemos pelo trabalho realizado pela Câmara”, disse.
Em seguida, Lépine foi recebido em audiência pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que ressaltou os avanços do Brasil na área LGBT e se colocou à disposição para ajudar IGLCC no que for preciso.
Entre as atividades da IGLCC está a divulgação de um índice que mede o desempenho das empresas multinacionais em relação à diversidade e inclusão nos países onde eles têm escritórios, especificamente em relação às comunidades de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT). Ele serve como um indicador da direção tomada pela diversidade nas corporações globais e nas comunidades locais em que eles servem. Este ano, as cinco principais empresas mais LGBT-friendly (amigável) do mundo são: IBM, Google, BT Group, Morgan Stanley e Cisco Systems.
Histórico – Rogério Sottili recebeu no ano passado, em nome do presidente Lula, em Copenhagen, na Dinamarca, o prêmio anual Liderança Internacional, da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, conferido à pessoas e entidades que apóiam a comunidade LGBT.
A escolha do presidente brasileiro para ser agraciado em 2009 foi unânime, e salientou-se o fato de Lula ter se pronunciado abertamente a favor dos direitos de todos os brasileiros, incluindo os integrantes da comunidade LGBT. Pascal Lépine, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, diz na carta em que comunica a concessão de prêmio ao presidente, que a “criação da 1ª Conferência Nacional LGBT Brasileira segue como exemplo de exemplo de sua liderança não somente na América Latina, mas globalmente.
Brasil Sem Homofobia - Na audiência na SDH, a subsecretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SDH, Lena Peres, fez uma apresentação das políticas públicas do governo brasileiro para o seguimento LGBT. “No início as políticas são desenvolvidas na área da Saúde. Em 2002, pela primeira vez aparece em Direitos Humanos. Dois anos depois essa agenda é colocada com mais força com o projeto Brasil sem Homofobia e os centros de referência”, explica Lena. A subsecretária também falou sobre a Conferência Nacional LGBT, o Plano de Ação Pactuado por todos os ministérios e o trabalho desenvolvido para a implantação do Disque-LGBT, que deverá receber, encaminhar e monitorar denúncias de violações de direitos desse segmento da população.
O secretário-geral da IGLCC, Pascal Lépine, parabenizou o governo brasileiro pelas iniciativas para o segmento e falou sobre a realização promovida por sua entidade de um ranking das empresas mais amigáveis com a população LGBT. A última edição contou com a participação de 25 empresas em todo o mundo, que juntas movimentam aproximadamente R$ 6 trilhões anuais. A única representante latinoamericana foi a LAN. “Espero que as empresas brasileiras possam participar daqui pra frente”, convidou Lépine.
A coordenadora- geral de Promoção da Cidadania LGBT, Mitchelle Meira, destacou o avanço do Poder Judiciário e os atos do Executivo, como o decreto presidencial que institui o 17 de Maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia.
O coordenador- geral do Conselho Contra a Discriminação, Jeter Souza, falou sobre o compromisso e as garantias das empresas públicas com a diversidade sexual. “Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil são bons exemplos”, avalia. Souza ainda ressaltou que em 2009 todos os bancos passaram a reconhecer os direitos LGBT, o que surpreendeu positivamente o secretário-geral da IGLCC. “Nunca vi isso em outro lugar do mundo. É muito bom porque de modo geral as empresas se espelham muito para os bancos para a formulação de políticas”, disse Lépine. Ele disse que a Câmara pretende instalar duas filiais nos próximos anos. “Uma na Europa e outra na América Latina. E eu adoraria que esta fosse no Brasil”, concluiu.
Fonte: Secretaria de Direitos Humanos
Este é um blog sobre valorização da diversidade que também reúne artigos, notícias, comentários e informações variadas sobre o tema e suas interfaces com sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Estou também reunindo aqui (quase) tudo que sai publicado com minha participação, como artigos, entrevistas, livros, notícias, facilitando que sejam encontrados em um só lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli
domingo, 5 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Dorina Nowill, uma parceira da diversidade
Um blog sobre diversidade não pode deixar de prestar aqui sua homenagem a Dorina Nowill. Já falei sobre ela em outros momentos, mas hoje é para lamentar seu falecimento.
Tive a oportunidade de coordenar uma mesa num evento na Vivo e fazer as devidas homenagens a ela, que estava humildemente na platéia acompanhando tudo com atenção.
Se já temos contribuições melhores do que a dela à causa, como alguns apontam, sua Fundação está aí para continuar seguindo a lição de inovação, ousadia e visão de futuro que dona Dorina Nowill nos deixou.
Ela certamente merece estar entre os heróis da pátria por tudo que fez, não apenas pela pessoa com deficiência visual, mas pela sociedade brasileira. Todos ganhamos.
Segue o link para o blog de Joana Belarmino. O noticiário tem muitas informações sobre Dorina, mas Joana fez uma mensagem muito terna que vale a pena conhecer. Obrigado Dorina Nowill! Barrados no Braille - UOL Blog
Tive a oportunidade de coordenar uma mesa num evento na Vivo e fazer as devidas homenagens a ela, que estava humildemente na platéia acompanhando tudo com atenção.
Se já temos contribuições melhores do que a dela à causa, como alguns apontam, sua Fundação está aí para continuar seguindo a lição de inovação, ousadia e visão de futuro que dona Dorina Nowill nos deixou.
Ela certamente merece estar entre os heróis da pátria por tudo que fez, não apenas pela pessoa com deficiência visual, mas pela sociedade brasileira. Todos ganhamos.
Segue o link para o blog de Joana Belarmino. O noticiário tem muitas informações sobre Dorina, mas Joana fez uma mensagem muito terna que vale a pena conhecer. Obrigado Dorina Nowill! Barrados no Braille - UOL Blog
domingo, 29 de agosto de 2010
Revista Têtu - Discriminação salarial e homossexualidade
Foi enviada por Beto de Jesus a matéria traduzida da Revista Têtu:
Discriminação salarial: Homoboulot reclama uma implicação de Estado http://www.tetu.com/actualites/france/discrimination-salariale-homoboulot-reclame-une-implication-de-letat-17769
Par Paul Parant jeudi 26 août 2010, à 11h21
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Plus de: travail, discrimination, Homoboulot
«Os homos são sempre menos iguais que os outros!» denuncia a federação das associações LGBTs de grandes empresas, que nota que os homos são antes de tudo discriminados na evolução de suas carreiras profissionais.
O assunto já fez correr muita tinta. Nós sabemos, segundo um estudo recentemente publicado pela Universidade de Evry (ler nosso artigo), que aos gays no trabalho caberia salários inferiores de 6,5% em relação aos seus colegas heteros (5,5% de menos no público). Quanto às lésbicas, a elas caberiam em média 2% a mais do que as outras mulheres, mas suas remunerações são ainda bem longe daquelas dos homens. O coletivo Homoboulot* se alarma com esses resultados, em um comunicado que ele acaba de publicar.
Homoboulot coloca antes de tudo um aspecto importante da pesquisa: mais ainda do que o salário, «é a carreira que é impactada pela discriminação aos homos, pois que o diferencial de salário aparece e se reforça além dos 45 anos, quando a revelação de sua homossexualidade não há mais como não fazer». Maneira de dizer que mais do que se opor ao aumento de um gay, as direções de empresas colocam logo um freio a sua promoção interna.
Telhado de vidro
«As lésbicas e os gays não estão ainda reivindicando um salário igual, mas reclamam sempre o respeito e a igualdade de tratamento», nota Philippe Chauliaguet, o porta-voz do Homoboulot. «Dois homos em três não podem responder francamente quando seus colegas lhes perguntam se eles são casados, e muitos não ousam declarar a assinatura de um pacs ao seus serviços de recursos humanos de medo que «isso se saiba». Entretanto, a vinda à luz de uma diferença de salário entre os gays e seus colegas heterossexuais - homens, não faz mais do que ilustrar o «telhado de vidro» que toca aos gays da mesma maneira que às mulheres, e isso nós o explicamos desde há muitos anos.
Enquanto uma pesquisa de Christophe Falcoz para a Halde (ler uma síntese em PDF) demonstrava desde 2008 a autocensura de 66% dos homossexuais no trabalho, «é uma constatação de fato muito demonstrativa para aqueles que aspiram a essa liberdade de poder viver abertamente» conclui Homoboulot, em se inquietando pelos assalariados que não ainda fizeram seus coming out. O coletivo reclama enfim «uma verdadeira implicação do Estado e dos atores profissionais na diversidade», e avança algumas soluções: favorecer as ações contra todas as discriminações e preconceitos, integrar a luta contra as «LGBTfobias» na formação dos assalariados e melhor comunicar sobre os benefícios da igualdade.
Foto: Fotolia/DR. * Homoboulot agrupa as associações LGBTs Algo (ministério dos Negócios estrangeiros e europeus), Comin-G (ministérios econômicos e financeiros), Gare! (SNCF), Homobus (RATP), Homosfère (SFR), Mobilsnoo (France Telecom-Orange). Encontre no número de setembro de TÊTU, um dossiê de TÊTU NEWS: Que fazer no trabalho: armário ou coming out?
Discriminação salarial: Homoboulot reclama uma implicação de Estado http://www.tetu.com/actualites/france/discrimination-salariale-homoboulot-reclame-une-implication-de-letat-177691130 vues
Plus de: travail, discrimination, Homoboulot
«Os homos são sempre menos iguais que os outros!» denuncia a federação das associações LGBTs de grandes empresas, que nota que os homos são antes de tudo discriminados na evolução de suas carreiras profissionais.
O assunto já fez correr muita tinta. Nós sabemos, segundo um estudo recentemente publicado pela Universidade de Evry (ler nosso artigo), que aos gays no trabalho caberia salários inferiores de 6,5% em relação aos seus colegas heteros (5,5% de menos no público). Quanto às lésbicas, a elas caberiam em média 2% a mais do que as outras mulheres, mas suas remunerações são ainda bem longe daquelas dos homens. O coletivo Homoboulot* se alarma com esses resultados, em um comunicado que ele acaba de publicar.
Homoboulot coloca antes de tudo um aspecto importante da pesquisa: mais ainda do que o salário, «é a carreira que é impactada pela discriminação aos homos, pois que o diferencial de salário aparece e se reforça além dos 45 anos, quando a revelação de sua homossexualidade não há mais como não fazer». Maneira de dizer que mais do que se opor ao aumento de um gay, as direções de empresas colocam logo um freio a sua promoção interna.
Telhado de vidro
«As lésbicas e os gays não estão ainda reivindicando um salário igual, mas reclamam sempre o respeito e a igualdade de tratamento», nota Philippe Chauliaguet, o porta-voz do Homoboulot. «Dois homos em três não podem responder francamente quando seus colegas lhes perguntam se eles são casados, e muitos não ousam declarar a assinatura de um pacs ao seus serviços de recursos humanos de medo que «isso se saiba». Entretanto, a vinda à luz de uma diferença de salário entre os gays e seus colegas heterossexuais - homens, não faz mais do que ilustrar o «telhado de vidro» que toca aos gays da mesma maneira que às mulheres, e isso nós o explicamos desde há muitos anos.
Enquanto uma pesquisa de Christophe Falcoz para a Halde (ler uma síntese em PDF) demonstrava desde 2008 a autocensura de 66% dos homossexuais no trabalho, «é uma constatação de fato muito demonstrativa para aqueles que aspiram a essa liberdade de poder viver abertamente» conclui Homoboulot, em se inquietando pelos assalariados que não ainda fizeram seus coming out. O coletivo reclama enfim «uma verdadeira implicação do Estado e dos atores profissionais na diversidade», e avança algumas soluções: favorecer as ações contra todas as discriminações e preconceitos, integrar a luta contra as «LGBTfobias» na formação dos assalariados e melhor comunicar sobre os benefícios da igualdade.
Foto: Fotolia/DR. * Homoboulot agrupa as associações LGBTs Algo (ministério dos Negócios estrangeiros e europeus), Comin-G (ministérios econômicos e financeiros), Gare! (SNCF), Homobus (RATP), Homosfère (SFR), Mobilsnoo (France Telecom-Orange). Encontre no número de setembro de TÊTU, um dossiê de TÊTU NEWS: Que fazer no trabalho: armário ou coming out?
domingo, 15 de agosto de 2010
Valor Econômico, 06 de agosto de 2010: Faltam gestores para o Terceiro Setor
Interjornal reproduziu matéria que saiu no Valor Econômico de 06 de agosto de 2010 sobre profissionais para o terceiro setor. Dei a entrevista ao jornal Valor falando do curso que coordeno na FGV - Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Leia a matéria:
Faltam gestores para atuar em empresas do terceiro setor
São poucos os candidatos preparados para assumir os cargos de liderança
Jacílio Saraiva
Organizações não governamentais, fundações e institutos ligados à grandes empresas estão procurando gestores que mostrem resultados tão efetivos no dia a dia quanto os executivos da iniciativa privada. A prioridade, além de abraçar a causa social, é que o profissional saiba captar e gerir recursos para projetos educacionais, ambientais, esportivos e ligados à arte e cultura. Na disputa por um cargo, ganha a vaga quem mostrar familiaridade com a missão do grupo e habilidade para trabalhar em equipe. Instituições como a Fundação Gol de Letra, SOS Mata Atlântica e Itaú Social dão prioridade a candidatos com currículos multidisciplinares, com formação em administração, psicologia, pedagogia, engenharia, direito, assistência social ou educação física.
Segundo Marcos Kisil, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), mudanças importantes estão ocorrendo no segmento atualmente - como o crescimento do mercado de trabalho e mais opções de qualificação. "Hoje, o número de pessoas ocupadas em atividades ligadas ao terceiro setor é de três milhões de profissionais." Em 1995, esse contingente reunia 1,5 milhão de empregados, segundo pesquisa realizada pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e o Instituto Superior de Ensinos Religiosos (Iser). Para os especialistas, as organizações do terceiro setor no Brasil começaram se profissionalizar a partir do final da década de 1980, copiando modelos internacionais. De acordo com o censo sobre investimento social privado no Brasil feito pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), a previsão em 2010 é que o setor invista mais de R$ 2 bilhões no país, um crescimento de 6,2% sobre 2009.
O levantamento, realizado em parceria com o Ibope Inteligência-Instituto Paulo Montenegro e Itaú Cultural, indica que a educação permanece como o maior destino dos recursos - antes de cultura e arte, formação para o trabalho, esportes e comunicação. Os associados do Gife, que reúne entidades que respondem por cerca de 20% do total investido na área social pelo setor privado, têm projetos em todo o país, mas a distribuição do trabalho está mais concentrada no Sudeste e no Sul.
"Outro ponto a destacar é o crescimento da quantidade de cursos voltados para a capacitação e especialização de profissionais da área", afirma Kisil, do Idis. Para ele, mesmo com mais opções de qualificação, há um número limitado de candidatos preparados para assumir posições de liderança. "Ainda estamos vivendo o domínio de uma geração pioneira nesses cargos. O crescimento do mercado, porém, acelera a promoção de pessoas mais jovens."
Na Fundação Roberto Marinho, com 300 funcionários, a meta é contratar de 5% a 10% do efetivo atual, até 2012. "A maior parte das vagas é para candidatos com formação superior e experiência ou certificação em project management", ressalta Nelson Savioli, superintendente executivo da fundação criada há 33 anos, com projetos de educação, cultura, televisão educativa, meio ambiente e patrimônio. Savioli trabalha na Fundação Roberto Marinho desde 2001. Antes, foi diretor de recursos humanos da Unilever Brasil. Bacharel em direito, fez cursos de aperfeiçoamento no país e no exterior. Para ele, o trabalho na área está mais difundido e compete, de igual para igual, com o de profissionais de empresas privadas.
"As organizações tiveram de se profissionalizar para atrair e manter talentos que pudessem gerir bem os recursos que lhe são atribuídos. Já há corporações no Brasil que contratam empregados de institutos que se destacam em projetos sociais", afirma. "Na Fundação Roberto Marinho, um gerente lotado no Rio de Janeiro foi 'tirado' por uma companhia paulista que lhe ofereceu um cargo de diretor."
Para Sóstenes Brasileiro, diretor da Gol de Letra, os profissionais que se dão bem no segmento têm como marca principal a competência na área de formação. "É preciso ter uma boa dose de identificação com a causa social e gosto por trabalhar com comunidades populares." Com dez anos de atividades, a Gol de Letra atua em São Paulo e no Rio de Janeiro e foi criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo. Desenvolve programas de educação integral para cerca de 1,2 mil crianças e adolescentes.
Segundo o executivo, é cada vez mais comum aparecerem nos processos seletivos - principalmente para postos qualificados - profissionais com especialização em gestão no terceiro setor, empreendedorismo e responsabilidade social. Com 50 funcionários, a Gol de Letra está à procura de um educador social com formação superior na área de humanas. "O candidato precisa ter liderança, habilidade na mediação de conflitos e na articulação com os jovens."
A diretora de gestão do conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, acaba de concluir um processo de seleção para uma vaga de coordenador de projetos. "A contratação depende do estabelecimento de parcerias e patrocínios para a realização dos trabalhos. Pode ser feita internamente, via site da fundação ou em portais de empregos."
Criada em 1986, a SOS Mata Atlântica promove a conservação da diversidade biológica e cultural do bioma e de outros ecossistemas. Tem 53 funcionários entre biólogos, engenheiros florestais, geógrafos, jornalistas, relações públicas, administradores, contadores, analistas de sistemas e bibliotecários. "O profissional precisa ter dinamismo, proximidade com a causa da organização e saber trabalhar em equipe."
Para Valéria Riccomini, diretora da Fundação Itaú Social, criada em 2000 para disseminar novas metodologias para políticas públicas educacionais, o gestor deve conseguir mobilizar pessoas e garantir os resultados do investimento social. "No caso de profissionais seniores, a experiência anterior é importante." A equipe da Fundação Itaú Social, com 18 pessoas, é formada por funcionários do banco. Recentemente, o quadro ganhou o reforço de cinco especialistas em comunicação, orçamento e projetos sociais. Quando a Fundação Itaú Social precisa preencher uma vaga, a primeira opção é realizar seleções no próprio banco. "Em segundo lugar, recorremos às redes de relacionamento e indicações de parceiros. Também podemos chamar uma empresa de recrutamento para ajudar na escolha."
Para Reinaldo Bulgarelli, coordenador da área de sustentabilidade, meio ambiente e terceiro setor do Programa de Educação Continuada (PEC) da Fundação Getúlio Vargas, saem na frente dessa corrida candidatos engajados com a causa social, bom entendimento da realidade social brasileira e internacional, postura empreendedora e conhecimentos gerenciais. "O trabalho envolve gestão de pessoas, de projetos, recursos e meios de captação", afirma.
Foram essas características que ajudaram a advogada Geórgia Pessoa a ocupar a gerência de programas para a Amazônia na Fundação Gordon e Betty Moore, em São Francisco, nos Estados Unidos. Especializada em gestão ambiental com MBA em direito da economia e da empresa, Geórgia foi coordenadora jurídica do WWF em Brasília, antes de assumir o cargo em 2007. "Hoje, preciso desenvolver e implementar estratégias para o programa por meio de doações para outras organizações conservacionistas nos países da bacia amazônica." Para a especialista, a formação acadêmica é importante mas, como o como o segmento ainda é novo, muitas das lições acabam sendo aprendidas na prática, junto ao setor privado ou ao governo.
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Faltam gestores para atuar em empresas do terceiro setor
São poucos os candidatos preparados para assumir os cargos de liderança
Jacílio Saraiva
Organizações não governamentais, fundações e institutos ligados à grandes empresas estão procurando gestores que mostrem resultados tão efetivos no dia a dia quanto os executivos da iniciativa privada. A prioridade, além de abraçar a causa social, é que o profissional saiba captar e gerir recursos para projetos educacionais, ambientais, esportivos e ligados à arte e cultura. Na disputa por um cargo, ganha a vaga quem mostrar familiaridade com a missão do grupo e habilidade para trabalhar em equipe. Instituições como a Fundação Gol de Letra, SOS Mata Atlântica e Itaú Social dão prioridade a candidatos com currículos multidisciplinares, com formação em administração, psicologia, pedagogia, engenharia, direito, assistência social ou educação física.
Segundo Marcos Kisil, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), mudanças importantes estão ocorrendo no segmento atualmente - como o crescimento do mercado de trabalho e mais opções de qualificação. "Hoje, o número de pessoas ocupadas em atividades ligadas ao terceiro setor é de três milhões de profissionais." Em 1995, esse contingente reunia 1,5 milhão de empregados, segundo pesquisa realizada pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e o Instituto Superior de Ensinos Religiosos (Iser). Para os especialistas, as organizações do terceiro setor no Brasil começaram se profissionalizar a partir do final da década de 1980, copiando modelos internacionais. De acordo com o censo sobre investimento social privado no Brasil feito pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), a previsão em 2010 é que o setor invista mais de R$ 2 bilhões no país, um crescimento de 6,2% sobre 2009.
O levantamento, realizado em parceria com o Ibope Inteligência-Instituto Paulo Montenegro e Itaú Cultural, indica que a educação permanece como o maior destino dos recursos - antes de cultura e arte, formação para o trabalho, esportes e comunicação. Os associados do Gife, que reúne entidades que respondem por cerca de 20% do total investido na área social pelo setor privado, têm projetos em todo o país, mas a distribuição do trabalho está mais concentrada no Sudeste e no Sul.
"Outro ponto a destacar é o crescimento da quantidade de cursos voltados para a capacitação e especialização de profissionais da área", afirma Kisil, do Idis. Para ele, mesmo com mais opções de qualificação, há um número limitado de candidatos preparados para assumir posições de liderança. "Ainda estamos vivendo o domínio de uma geração pioneira nesses cargos. O crescimento do mercado, porém, acelera a promoção de pessoas mais jovens."
Na Fundação Roberto Marinho, com 300 funcionários, a meta é contratar de 5% a 10% do efetivo atual, até 2012. "A maior parte das vagas é para candidatos com formação superior e experiência ou certificação em project management", ressalta Nelson Savioli, superintendente executivo da fundação criada há 33 anos, com projetos de educação, cultura, televisão educativa, meio ambiente e patrimônio. Savioli trabalha na Fundação Roberto Marinho desde 2001. Antes, foi diretor de recursos humanos da Unilever Brasil. Bacharel em direito, fez cursos de aperfeiçoamento no país e no exterior. Para ele, o trabalho na área está mais difundido e compete, de igual para igual, com o de profissionais de empresas privadas.
"As organizações tiveram de se profissionalizar para atrair e manter talentos que pudessem gerir bem os recursos que lhe são atribuídos. Já há corporações no Brasil que contratam empregados de institutos que se destacam em projetos sociais", afirma. "Na Fundação Roberto Marinho, um gerente lotado no Rio de Janeiro foi 'tirado' por uma companhia paulista que lhe ofereceu um cargo de diretor."
Para Sóstenes Brasileiro, diretor da Gol de Letra, os profissionais que se dão bem no segmento têm como marca principal a competência na área de formação. "É preciso ter uma boa dose de identificação com a causa social e gosto por trabalhar com comunidades populares." Com dez anos de atividades, a Gol de Letra atua em São Paulo e no Rio de Janeiro e foi criada pelos ex-jogadores de futebol Raí e Leonardo. Desenvolve programas de educação integral para cerca de 1,2 mil crianças e adolescentes.
Segundo o executivo, é cada vez mais comum aparecerem nos processos seletivos - principalmente para postos qualificados - profissionais com especialização em gestão no terceiro setor, empreendedorismo e responsabilidade social. Com 50 funcionários, a Gol de Letra está à procura de um educador social com formação superior na área de humanas. "O candidato precisa ter liderança, habilidade na mediação de conflitos e na articulação com os jovens."
A diretora de gestão do conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, acaba de concluir um processo de seleção para uma vaga de coordenador de projetos. "A contratação depende do estabelecimento de parcerias e patrocínios para a realização dos trabalhos. Pode ser feita internamente, via site da fundação ou em portais de empregos."
Criada em 1986, a SOS Mata Atlântica promove a conservação da diversidade biológica e cultural do bioma e de outros ecossistemas. Tem 53 funcionários entre biólogos, engenheiros florestais, geógrafos, jornalistas, relações públicas, administradores, contadores, analistas de sistemas e bibliotecários. "O profissional precisa ter dinamismo, proximidade com a causa da organização e saber trabalhar em equipe."
Para Valéria Riccomini, diretora da Fundação Itaú Social, criada em 2000 para disseminar novas metodologias para políticas públicas educacionais, o gestor deve conseguir mobilizar pessoas e garantir os resultados do investimento social. "No caso de profissionais seniores, a experiência anterior é importante." A equipe da Fundação Itaú Social, com 18 pessoas, é formada por funcionários do banco. Recentemente, o quadro ganhou o reforço de cinco especialistas em comunicação, orçamento e projetos sociais. Quando a Fundação Itaú Social precisa preencher uma vaga, a primeira opção é realizar seleções no próprio banco. "Em segundo lugar, recorremos às redes de relacionamento e indicações de parceiros. Também podemos chamar uma empresa de recrutamento para ajudar na escolha."
Para Reinaldo Bulgarelli, coordenador da área de sustentabilidade, meio ambiente e terceiro setor do Programa de Educação Continuada (PEC) da Fundação Getúlio Vargas, saem na frente dessa corrida candidatos engajados com a causa social, bom entendimento da realidade social brasileira e internacional, postura empreendedora e conhecimentos gerenciais. "O trabalho envolve gestão de pessoas, de projetos, recursos e meios de captação", afirma.
Foram essas características que ajudaram a advogada Geórgia Pessoa a ocupar a gerência de programas para a Amazônia na Fundação Gordon e Betty Moore, em São Francisco, nos Estados Unidos. Especializada em gestão ambiental com MBA em direito da economia e da empresa, Geórgia foi coordenadora jurídica do WWF em Brasília, antes de assumir o cargo em 2007. "Hoje, preciso desenvolver e implementar estratégias para o programa por meio de doações para outras organizações conservacionistas nos países da bacia amazônica." Para a especialista, a formação acadêmica é importante mas, como o como o segmento ainda é novo, muitas das lições acabam sendo aprendidas na prática, junto ao setor privado ou ao governo.
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Primeira feira de negócios LGBT do Mercosul - O Globo, 31 de julho de 2010
Dei entrevista ao jornalista Gilberto Scofield Jr falando sobre a Câmara Brasileira de Negócios GLS, o temor das empresas em associar a marca à comunidade LGBT e a primeira feira de negócios a ser realizada em 2011, em São Paulo. Segue matéria que foi publicada no O Globo.
Em julho de 2011, a cidade de São Paulo vai sediar o primeiro Expo Business LGBT do Mercosul, uma feira de negócios que pretende reunir cerca de 30 empresas com atividades direta ou indiretamente voltadas para o público de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) da região. Empresas de turismo, hotelaria, gastronomia, aluguel de carros e lazer de um modo geral são as mais interessadas, mas o encontro estará aberto para qualquer tipo de empresa ou profissional liberal que queira aproveitar a ocasião para conversar sobre as oportunidades geradas por um público estimado em 18 milhões de pessoas no Brasil e com um poder de consumo que muitos calculam ultrapassar os R$ 150 bilhões.
Trata-se do primeiro grande evento da Câmara de Comércio GLS do Brasil, cujo estatuto foi aprovado há um ano e as atividades começaram a se estruturar de fato recentemente. A Câmara, que hoje possui 40 associados - a maioria pequenos negócios voltados para a comunidade - e três grandes empresas como observadores - os bancos Itaú e Santander e a construtora Tecnisa -, tem o apoio institucional da Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual da prefeitura de São Paulo e se reúne mensalmente para estudar ações que fortaleçam os negócios do grupo.
O slogan é curioso: "Vamos tirar o mercado do armário!".
“Enquanto no exterior as empresas possuem ações específicas voltadas ao público LGBT, a exemplo da Fiat, que bancou a passeata gay em Madri, impressiona que no Brasil elas ajam como se a comunidade gay não existisse. É preconceito não apenas nas empresas, mas nas agências de publicidade”, diz Douglas Drumond, presidente da Câmara e proprietário do Clube 269 em São Paulo, e do hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte.
“Há muito preconceito, conservadorismo e pouca objetividade nas grandes empresas”, faz coro o coordenador da área de Sustentabilidade e Gestão Ambiental da FGV e professor da Unicamp, Reinaldo Bulgarelli, cuja consultoria Txai é especializada em políticas de diversidade e sustentabilidade no mundo corporativo e ajudou a montar a Câmara.
Empresas ainda temem associar marcas a gays
O coordenador da área de Sustentabilidade e Gestão Ambiental da Fundação Getulio Vargas (FGV) e professor da Unicamp, Reinaldo Bulgarelli, afirma que o preconceito existente nas empresas com relação à associação de suas marcas e atividades a grupos de gays e lésbicas varia de país para país.
Ele lembra ainda que não há provas de que uma marca seja contaminada ao ser associada a grupos homossexuais. "Muitas multinacionais que fazem isso lá fora não reproduzem as ações no Brasil", afirma Bulgarelli.
Não é o caso do banco espanhol Santander, um dos observadores presentes às reuniões da Câmara de Comércio GLS e uma das empresas mais ativas em políticas orientadas a esse público, sejam funcionários ou clientes. Em 2005, por exemplo, o Santander ampliou para casais do mesmo sexo os benefícios de previdência privada, assistência médica e odontológica dados aos funcionários heterossexuais.
Em 2006, o banco criou a primeira carteira de crédito imobiliário para casais de mesmo sexo que querem comprar imóveis. "Participamos da Câmara porque temos uma política interna de valorização da diversidade e atendemos a clientes que são gays e lésbicas. Então é natural que nos associemos a instituições que possam nos abastecer de informações relativas a esses públicos", diz Maria Cristina Carvalho, superintendenteexecutiva de Recursos Humanos do Santander.
Estabelecimentos gays sofrem pressão
Dispostos a fazer o que Douglas Drumond, presidente da Câmara de Comércio GLS do Brasil chama de "trabalho de casa", a câmara encomendou ao Ibope o orçamento de uma pesquisa para levantar as principais estatísticas do chamado mercado de consumo gay, cujas reais dimensões ainda se baseiam mais em estimativas informais que em números confiáveis. O projeto custará R$ 220 mil, recursos que Drumond espera arrecadar de associados e patrocinadores.
"Costumo dizer às empresas que apoiar este levantamento é um tipo de compensação por faturarem com uma comunidade que costuma consumir muito", diz Drumond. "Mas o problema básico continua sendo a garantia de vida dos negócios".
Explique-se: há cerca de um ano, as boates gays paulistas Cantho e A Lôca receberam visitas da Polícia Civil numa ação que, segundo a Secretaria Estadual de Justiça, não passou de vigilância rotineira. Mas, para Drumond, foi uma pressão velada para inibir os negócios, pressão que geralmente parte de associações de moradores que não gostam do público GLS na vizinhança.
Essa ameaça, diz ele, é um pesadelo à sobrevivência dos negócios, mas também a força que empurrou os empresários à aglutinação num grupo que possa responder por todos.
- Veja a matéria diretamente no O Globo: http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/07/31/sao-paulo-vai-sediar-primeira-feira-de-negocios-do-mercosul-voltada-para-publico-gay-estimado-em-18-milhoes-no-brasil-917291102.asp
25 anos de Criança Esperança
Reinaldo Bulgarelli, 18 de agosto de 2010
O show ontem foi bacana. 25 anos do Criança Esperança e eu quero aqui também comemorar esse tempo de mobilização a favor dos direitos da criança e da juventude. Interagi de muitas maneiras com o Programa, mas gostaria de lembrar aqui o início e o contexto de seu surgimento.
Eu fui "educador de rua" ou, como mais tarde Dom Luciano Mendes de Almeida nos batizou, "Educador Social de Rua". Desde 1978 eu conhecia esse universo da população em situação de rua e em 1985 algumas organizações que atuavam com crianças e adolescentes fundaram o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua. Fui um dos fundadores e membro da coordenação nacional. Fui também responsável pela elaboração do projeto de Centros de Formação, que contou com a contribuição de Paulo Freire.
Nesta atuação como educador social de rua, sempre procurei atuar com dois propósitos fundamentais, dentro do contexto de participação ativa na redemocratização do país: contribuir para que as crianças e adolescentes em situação de rua encontrassem soluções melhores para sua realidade já a partir daquele lugar em que estavam, e contribuir na construção de políticas públicas, leis, metodologias, pedagogias que fossem coerentes com uma sociedade democrática e uma nova visão sobre os direitos humanos da criança e do adolescente. Era como ter um olho na rua e outro na sociedade, que precisava ser mobilizada para novos entendimentos, posturas e práticas.
Foi uma época muito importante para o país. Estávamos saindo do regime autoritário e em breve teríamos a desejada nova Constituição, com possibilidade de nela revermos a relação entre o mudo adulto e o mundo infantil.
O “Criança Esperança” surgiu em 1986 exatamente neste momento de democratização do país, de mobilização da sociedade para a geração, promoção e defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes, que resultou no artigo 227 da Constituição (1988) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990). Era preciso sensibilizar a população brasileira e colocá-la em contato com novos valores para que saíssemos da fase autoritária, assistencial-repressiva, para uma fase de efetivo respeito ao cidadão criança e adolescente, pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.
O contato do Movimento com o UNICEF era intenso. Éramos os interlocutores que representavam a sociedade civil organizada. Salvador Herencia, responsável pela área de comunicação do UNICEF, nos procurou com a ideia da parceria com a Globo para realizar um programa que mobilizasse a sociedade para a doação de recursos. Todos nós víamos nesta proposta uma oportunidade para também sensibilizar a população do país para esta nova visão sobre a infância e adolescência. Didi era a figura central desta proposta e a Globo se colocou de corpo e alma no projeto.
Mas nem tudo foi simples. Éramos lideranças do movimento popular e tínhamos grande desconfiança da Globo. Ela representava para nós uma organização comprometida com o regime autoritário. Seria capaz de defender os direitos da criança? Apesar das resistências internas, Bené, coordenador do Movimento e a pessoa que nos representou no primeiro show, firmou a parceria e lá estávamos todos inaugurando uma nova fase no país, na qual fomos aprendendo a estabelecer alianças e parcerias para garantir bons resultados no desenvolvimento socioeconômico, político e cultural.
Tudo foi elaborado em conjunto. O nível de precariedade e mesmo amadorismo do primeiro programa que foi ao ar era impressionante. Pensamos, por exemplo, em fazer arrecadação em ruas movimentadas de São Paulo, já que não existia ainda o sistema de arrecadação de recursos por telefone, internet, lotéricas e outras modernidades que foram sendo implementadas ao longo destes anos. Enfim, as coisas não nascem prontas e tudo foi muito bonito nesta fase de implantação de uma proposta que hoje é consagrada.
A imagem que me vem do primeiro Criança Esperança é a do Didi, Roberto Carlos, o pessoal do UNICEF e o Bené, com o elenco da Globo, cantando a música de encerramento do show. É uma imagem das novas articulações que se consagraram nestas décadas e a imagem da emoção. No começo, eu nem entendia direito porque tanta emoção, mas ver nossos artistas e uma emissora tão importante a serviço da infância, falando de temas que pareciam dar nó apenas na garganta de quem os vivenciava, explica tudo. É sempre uma emoção ver nossa gente unida, saindo do seu lugar, fazendo algo mais, superando divergências para trabalhar a favor de uma causa nobre.
Aquele início do Criança Esperança foi um momento único e que simbolicamente representava uma nova fase para o Brasil. Precisávamos lutar por nossas posições, mas a superação dos problemas e a conquista de novos patamares, como foi se confirmando ao longo da história, aconteceriam com articulações, união de esforços e muita parceria entre todos os setores da sociedade.
Nós, que atuamos na promoção e defesa dos direitos humanos da criança e do adolescente, devemos muito ao Criança Esperança por vários motivos.
Ele ajudou a sensibilizar a sociedade brasileira para a visão que estávamos construindo e que se consolidou no artigo 227 da Constituição de 88, assim como no Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990. Os parlamentares e movimento social em geral compreenderam melhor o que estávamos propondo. Isso facilitou articulações, criou o ambiente favorável que precisávamos para sair do anonimato ou da mensagem em pequenos espaços para a mensagem que atingia o grande público.
Ele efetivamente é um programa de esperança. Ao longo dos anos, o Criança Esperança foi apresentando propostas inovadoras e passando mensagens importantes, de que era possível fazer algo diferente do modelo autoritário, assistencial-repressivo. Havia na época de criação do programa, um conjunto robusto de práticas inovadoras na atenção a crianças e adolescentes. O Criança Esperança foi espaço de divulgação destas propostas e facilitou que fossem assimiladas nas políticas públicas, na maneira nova de entender e atender esse público.
A mensagem do Criança Esperança tem sido ainda mais importante ao trazer relatos de vidas transformadas, de pessoas que se reinventaram, que demonstraram o potencial que tinham e que uma proposta pedagógica adequada era capaz de revelar. É uma oportunidade rara de enfrentar o conservadorismo que defende que as pessoas não mudam, que a pobreza é um destino, que "pau que nasce torno, morre torto", entre outras crenças que afrontam quem trabalha com crianças e adolescentes nas situações das mais difíceis. Há histórias lindas de transformação por meio de um gesto solidário, uma palavra, uma proposta diferente, um projeto que atenda necessidades e, mais que isso, respeite direitos, que ofereça perspectivas, a elaboração de um novo projeto de vida, enfim, que ofereça esperança.
Eu aprendi e aprendo muito com o Criança Esperança. Ele representa nossa capacidade de transformação. Nós, do Movimento, nos transformamos. A Globo demonstrou sua imensa capacidade de transformação, sua postura plural e criativa para estar presente e ser significativa no novo momento do país nesta área dos direitos humanos da criança e do adolescente. Os programas sociais, governamentais e não governamentais foram se transformando nesse processo de mobilização, exposição de novas práticas e criação de novas referências. As empresas privadas e públicas foram percebendo que também podiam fazer algo mais pela sociedade e rumaram na direção de práticas socialmente responsáveis com foco muito forte no investimento social privado voltado à educação de crianças e adolescentes.
Enfim, todos nos transformamos, não apenas as crianças e adolescentes beneficiadas pelo Criança Esperança. Não é verdadeiro o número de 4 milhões de crianças beneficiadas com as doações. Fizemos muito mais e por muito mais gente, mobilizando o país para agir com esperança em cada história de cada criança, mas na história maior que estamos construindo juntos.
Hoje temos novos desafios pela frente, mas esta história deve ficar em nossa lembrança como referência de um tempo no qual encontramos pontos em comum, mesmo com tantas diferenças e até divergências. Um país melhor para todos precisa dessa esperança. Parabéns a todos nós por termos o Criança Esperança.
O show ontem foi bacana. 25 anos do Criança Esperança e eu quero aqui também comemorar esse tempo de mobilização a favor dos direitos da criança e da juventude. Interagi de muitas maneiras com o Programa, mas gostaria de lembrar aqui o início e o contexto de seu surgimento.
Eu fui "educador de rua" ou, como mais tarde Dom Luciano Mendes de Almeida nos batizou, "Educador Social de Rua". Desde 1978 eu conhecia esse universo da população em situação de rua e em 1985 algumas organizações que atuavam com crianças e adolescentes fundaram o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua. Fui um dos fundadores e membro da coordenação nacional. Fui também responsável pela elaboração do projeto de Centros de Formação, que contou com a contribuição de Paulo Freire.
Nesta atuação como educador social de rua, sempre procurei atuar com dois propósitos fundamentais, dentro do contexto de participação ativa na redemocratização do país: contribuir para que as crianças e adolescentes em situação de rua encontrassem soluções melhores para sua realidade já a partir daquele lugar em que estavam, e contribuir na construção de políticas públicas, leis, metodologias, pedagogias que fossem coerentes com uma sociedade democrática e uma nova visão sobre os direitos humanos da criança e do adolescente. Era como ter um olho na rua e outro na sociedade, que precisava ser mobilizada para novos entendimentos, posturas e práticas.
Foi uma época muito importante para o país. Estávamos saindo do regime autoritário e em breve teríamos a desejada nova Constituição, com possibilidade de nela revermos a relação entre o mudo adulto e o mundo infantil.
O “Criança Esperança” surgiu em 1986 exatamente neste momento de democratização do país, de mobilização da sociedade para a geração, promoção e defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes, que resultou no artigo 227 da Constituição (1988) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990). Era preciso sensibilizar a população brasileira e colocá-la em contato com novos valores para que saíssemos da fase autoritária, assistencial-repressiva, para uma fase de efetivo respeito ao cidadão criança e adolescente, pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.
O contato do Movimento com o UNICEF era intenso. Éramos os interlocutores que representavam a sociedade civil organizada. Salvador Herencia, responsável pela área de comunicação do UNICEF, nos procurou com a ideia da parceria com a Globo para realizar um programa que mobilizasse a sociedade para a doação de recursos. Todos nós víamos nesta proposta uma oportunidade para também sensibilizar a população do país para esta nova visão sobre a infância e adolescência. Didi era a figura central desta proposta e a Globo se colocou de corpo e alma no projeto.
Mas nem tudo foi simples. Éramos lideranças do movimento popular e tínhamos grande desconfiança da Globo. Ela representava para nós uma organização comprometida com o regime autoritário. Seria capaz de defender os direitos da criança? Apesar das resistências internas, Bené, coordenador do Movimento e a pessoa que nos representou no primeiro show, firmou a parceria e lá estávamos todos inaugurando uma nova fase no país, na qual fomos aprendendo a estabelecer alianças e parcerias para garantir bons resultados no desenvolvimento socioeconômico, político e cultural.
Tudo foi elaborado em conjunto. O nível de precariedade e mesmo amadorismo do primeiro programa que foi ao ar era impressionante. Pensamos, por exemplo, em fazer arrecadação em ruas movimentadas de São Paulo, já que não existia ainda o sistema de arrecadação de recursos por telefone, internet, lotéricas e outras modernidades que foram sendo implementadas ao longo destes anos. Enfim, as coisas não nascem prontas e tudo foi muito bonito nesta fase de implantação de uma proposta que hoje é consagrada.
A imagem que me vem do primeiro Criança Esperança é a do Didi, Roberto Carlos, o pessoal do UNICEF e o Bené, com o elenco da Globo, cantando a música de encerramento do show. É uma imagem das novas articulações que se consagraram nestas décadas e a imagem da emoção. No começo, eu nem entendia direito porque tanta emoção, mas ver nossos artistas e uma emissora tão importante a serviço da infância, falando de temas que pareciam dar nó apenas na garganta de quem os vivenciava, explica tudo. É sempre uma emoção ver nossa gente unida, saindo do seu lugar, fazendo algo mais, superando divergências para trabalhar a favor de uma causa nobre.
Aquele início do Criança Esperança foi um momento único e que simbolicamente representava uma nova fase para o Brasil. Precisávamos lutar por nossas posições, mas a superação dos problemas e a conquista de novos patamares, como foi se confirmando ao longo da história, aconteceriam com articulações, união de esforços e muita parceria entre todos os setores da sociedade.
Nós, que atuamos na promoção e defesa dos direitos humanos da criança e do adolescente, devemos muito ao Criança Esperança por vários motivos.
Ele ajudou a sensibilizar a sociedade brasileira para a visão que estávamos construindo e que se consolidou no artigo 227 da Constituição de 88, assim como no Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990. Os parlamentares e movimento social em geral compreenderam melhor o que estávamos propondo. Isso facilitou articulações, criou o ambiente favorável que precisávamos para sair do anonimato ou da mensagem em pequenos espaços para a mensagem que atingia o grande público.
Ele efetivamente é um programa de esperança. Ao longo dos anos, o Criança Esperança foi apresentando propostas inovadoras e passando mensagens importantes, de que era possível fazer algo diferente do modelo autoritário, assistencial-repressivo. Havia na época de criação do programa, um conjunto robusto de práticas inovadoras na atenção a crianças e adolescentes. O Criança Esperança foi espaço de divulgação destas propostas e facilitou que fossem assimiladas nas políticas públicas, na maneira nova de entender e atender esse público.
A mensagem do Criança Esperança tem sido ainda mais importante ao trazer relatos de vidas transformadas, de pessoas que se reinventaram, que demonstraram o potencial que tinham e que uma proposta pedagógica adequada era capaz de revelar. É uma oportunidade rara de enfrentar o conservadorismo que defende que as pessoas não mudam, que a pobreza é um destino, que "pau que nasce torno, morre torto", entre outras crenças que afrontam quem trabalha com crianças e adolescentes nas situações das mais difíceis. Há histórias lindas de transformação por meio de um gesto solidário, uma palavra, uma proposta diferente, um projeto que atenda necessidades e, mais que isso, respeite direitos, que ofereça perspectivas, a elaboração de um novo projeto de vida, enfim, que ofereça esperança.
Eu aprendi e aprendo muito com o Criança Esperança. Ele representa nossa capacidade de transformação. Nós, do Movimento, nos transformamos. A Globo demonstrou sua imensa capacidade de transformação, sua postura plural e criativa para estar presente e ser significativa no novo momento do país nesta área dos direitos humanos da criança e do adolescente. Os programas sociais, governamentais e não governamentais foram se transformando nesse processo de mobilização, exposição de novas práticas e criação de novas referências. As empresas privadas e públicas foram percebendo que também podiam fazer algo mais pela sociedade e rumaram na direção de práticas socialmente responsáveis com foco muito forte no investimento social privado voltado à educação de crianças e adolescentes.
Enfim, todos nos transformamos, não apenas as crianças e adolescentes beneficiadas pelo Criança Esperança. Não é verdadeiro o número de 4 milhões de crianças beneficiadas com as doações. Fizemos muito mais e por muito mais gente, mobilizando o país para agir com esperança em cada história de cada criança, mas na história maior que estamos construindo juntos.
Hoje temos novos desafios pela frente, mas esta história deve ficar em nossa lembrança como referência de um tempo no qual encontramos pontos em comum, mesmo com tantas diferenças e até divergências. Um país melhor para todos precisa dessa esperança. Parabéns a todos nós por termos o Criança Esperança.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Homenagem à Argentina: aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Não sei a origem, mas gostei: 10 motivos para proibir o matrimônio gay
10 razones para PROHIBIR EL MATRIMONIO GAY
1) Ser gay no es natural. Como hijos de Dios y verdaderos argentinos nosotros rechazamos todo lo que no es natural, como los celulares y el aire acondicionado.
2) La gente gay promueve y hace que otra gente se haga gay, así como juntarte con hombres altos te hace alto también.
3) Legalizar el matrimonio gay va a abrir las puertas para otros tipos de comportamientos perversos y descabellados: algunos van a querer casarse con una silla u otros con sus mascotas, porque los animales son sujetos de derecho y pueden firmar un contrato nupcial.
4) El matrimonio heterosexual ha existido siempre y no ha cambiado nunca: las mujeres todavía son propiedad, los negros todavía no pueden casarse con los blancos y el divorcio todavía es ilegal.
5) Si se legaliza el matrimonio gay, el matrimonio hétero va a perder su significado. La santidad del casamiento de 55 horas de Britney Spears sólo-por-diversión desaparecerá.
6) El casamiento hétero es válido porque produce hijos. Las parejas gay, los infértiles y los adultos mayores no deberían casarse porque los orfanatos todavía no están llenos y el mundo necesita más niños.
7) Obviamente, los padres gay criarán hijos gay, así como todos los padres hétero crían hijos hétero.
8) El matrimonio gay no es apoyado por la religión. En una teocracia como la nuestra, los valores de UNA SOLA religión son impuestos en el país entero. Es por eso que en Argentina no existe la libertad de culto y sólo existe la religión católica.
9) Un niño nunca triunfará en la vida si no tiene un modelo femenino y uno masculino a seguir en su hogar. Es por eso que nosotros como sociedad prohibimos expresamente a los padres solteros criar a sus hijos.
10) El matrimonio gay cambiará las bases de la sociedad; NUNCA vamos a poder adaptarnos a las nuevas normas sociales. Así como nunca pudimos adaptarnos a los autos, a internet, a las nuevas economías o a la abolición de la esclavitud.
10 razones para PROHIBIR EL MATRIMONIO GAY
1) Ser gay no es natural. Como hijos de Dios y verdaderos argentinos nosotros rechazamos todo lo que no es natural, como los celulares y el aire acondicionado.
2) La gente gay promueve y hace que otra gente se haga gay, así como juntarte con hombres altos te hace alto también.
3) Legalizar el matrimonio gay va a abrir las puertas para otros tipos de comportamientos perversos y descabellados: algunos van a querer casarse con una silla u otros con sus mascotas, porque los animales son sujetos de derecho y pueden firmar un contrato nupcial.
4) El matrimonio heterosexual ha existido siempre y no ha cambiado nunca: las mujeres todavía son propiedad, los negros todavía no pueden casarse con los blancos y el divorcio todavía es ilegal.
5) Si se legaliza el matrimonio gay, el matrimonio hétero va a perder su significado. La santidad del casamiento de 55 horas de Britney Spears sólo-por-diversión desaparecerá.
6) El casamiento hétero es válido porque produce hijos. Las parejas gay, los infértiles y los adultos mayores no deberían casarse porque los orfanatos todavía no están llenos y el mundo necesita más niños.
7) Obviamente, los padres gay criarán hijos gay, así como todos los padres hétero crían hijos hétero.
8) El matrimonio gay no es apoyado por la religión. En una teocracia como la nuestra, los valores de UNA SOLA religión son impuestos en el país entero. Es por eso que en Argentina no existe la libertad de culto y sólo existe la religión católica.
9) Un niño nunca triunfará en la vida si no tiene un modelo femenino y uno masculino a seguir en su hogar. Es por eso que nosotros como sociedad prohibimos expresamente a los padres solteros criar a sus hijos.
10) El matrimonio gay cambiará las bases de la sociedad; NUNCA vamos a poder adaptarnos a las nuevas normas sociales. Así como nunca pudimos adaptarnos a los autos, a internet, a las nuevas economías o a la abolición de la esclavitud.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina, por Paulo Nassar
Paulo Nassar é um otimista e pela sua importância no mundo da comunicação empresarial, vale a pena conhecer essa sua aposta no futuro próximo.
"Comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina
Paulo Nassar, De São Paulo - 17/07/10
Novos desafios para a comunicação empresarial são presentes e também trazidos pelo futuro. O ontem, embora próximo, está marcado por regulamentações de todo tipo, produto da cultura de controlar os empregados e pela necessidade de conquistar metas quantitativas, de qualidade total ou de redução de problemas provocados por assédio sexual e moral no trabalho, o que resulta na imensa quantidade de manuais e códigos de ética, de conduta, segurança, meio ambiente, saúde.
Mas tome nota: o ambiente empresarial será novo, marcado pela liberdade do empregado para afirmar sua identidade: o somatório das dimensões subjetivas e objetivas de homens e mulheres.
Nos últimos 50 anos, o entendimento da comunicação pela administração experimentou uma evolução sem precedentes, provocada de fora para dentro das empresas. Essa transformação, no Brasil, provocou uma nova visão comunicacional e relacional em três grandes movimentos. O primeiro, nos anos 1980, foi conseqüência da democratização do país, quando demanda de trabalhador deixou de ser assunto de polícia e alcançou a mesa de negociação. Um segundo movimento, no início dos anos 1990, estava ligado à internacionalização da economia brasileira, que provocou mudança nos processos de produção para promover ganhos de produtividade e competitividade e minimizar os impactos ambientais e sociais. A comunicação empresarial atuou fortemente na capacitação e no comprometimento de trabalhadores semi-analfabetos com as causas das empresas. E um terceiro, a conscientização crescente do empreendedor sobre o conceito de empresa produtiva e afetiva, uma extensão da sociedade. Ou seja, a empresa não cresce ou se mantém sustentável se o administrador não considerar os desejos, os sonhos de seus empregados e os acontecimentos sociais, históricos e culturais no âmbito da sociedade - tudo o que era visto como fator externo ao processo de produção.
Portanto, a administração deve assumir novas formas de se relacionar com a diversidade comportamental, etária, étnica, religiosa. Imagine, neste momento, no mundo do trabalho, tão regulamentado e preconceituoso, as mudanças inevitáveis de áreas como comunicação e recursos humanos diante da conquista de direitos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada recentemente na Argentina e em discussão no Brasil.
O gestor conectado no mundo, já entendeu que é preciso preparar a empresa, aprender a se relacionar, beneficiar e capacitar pessoas diversas, surgidas e legitimadas pela afirmação positiva dos homossexuais, das mulheres, dos índios, dos negros, dos mulatos, na sociedade. Em breve, teremos uma comunicação empresarial mais gay, mais feminina, mais mestiça. E por isso, mais humana.
Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação. Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br" - Ver artigo original na ABERJ: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=308&ID_COLUNISTA=28
"Comunicação empresarial será mais gay, mestiça e feminina
Paulo Nassar, De São Paulo - 17/07/10
Novos desafios para a comunicação empresarial são presentes e também trazidos pelo futuro. O ontem, embora próximo, está marcado por regulamentações de todo tipo, produto da cultura de controlar os empregados e pela necessidade de conquistar metas quantitativas, de qualidade total ou de redução de problemas provocados por assédio sexual e moral no trabalho, o que resulta na imensa quantidade de manuais e códigos de ética, de conduta, segurança, meio ambiente, saúde.
Mas tome nota: o ambiente empresarial será novo, marcado pela liberdade do empregado para afirmar sua identidade: o somatório das dimensões subjetivas e objetivas de homens e mulheres.
Nos últimos 50 anos, o entendimento da comunicação pela administração experimentou uma evolução sem precedentes, provocada de fora para dentro das empresas. Essa transformação, no Brasil, provocou uma nova visão comunicacional e relacional em três grandes movimentos. O primeiro, nos anos 1980, foi conseqüência da democratização do país, quando demanda de trabalhador deixou de ser assunto de polícia e alcançou a mesa de negociação. Um segundo movimento, no início dos anos 1990, estava ligado à internacionalização da economia brasileira, que provocou mudança nos processos de produção para promover ganhos de produtividade e competitividade e minimizar os impactos ambientais e sociais. A comunicação empresarial atuou fortemente na capacitação e no comprometimento de trabalhadores semi-analfabetos com as causas das empresas. E um terceiro, a conscientização crescente do empreendedor sobre o conceito de empresa produtiva e afetiva, uma extensão da sociedade. Ou seja, a empresa não cresce ou se mantém sustentável se o administrador não considerar os desejos, os sonhos de seus empregados e os acontecimentos sociais, históricos e culturais no âmbito da sociedade - tudo o que era visto como fator externo ao processo de produção.
Portanto, a administração deve assumir novas formas de se relacionar com a diversidade comportamental, etária, étnica, religiosa. Imagine, neste momento, no mundo do trabalho, tão regulamentado e preconceituoso, as mudanças inevitáveis de áreas como comunicação e recursos humanos diante da conquista de direitos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovada recentemente na Argentina e em discussão no Brasil.
O gestor conectado no mundo, já entendeu que é preciso preparar a empresa, aprender a se relacionar, beneficiar e capacitar pessoas diversas, surgidas e legitimadas pela afirmação positiva dos homossexuais, das mulheres, dos índios, dos negros, dos mulatos, na sociedade. Em breve, teremos uma comunicação empresarial mais gay, mais feminina, mais mestiça. E por isso, mais humana.
Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação. Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br" - Ver artigo original na ABERJ: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=308&ID_COLUNISTA=28
terça-feira, 20 de julho de 2010
Homenagem aos filhos
Reinaldo Bulgarelli, 19 de julho de 2010.
Nossas mães dizem que não viram o tempo passando. Quando deram conta, já éramos adultos. Dizem isso quando alguém enxerido pergunta nossa idade. Sempre tem uma tia chata ou uma amiga vingativa por perto para cumprir o papel de trazer a mãe da gente para a realidade. Coisa mais sem graça. Para nossas mães, o tempo não passa. Somos eternas crianças e nos olham sempre desse lugar de mãe. É um lugar, não é um tempo.
Filhos são eternamente filhos. Elas se assustam com nossa velhice, nossos cabelos brancos, os óculos que chegam ao nosso rosto para não mais sair. Mas os espantos são pontuais. No dia a dia, somos filhos de pegar no colo ou pra nos mandar fazer coisas: vai buscar pão, liga pra sua tia, faça isso e faça aquilo. Nossos títulos de nada valem diante da mãe. Não adianta ser Presidente da República ou um avô já acostumado com o ofício. É filho, uma condição única que tem no colo materno um lugar também único.
Tem coisa melhor que ligar pra mãe como quem não quer nada só pra ouvi-la dar um “boa noite” ou falar aquelas coisas de sempre? O colo da mãe é um lugar visitado de muitas formas. Tem quem exagere e curte o colo literalmente, mas às vezes não é preciso tanto pra sentir aquele lugar único, aquela voz única, aquele jeito único de mãe.
Se elas se assustam com a nossa velhice, imagine os filhos! A gente até percebe a velhice deles chegando. Uma hora pode isso e aquilo. Outra hora já não pode mais. E nunca mais. Aquele doce preferido? Não pode mais. Fazer aquele passeio de sempre se torna mais difícil e o mundo vai ficando pequeno pras pernas que já nos levaram e nos apresentaram ao universo. Aquela história contada à exaustão sumiu da memória. Um probleminha aqui e outro acolá, mas é um susto quando desabam de vez.
De repente aquela velhice que parecia também eterna sofre um baque, tropeça em alguma coisa inesperada e lá se vai nossa mãe pra cama. Da cama para o hospital. No hospital, para diferentes lugares, incluindo salas de exames complicados, UTI, num dia fala e noutro dia já não nos reconhece mais.
Filhos é que têm uma surpresa horrível. Outro dia mesmo estava brigando com a mãe por uma coisa qualquer. Agora passa a noite num hospital e tem uma notícia pior que a outra a cada visita dos médicos. Melhor não vê-los. Melhor sumir ou voltar pra casa e ver se passa, se tudo volta ao normal. Não volta. Entre melhoras e pioras a gente luta, faz de tudo, se entrega, se revolta, sangra, acha forças, luta, desiste, volta e fica em lugares e situações nas quais jamais se imaginou estar. Liga o piloto automático, desliga, dorme e acorda na mesma conversa com o médico, um verdadeiro dr. Jeckyll e Mr. Hide, que queremos beijar na boca e matar a facadas, tudo junto e ao mesmo tempo.
Outro dia mesmo a gente se pegou pensando na morte da mãe, mas não era nada pra agora. A perda da mãe era um lugar, não um tempo. Agora, do lado de fora da UTI, vendo a mãe pela janela entubada, sedada, amarrada em fios e mais fios de aparelhos precisos, a gente fica atônito, tomado de uma surpresa que só o afeto explica. Outros nos olham sem entender nada sobre o nosso espanto. É o tempo chegando. E quem disse que relação de mãe e filho se subordina ao tempo?
Pra nos conformar, dizem coisas que fingimos aceitar só pra não contrariar os loucos e voltar logo a atenção à aparelhagem e seus ruídos lúcidos. Só fazem aumentar nosso espanto ao querer nos conformar. Caber na forma, conformar, como?! Era pra ser agora? Porque não avisaram? Ué, a mãe envelhecia diante da gente dando todos os sinais, mas quem disse que a gente queria ver. Os olhos dos filhos não veem o tempo, só o lugar. Falam tanto do olhar das mães que se esquecem de falar do olhar dos filhos.
Espanto mesmo, daqueles de tirar o fôlego, de deixar o coração suspenso, a respiração trancada no peito, é esse de filhos que acompanham a mãe despencando no poço da vida. Quando a gente se dá conta, está no hospital. Quando atenta, não sai mais do hospital. Quando acorda do pesadelo de noites em claro, providências das mais estafantes, se vê numa conversa com o médico sobre a falta de esperanças. Vem o choro, o susto, o medo, a dor, o cansaço, o alívio de não ver sofrer e o horror da despedida. O coração sangra como num parto.
Aquela ideia de ligar pra alguém único para ouvir a voz única, o colo único, se torna impossível, uma lembrança do que foi e nunca mais será. Na morte da mãe, tempo e lugar se encontram. É um abraço apertado, um parto às avessas, um gosto de saudade antes mesmo que a saudade transbordasse de amor por todos os dias sem mãe.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Argentina: um passo adiante do Brasil nos direitos LGBT
Toni Reis, presidente da ABGLT, enviou por email artigo para ser divulgando que trata da legislação aprovada na Argentina.
Aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina : um exemplo de cidadania plena
Toni Reis*
Depois de 14 horas de debate, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Argentina na madrugada do dia 15 de julho de 2010, com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções. Uma mudança tão pequena de redação, com tanto significado para a igualdade de direitos. A reforma substitui as palavras “homem e mulher” da versão atual da legislação por “cônjuges”, permitindo assim que casais do mesmo sexo também possam contrair o matrimônio.
Congratulações à querida aliada Cristina Kirchner e seu governo, à câmara dos deputados, ao senado, às pessoas militantes LGBT, e a todo o povo argentino. Esta aprovação é um gesto de civilidade.
A Argentina agora, sem dúvidas, torna-se um país com mais igualdade e inclusão. Todos e todas são vitoriosos pela decisão histórica. Afinal, universalizou-se este direito.
Vocês, hermanos e hermanas, devem se orgulhar do feito. Vocês são o primeiro país a reconhecer a igualdade dos direitos humanos de pessoas LGBT em nossa região, onde existe ainda muito machismo e homofobia. E são o décimo no mundo a avançar nessa garantia. Agora vocês estão ao lado da África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça. Orgulhem-se!
Foi o maior debate na sociedade argentina desde a aprovação da lei do divórcio em 1987.
Do lado dos argumentos contra – muitos deles irracionais, ilógicos, retrógrados, conservadores e fundamentalistas – disseram que somos inférteis, filhos do diabo, desviados, antinaturais, pervertidos, abomináveis, projeto do demônio, que queríamos destruir a família tradicional, e implantar a filosofia de Sodoma e Gomorra; seria o apocalipse, um “risco para o futuro da pátria”, iríamos acabar com a perpetuação da espécie... Como bem resumiu a presidente Cristina Kirchner, "o discurso da igreja recorda os tempos da inquisição e das cruzadas".
Também, não vamos tripudiar os vencidos. Afinal, qual deles ainda ousam falar que a terra é quadrada ou que os negros não têm alma? Eles também vão mudar lentamente, daqui uns 500 anos talvez.
Venceu o discurso racional, lógico e sólido, a honestidade intelectual e liberdade de consciência, provando que esta lei é mais um instrumento de luta contra a discriminação. Venceu o estado laico e a secularidade do código civil.
Um fato importante é que apesar de ser uma iniciativa de duas parlamentares da esquerda, Silvia Augsburger e Vilma Ibarra, parlamentares de todas as matizes ideológicas e partidárias votaram e foram a favor do projeto.
Para ficar na história, seguem alguns dos argumentos a favor apresentados por parlamentares da situação e da oposição:
Ao apoiar a mudança, o líder do bloco da oposição radical, Gerardo Morales, afirmou que "chegou a hora de sancionar normas que se adaptem a novos modelos de vínculos familiares" e relembrou a existência de "modelos de famílias diferentes (aos) que tínhamos há 30 ou 40 anos". Segundo ele, apesar das polêmicas e disputas, "ganhou o debate cultural" no país, diante da participação da sociedade na discussão.
O senador socialista Rubén Giustiniani, que votou a favor da lei, disse que o perfil da sociedade argentina mudou e por isso era o momento da aprovação do texto. Segundo ele, dados oficiais indicam que 59% das famílias argentinas já não atendem ao perfil tradicional de pai, mãe e filhos. Mas de mães solteiras, casais separados e casais homossexuais.
"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez na Argentina se legisla para as minorias", afirmou o senador Miguel Pichetto, líder do bloco do governo, acrescentando que "aqui não haverá mais casamentos do mesmo sexo só porque aprovamos esta lei. O objetivo desta norma é eliminar a discriminação".
A senadora Victoria Blanca Osuna defendeu: "as questões que estão em jogo nesse projeto não são religiosas ou morais. Nós estamos perguntando a nós mesmos a responsabilidade da democracia com as minorias discriminadas".
Nas palavras do senador Eduardo Torres, "a única diferença entre gays e heterossexuais é que eles têm menos direitos na sociedade argentina. Nós não podemos aceitar a discriminação que ocorre em várias partes da sociedade.”
Já o senador Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico. O Estado argentino passou a reconhecer a mudança social, e a projetou juridicamente.”
A senadora Maria Eugenia Estenssoro, da opositora Coalición Cívica, argumentou que o projeto é "necessário" para os casais do mesmo sexo. "Esta lei permitirá que os homossexuais possam assumir publicamente suas relações."
Com certeza, a comunidade LGBT brasileira está com “uma certa inveja arco-íris”. Aqui estamos sendo menos ousados, estamos pedindo somente a união estável, e mesmo assim estamos tendo a maior dificuldade com fundamentalistas religiosos. Vamos analisar e discutir esta nova conjuntura.
Não vamos desistir. Vamos nos inspirar na Argentina. Vocês venceram uma etapa importantíssima, agora sejam felizes e continuem lutando para mudar a cultura. A mudança das leis não quer dizer a mudança de cultura.
Para quem não foi escravo, a libertação da escravatura foi um fato histórico relevante. Mas para quem era escravo, foi a melhor coisa que aconteceu. Da mesma forma para nós LGBT, a aprovação do Casamento Civil é a abolição de uma das tantas discriminações imposta à nossa comunidade.
No Brasil pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira são negados aos homossexuais. Para isto, há uma possibilidade que a união civil poderá chegar aqui também, a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que deve examinar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132-RJ e a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277, nas quais se argumenta que negar o direito de união às pessoas do mesmo sexo viola os princípios constitucionais de igualdade. Nisto, já temos apoio do Presidente Lula e da Advocacia Geral da União.
É um absurdo que a essa altura da história nossa sociedade ainda esteja discutindo se deve ou não universalizar os direitos. Mas, apesar do poder de grupos religiosos fundamentalistas contrários à mudança, mais cedo ou mais tarde, a lei será aprovada no Brasil também, garantindo dignidade e combatendo a discriminação.
Como o Presidente Lula falou na abertura da I Conferência Nacional LGBT, “Ninguém pergunta a orientação sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo?”
A querida aliada presidente Cristina Kirchner resumiu tudo, estamos felizes e satisfeitos com a vitória.
Esta vitória mudou o mapa da região, vejam em anexo. (ACIMA)
Amores iguais, direitos iguais, nem menos, nem mais. Que viva a cidadania plena, sem discriminação de qualquer natureza. Que viva a Argentina, e que continue dando exemplo para o mundo de como devem ser tratadas as pessoas LGBT.
* Toni Reis
- convive com seu marido há 20 anos
- especialista em sexualidade humana
- mestre em ética e sexualidade
- doutorando em educação
- presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
- diretor da Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina e no Caribe
quarta-feira, 7 de julho de 2010
VIDA SIMPLES - Viva a Diferença!
Pra quem não leu a Vida Simples que tratou de diversidade e tolerância, segue o link para a Revista.
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Enquanto nossa seleção perdia para a Holanda na Copa do Mundo 2010, a ONU criava uma nova estrutura para o empoderamento das mulheres.
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Princípios de Empoderamento das Mulheres UNIFEM e Global Compact
O UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e o Pacto Global lançaram em março uma iniciativa mundial visando a mobilização do mundo empresarial em torno dos direitos humanos das mulheres. Trata-se dos Princípios de Empoderamento das Mulheres.
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Morre brutalmente assassinado um adolescente de 14 anos por crime de ódio a homossexuais.
A valorização da diversidade nas empresas, numa sociedade tão dividida, produz impactos positivos não apenas na gestão dos negócios, mas em toda a comunidade. Gestores estão atentos ao fato de que há entre seus funcionários membros de gangues ou de grupos violentos contra negros, nordestinos, gays, prostitutas, entre outros?
O assassinato deste jovem de 14 anos faz pensar sobre ações no cotidiano da gestão empresarial que poderiam trabalhar melhor a qualidade das relações, princípios e valores da organização. É correto permitir que um funcionário expresse livremente seu ódio a homossexuais? Eu lido com isso com frequência e fico espantando com a conivência das empresas em relação a seus colaboradores racistas, machistas, homofóbicos...
Porque essa tolerância com discursos de ódio, que podem, afinal, expressar práticas de ódio dentro da própria empresa ou na comunidade? Essa tolerância não pode ter como desculpa o respeito à diversidade de pensamentos, já que há princípios organizacionais, em geral, muito claros, convivendo com princípios legais e uma normativa internacional de direitos humanos em relação aos quais as empresas assumem compromissos públicos para poder operar.
Políticas de valorização da diversidade ajudam, mas gestores têm uma responsabilidade importante ao identificar dificuldades de seus subordinados neste tema. Práticas de formação, discussões aprofundadas sobre o valor da diversidade e os riscos de práticas de discriminação negativa, favorecem a ampliação da consciência, mas também deixam evidentes os limites colocados pela empresa, o que é aceitável e o que é inaceitável.
Há empresas que dizem que esse tipo de violência sofrida pelo jovem de apenas 14 anos é mais um dos problemas que a sociedade deve resolver. Sociedade? E a organização não faz parte dela? Há outras que afirmam, por meio de seus líderes, que trata-se de uma questão cultural, como se nada pudesse ser feito para transformá-la numa cultura de apreço, valorização e promoção da diversidade. Pequenos gestos podem produzir efeitos muito positivos na cultura interna e na cultura da sociedade.
O mesmo colaborador que expressa ódio aos homossexuais pode ser aquele que coloca a empresa em risco em relação a práticas anti-éticas, corruptas, de boicote à qualidade das relações com clientes, fornecedores, comunidades, imprensa, sindicatos, acionistas e governos, entre outros stakeholders.
Os assassinos de adolescentes homossexuais podem estar trabalhando dentro de sua imensa e poderosa organização, com um marca internacionalmente conhecida. Que direito os gestores omissos têm de colocar o trabalho sério de tanta gente em situação de risco? Que direito têm de se calar e nada fazerem quando alguém demonstra que seu ódio no discurso pode expressar crimes de ódio na comunidade? Onde quer que você esteja, seja qual for sua atividade e ou nível de poder, aja, faça algo para ajudar o mundo a ser mais inclusivo, respeitoso e promotor da pluralidade.
Direitos Fundamentais LGBT: Morre brutalmente assassinado uma criança de 14 anos de idade, motivado pelo ÓDIO aos HOMOSSEXUAIS!
domingo, 20 de junho de 2010
Folha de S.Paulo - A ditadura do crime de ódio
O deputado Carlos Giannazi, do PSOL, respondeu hoje na Folha ao artigo publicado pelo vereador Carlos Apolinário no mesmo jornal. Aos que ainda tentam disfarçar atentados aos direitos humanos com argumentos "democráticos", Giannazi responde de maneira muito didática e com foco na valorização da diversidade.
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
O site JusBrasil é um portal de notícias da justiça brasileira e muito acessado por aqueles que trabalham na área do direito. Ele trouxe a notícia abaixo, que foi também publicada no Portal do Geledés, boletim de 20 de junho de 2010.
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Machismo mata!
O Portal do Geledés escolheu a foto deste homem sarado para falar sobre como os homens vivem menos porque cuidam pouco da saúde.
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
sábado, 19 de junho de 2010
Palas Athena
Dia 15 de julho estou no Palas Athena conversando sobre diversidade. Segue link para a programa completa e a proposta da minha apresentação.
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Diversidade humana e biodiversidade - Revista Página 22
A Revista Página 22 de junho traz um artigo muito interessante e demonstra o esforço da revista por trazer às discussões e práticas de desenvolvimento sustentável a dimensão humana. Tarefa difícil porque parece que estamos falando apenas de meio ambiente. Uma confusão terrível para o desenvolvimento sustentável porque separa o que está unido no mesmo planetinha azul chamado Terra.
Vejam trechos do artigos: "Assim como as espécies, variantes culturais desaparecem da face da Terra num ritmo acelerado e irreversível. As línguas, expressão máxima do conhecimento e dos valores de uma determinada cultura, extinguem-se na velocidade de uma a cada duas semanas, segundo o projeto Enduring Voices, da revista National Geographic. A projeção é de que, até o final do século, metade das 7 mil línguas faladas hoje terá desaparecido (leia mais em “Letra Morta”, texto da coluna de Regina Scharf, à edição 39).
Dá até para especular que o declínio dos recursos naturais tenha algo a ver com isso. Um relatório produzido pela Unesco, em 2002, aponta que os ambientes mais biodiversos do mundo têm também a maior diversidade linguística. Simples assim: quanto mais elementos disponíveis no ambiente, mais os humanos geram palavras para denominá-los. Isso não se restringe às populações tradicionais. Basta lembrar-se do repertório da gastronomia, ou mesmo dos fitoterápicos, comum a todos nós: dendê, tucupi, pequi, camomila, boldo, erva-cidreira… Por aí vai a alquimia de ingredientes que compõem a diversidade biológica e cultural brasileira.
(...)“A preservação e o uso duráveis da diversidade biológica reforçarão as relações amigáveis entre os Estados e contribuirão com a paz da humanidade” – Convenção sobre a Diversidade Biológica, 1992, assinada por 156 países
“O respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e entendimento mútuos, está entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais” – Convenção sobre a Diversidade Cultural, 2005, assinada por 148 países"
Artigo e revista inteira no link: Espelho meu « Página 22
terça-feira, 15 de junho de 2010
MEU AMIGO CLAUDIA
Assisti este fim de semana o DVD que Claudia Wonder me deixou na sexta-feira. "Meu Amigo Claudia" é um documentário sobre a Claudia e também sobre o nosso país.
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
quarta-feira, 9 de junho de 2010
17 de Maio - Dia Nacional de Combate à Homofobia - PL 7052/06
Presidente Lula decreta dia 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia. O ato ocorreu na véspera da 14a. Parada LGBT de São Paulo, de acordo com a ABGLT.
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Atores e executivos homossexuais: sair ou não do armário?
A Parado do Orgulho LGBT 2010 será neste domingo e o assunto do momento é este mesmo: orgulho LGBT.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Câmara de Comércio GLS
A Câmara de Comércio GLS do Brasil está funcionando a pleno vapor.
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Entrevista para Revista Vivendo - Sustentabilidade: aspectos sociais
A revista Vivendo, da UNIMED de Amparo, está com matérias sobre sustentabilidade com base nos pilares econômico, ambiental e social.
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
O Instituto Ethos publicou hoje meu artigo "O importante é a diversidade de ideis?", publicado originalmente no Portal do Geledés.
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
Segue link para site do Ethos com boletim e o artigo.
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
Segue link para site do Ethos com boletim e o artigo.
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
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