Carolina Lauriano e Nathália Duarte Do G1, no Rio e em São Paulo
29/04/2011 10h00 - Atualizado em 29/04/2011 10h10
Censo 2010 contabiliza mais de 60 mil casais homossexuais
Resultados preliminares foram divulgados nesta sexta-feira (29), pelo IBGE.
País tem 37,5 milhões de pessoas que vivem com cônjuges do sexo oposto.
O Brasil tem mais de 60 mil casais homossexuais, segundo dados preliminares do Censo Demográfico 2010, divulgados nesta sexta-feira (29). Essa foi a primeira edição do recenseamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a contabilizar a população residente com cônjuges do mesmo sexo.
Ainda de acordo com os resultados preliminares, 37.487.115 pessoas vivem com cônjuges do sexo oposto.
Em números absolutos, a região com mais casais homossexuais é o Sudeste, que abriga 32.202 casais, seguida pelo Nordeste, com 12.196 casais. O Norte tem o menor número de casais do mesmo sexo: 3.429, seguido do Centro-Oeste, com 4.141. A Região Sul tem pouco mais de 8 mil casais homossexuais. Entre os estados, São Paulo é o que tem a maior quantidade de casais homossexuais (16.872) e Roraima é o que tem menos, com apenas 96 casais que se declararam homossexuais.
Nesta sexta, o IBGE também divulgou a Sinopse do Censo Demográfico 2010, que apresenta os primeiros resultados definitivos do último recenseamento. Alguns números divulgados preliminarmente em novembro de 2010 foram ajustados, a exemplo do total da população, com a inclusão de estimativas sobre a população dos domicílios considerados fechados durante a coleta de dados.
Os censos demográficos são realizados no Brasil a cada dez anos. Participaram desta edição, segundo o IBGE, cerca de 230 mil recenseadores, supervisores, agentes censitários e analistas censitários. A coleta do Censo 2010 foi realizada entre 1º de agosto e 30 de outubro de 2010.
Grau de parentesco
Dos 67,5 milhões de domicílios recenseados, mais de 57 milhões são considerados particulares e têm ao menos uma pessoa apontada como responsável pelos demais moradores da casa.
Sobre o grau de parentesco dos residentes em domicílios particulares com relação ao responsável pelo domicílio, o levantamento preliminar aponta que, 71.279.012 brasileiros são filhos ou enteados que moram com os pais; 9.123.939 são netos ou bisnetos; 12.771.453 tem outro grau de parentesco; e 1.924.250 não possuem nenhum grau de parentesco com os demais moradores do domicílio.
“Um morador de cada domicílio respondeu ao questionário e enumerou o grau de parentesco de cada morador do domicílio. Quem é o responsável, o cônjuge, o filho, o neto e demais parentescos que podem aparecer”, explica a demógrafa Leila Ervatti, do IBGE.
fonte http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/censo-2010-contabiliza-mais-de-60-mil-casais-homossexuais.html
Este é um blog sobre valorização da diversidade que também reúne artigos, notícias, comentários e informações variadas sobre o tema e suas interfaces com sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Estou também reunindo aqui (quase) tudo que sai publicado com minha participação, como artigos, entrevistas, livros, notícias, facilitando que sejam encontrados em um só lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli
sexta-feira, 29 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Homenagem ao professor Antonio Carlos Gomes da Costa
05/04/2011
Professor Antonio Carlos é homenageado
Evento em memória do pedagogo, que faleceu há um mês, relembrou suas contribuições na área social e emocionou os presentes
Do Portal Pró-Menino
O professor Antonio Carlos Gomes da Costa, falecido há um mês, recebeu uma homenagem carinhosa de amigos e organizações do terceiro setor na última segunda-feira (04/04) em São Paulo. O evento, organizado pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), Fundação Itaú Social e Txai Consultoria e Educação, relembrou as contribuições do professor e emocionou os presentes.
“Homenagear é uma forma de agradecer ao nosso mestre e, ao mesmo tempo, manter suas idéias atualizadas”, destacou o amigo Reinaldo Bulgarelli, da Txai Consultoria e Educação. “São muitos os temas em que o Antonio contribuiu. Desenvolvimento humano, direitos humanos, voluntariado, terceiro setor, direitos da criança e da juventude... Homenagear é rememorar essas muitas contribuições”, afirmou emocionado.
“É uma dor e, ao mesmo tempo, uma saudade muito grande. Mas ele falava que quando partisse do plano existencial, gostaria de continuar trabalhando. E a gente vê nesse grupo, nesses parceiros, pessoas influenciadas por ele que continuarão agindo”, destacou o irmão Alfredo Carlos Gomes da Costa. Ao lado da esposa de Antonio Carlos, Maria José Gomes da Costa, Alfredo e o sobrinho Mauro Roberto Ribeiro Pinto representaram a família do homenageado.
Maria Alice Setubal, presidente do Conselho de Administração do Cenpec, destacou que homenagens como essas devem existir sempre, para continuar reunindo pessoas influenciadas pelo pensamento e obra do pedagogo. “Aqui se falou de suas múltiplas contribuições. Para o Cenpec, por exemplo, ele foi um grande parceiro, que nos trouxe a importância de se pensar a escola”.
Estiveram presentes amigos como Antonio Jacinto Matias, da Fundação Itaú Social; Daniela Pavan, que representou Sergio Mindlin, da Fundação Telefônica; Fernando Rossetti, do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas); Helio Mattar, do Instituto Akatu; Franscisco de Assis Azevedo da Camargo Corrêa; Evelyn Iorshpe, da Fundação Iorshpe, entre outros. Outros parceiros não puderam comparecer, mas enviaram suas homenagens, como a ABMP (Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude) e o advogado Edson Sêda.
Leia aqui o agradecimento de Maria José, esposa do professor
Leia também homenagem do amigo Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica
Confira especial do Portal Pró-Menino em homenagem ao professor
Fonte: Publicado dia 05 de abril no Portal Pró-Menino - Fundação Telefônica -
quinta-feira, 10 de março de 2011
Salário das mulheres cai em relação ao dos homens
Canal RH
Salário das mulheres cai em relação ao dos homens
quinta-feira, 10 de março de 2011
por Lígia Carvalho
Estudo realizado pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese), na região metropolitana de São Paulo, revela que o salário médio das mulheres caiu de 79,8% para 75,2% em relação ao dos homens no comparativo entre 2009 e 2010, rompendo a tendência de equiparação dos salários por gênero que ocorria desde 2000, quando o salário feminino era 73,6% do masculino.
O coordenador da pesquisa, Alexandre Jorge Loloian, da Fundação Seade, acredita, entretanto, que a primeira década do século 21 foi positiva para as mulheres. Ele atribui o aumento da desigualdade salarial entre os sexos, principalmente ao crescimento econômico mais concentrado na indústria, nos últimos anos. Loloian explica que a indústria é o setor que paga os melhores salários e é também predominantemente masculino e como foi o setor que mais cresceu, acabou contribuindo para o desequilíbrio da remuneração por gênero.
Ele admite que ainda há um longo caminho a se trilhar em favor da igualdade entre os gêneros no mercado laboral, mas ressalta que o processo está em andamento, principalmente no que tange às profissões que exigem formação superior. “O número de profissionais femininas com escolaridade superior é de 53,6% da população pesquisada, enquanto os homens com diploma universitário somam 51,3%”, informa o coordenador.
A pesquisa revela que o percentual de população com nível superior completo na região metropolitana de São Paulo saltou de 11,7%, em 2000, para 15% em 2010, sendo que entre as mulheres esse percentual é ainda maior: 17,1% das profissionais na região pesquisada completaram curso superior, enquanto os apenas 13% dos homens alcançaram o mesmo patamar acadêmico.
Serviço doméstico
Outro aspecto que demonstra as melhorias no mercado laboral para as mulheres é o fato da taxa de desemprego feminino estar em queda. De 2009 para 2010, o desemprego feminino caiu de 16,2% para 14,7%, com aumento de oportunidades em todas as áreas, exceto no serviço doméstico, que é o de remuneração mais baixa e com menor nível de formalidade (carteiras assinadas).
“A redução do número de mulheres no setor doméstico foi surpreendente. O cenário mudou, o número de mulheres em serviços especializados com engenharia, advocacia e arquitetura aumentou e não para de crescer a quantidade de mulheres que ocupam vagas antes consideradas masculinas”, observa Loloian.
Na opinião de Andrea Marcelino, sócia da Ramagui, consultoria em recursos humanos, apesar da emancipação feminina e do forte desenvolvimento profissional das mulheres, ainda há uma série de desigualdades, principalmente em cargos médios. A consultora acredita que a diferença de salários não ocorre por questões profissionais, mas está relacionada com heranças culturais.
“Contrato pessoas para cargos executivos há 15 anos, nunca observei uma diminuição de salário pelo fato da profissional ser mulher; por outro lado, em posições de menor responsabilidade essa diferença ocorre e creio que é um reflexo do passado, do tempo em que as mulheres tinham um papel mais voltado para as relações familiares”, comenta.
Ao analisar o fato de hoje haver mais mulheres com curso superior do que homens, a consultora ressalta o esforço das profissionais femininas em superar o preconceito no ambiente laboral para ocupar os postos de nível hierárquico mais elevado. “O preconceito diminui quando a mulher apresenta qualificações técnicas acima da média encontrada”, destaca Andrea.
A consultora admite, entretanto, que ainda é grande a preocupação com licenças maternidade, saídas para acompanhar filhos ao médico e outras atribuições voltadas ao âmbito familiar, principalmente para cargos de menor exposição.
Salário das mulheres cai em relação ao dos homens
Salário das mulheres cai em relação ao dos homens
quinta-feira, 10 de março de 2011
por Lígia Carvalho
Estudo realizado pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese), na região metropolitana de São Paulo, revela que o salário médio das mulheres caiu de 79,8% para 75,2% em relação ao dos homens no comparativo entre 2009 e 2010, rompendo a tendência de equiparação dos salários por gênero que ocorria desde 2000, quando o salário feminino era 73,6% do masculino.
O coordenador da pesquisa, Alexandre Jorge Loloian, da Fundação Seade, acredita, entretanto, que a primeira década do século 21 foi positiva para as mulheres. Ele atribui o aumento da desigualdade salarial entre os sexos, principalmente ao crescimento econômico mais concentrado na indústria, nos últimos anos. Loloian explica que a indústria é o setor que paga os melhores salários e é também predominantemente masculino e como foi o setor que mais cresceu, acabou contribuindo para o desequilíbrio da remuneração por gênero.
Ele admite que ainda há um longo caminho a se trilhar em favor da igualdade entre os gêneros no mercado laboral, mas ressalta que o processo está em andamento, principalmente no que tange às profissões que exigem formação superior. “O número de profissionais femininas com escolaridade superior é de 53,6% da população pesquisada, enquanto os homens com diploma universitário somam 51,3%”, informa o coordenador.
A pesquisa revela que o percentual de população com nível superior completo na região metropolitana de São Paulo saltou de 11,7%, em 2000, para 15% em 2010, sendo que entre as mulheres esse percentual é ainda maior: 17,1% das profissionais na região pesquisada completaram curso superior, enquanto os apenas 13% dos homens alcançaram o mesmo patamar acadêmico.
Serviço doméstico
Outro aspecto que demonstra as melhorias no mercado laboral para as mulheres é o fato da taxa de desemprego feminino estar em queda. De 2009 para 2010, o desemprego feminino caiu de 16,2% para 14,7%, com aumento de oportunidades em todas as áreas, exceto no serviço doméstico, que é o de remuneração mais baixa e com menor nível de formalidade (carteiras assinadas).
“A redução do número de mulheres no setor doméstico foi surpreendente. O cenário mudou, o número de mulheres em serviços especializados com engenharia, advocacia e arquitetura aumentou e não para de crescer a quantidade de mulheres que ocupam vagas antes consideradas masculinas”, observa Loloian.
Na opinião de Andrea Marcelino, sócia da Ramagui, consultoria em recursos humanos, apesar da emancipação feminina e do forte desenvolvimento profissional das mulheres, ainda há uma série de desigualdades, principalmente em cargos médios. A consultora acredita que a diferença de salários não ocorre por questões profissionais, mas está relacionada com heranças culturais.
“Contrato pessoas para cargos executivos há 15 anos, nunca observei uma diminuição de salário pelo fato da profissional ser mulher; por outro lado, em posições de menor responsabilidade essa diferença ocorre e creio que é um reflexo do passado, do tempo em que as mulheres tinham um papel mais voltado para as relações familiares”, comenta.
Ao analisar o fato de hoje haver mais mulheres com curso superior do que homens, a consultora ressalta o esforço das profissionais femininas em superar o preconceito no ambiente laboral para ocupar os postos de nível hierárquico mais elevado. “O preconceito diminui quando a mulher apresenta qualificações técnicas acima da média encontrada”, destaca Andrea.
A consultora admite, entretanto, que ainda é grande a preocupação com licenças maternidade, saídas para acompanhar filhos ao médico e outras atribuições voltadas ao âmbito familiar, principalmente para cargos de menor exposição.
Salário das mulheres cai em relação ao dos homens
quarta-feira, 9 de março de 2011
Licença maternidade de 6 meses e setor privado
Licença-maternidade de 6 meses chegou a poucas gestantes do setor privado
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A licença-maternidade de seis meses já é uma realidade para as funcionárias públicas de 22 estados e 148 municípios, além do Distrito Federal. O levantamento é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), idealizadora do projeto da licença ampliada no país.
Desde 2008, as servidoras públicas federais também usufruem da licença de 180 dias, ano em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que instituiu o benefício no funcionalismo federal. No caso de estados e municípios, cada um deve fazer sua própria lei.
Mães e médicos garantem que o tempo extra ao lado do bebê é fundamental para o desenvolvimento da criança, além de garantir o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, que aumenta a defesa do organismo do recém-nascido contra doenças nos primeiros anos de vida e também na fase adulta.
“Acabei de ter meu primeiro filho. Na minha opinião, é importante esse convívio que a mãe tem com o seu filho no período de seis meses para dar mais atenção”, disse Floriza de Almeida, 35 anos, técnica em radiologia de um hospital público no Distrito Federal.
A licença ampliada ainda não chegou a todas as gestantes que trabalham no setor privado. A lei atual prevê que a concessão dos salários dos dois meses extras é opcional para as empresas. O patrão que aderir pode descontar a despesa do imposto de renda. Os salários referentes aos primeiros quatro meses de licença, previstos na Constituição Federal, permanecem sendo pagos pelo INSS.
No entanto, somente as empresas que declaram pelo sistema de lucro real podem solicitar o incentivo fiscal. Mais de 160 mil empresas estão nesse grupo, a maioria de grande porte, conforme dados da Receita Federal até o final de 2010. Ficam de fora aquelas que declaram pelo Simples ou pelo sistema de lucro presumido – micro e pequenas empresas.
“É injusto eu ter apenas quatro meses para ficar com meu filho e não seis”, reclama a corretora Ana Lícia Nascimento, 21 anos, grávida de seis meses.
Segundo a coordenadora de Acompanhamento da Licença-Maternidade da SBP, Valdenise Martins, não há levantamento preciso da quantidade de empresas que já aderiram à licença-maternidade ampliada. As estimativas falam em 10,6 mil empresas brasileiras. Para aumentar a adesão do empresariado, a coordenadora defende que a licença se torne obrigatória para todos os setores do país.
No ano passado, o Senado aprovou a obrigatoriedade da licença-maternidade de seis meses tanto para o setor privado quanto o serviço público. O projeto foi encaminhado para votação na Câmara dos Deputados. “A gente precisa agora fazer propaganda e pressão”, disse a coordenadora.
Edição: Lílian Beraldo - Início - Agência Brasil
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A licença-maternidade de seis meses já é uma realidade para as funcionárias públicas de 22 estados e 148 municípios, além do Distrito Federal. O levantamento é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), idealizadora do projeto da licença ampliada no país.
Desde 2008, as servidoras públicas federais também usufruem da licença de 180 dias, ano em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que instituiu o benefício no funcionalismo federal. No caso de estados e municípios, cada um deve fazer sua própria lei.
Mães e médicos garantem que o tempo extra ao lado do bebê é fundamental para o desenvolvimento da criança, além de garantir o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, que aumenta a defesa do organismo do recém-nascido contra doenças nos primeiros anos de vida e também na fase adulta.
“Acabei de ter meu primeiro filho. Na minha opinião, é importante esse convívio que a mãe tem com o seu filho no período de seis meses para dar mais atenção”, disse Floriza de Almeida, 35 anos, técnica em radiologia de um hospital público no Distrito Federal.
A licença ampliada ainda não chegou a todas as gestantes que trabalham no setor privado. A lei atual prevê que a concessão dos salários dos dois meses extras é opcional para as empresas. O patrão que aderir pode descontar a despesa do imposto de renda. Os salários referentes aos primeiros quatro meses de licença, previstos na Constituição Federal, permanecem sendo pagos pelo INSS.
No entanto, somente as empresas que declaram pelo sistema de lucro real podem solicitar o incentivo fiscal. Mais de 160 mil empresas estão nesse grupo, a maioria de grande porte, conforme dados da Receita Federal até o final de 2010. Ficam de fora aquelas que declaram pelo Simples ou pelo sistema de lucro presumido – micro e pequenas empresas.
“É injusto eu ter apenas quatro meses para ficar com meu filho e não seis”, reclama a corretora Ana Lícia Nascimento, 21 anos, grávida de seis meses.
Segundo a coordenadora de Acompanhamento da Licença-Maternidade da SBP, Valdenise Martins, não há levantamento preciso da quantidade de empresas que já aderiram à licença-maternidade ampliada. As estimativas falam em 10,6 mil empresas brasileiras. Para aumentar a adesão do empresariado, a coordenadora defende que a licença se torne obrigatória para todos os setores do país.
No ano passado, o Senado aprovou a obrigatoriedade da licença-maternidade de seis meses tanto para o setor privado quanto o serviço público. O projeto foi encaminhado para votação na Câmara dos Deputados. “A gente precisa agora fazer propaganda e pressão”, disse a coordenadora.
Edição: Lílian Beraldo - Início - Agência Brasil
terça-feira, 8 de março de 2011
Dia da Mulher 2011: o que as empresas podem fazer?
Dia da Mulher 2011: o que as empresas podem fazer?
Reinaldo Bulgarelli, 08 de março de 2011
A impressão que eu tenho, talvez por trabalhar na área, é que o mundo empresarial não está acompanhando as rápidas mudanças na sociedade brasileira. Vejo isso também no mundo empresarial dos países latino-americanos. A sociedade vai na frente e as empresas nem sequer vão atrás.
Ainda não perceberam que há, por exemplo, uma oferta generosa de profissionais mulheres com formação nas mais diferentes áreas. Há mulheres engenheiras, pedreiras, eletricistas, na segurança, advogadas, na área de TI... Mas, muitas empresas ainda insistem em falar em apagão de talentos ou que não há mulheres para trabalhar numa área específica. Em geral, não acompanham dados do IBGE, MEC, IPEA e ficam com discurso incompatível para a realidade que já mudou.
Muitas empresas querem talentos, mas é como se escondessem as condições: “desde que...”. No “desde que” cabe tudo e só sobra o padrão dominante: homem, branco, adulto, sem deficiência, heterossexual, do sul. Travestis e transexuais? Nem pensar! Se há flexibilidade para alguém fora do padrão dominante, não pode ousar demais e sair do lugar. Mulheres devem cuidar das tarefas de sempre e não concorrer a vagas de engenheira, por exemplo. Isso é sair do lugar.
O que as empresas podem fazer para dar um upgrade no seu programa de gestão de pessoas? Podemos listar algumas iniciativas.
1. Sair da caixa e olhar em volta. Buscar e analisar dados sobre a população brasileira. O Brasil e vários países da América Latina estão com uma ótima oferta de indicadores que devem contribuir muito para a gestão empresarial.
2. Voltar pra caixa e olhar para dentro. Realizar censos internos (ver material produzido pela Txai Consultoria e Educação para o Instituto Ethos) é uma boa forma de conhecer a realidade. Nela, em geral, já estão as soluções. Ao olhar para dentro, em geral percebe-se um desperdício de talentos, como mulheres com mais tempo de empresa e mais anos de escolaridade preteridas na carreira por serem mulheres. É preciso dar visibilidade a estas mulheres e programas de mentoring estão ajudando muito nisso, pois ajudam a acelerar a preparação das mulheres ao mesmo tempo em que as torna visíveis e, portanto, a serem consideradas numa próxima promoção.
3. Assumir um posicionamento em relação às desigualdades encontradas fora e dentro da empresa. Quem assiste a banda passar e diz que não tem nada a ver com isso tende a perder os melhores profissionais para quem arregaça as mangas e entende seu papel na história e na sociedade onde a empresa está inserida. Se há injustiças, porque não corrigi-las? Se há barreiras na sociedade ou dentro da empresa, porque não enfrentá-las?
4. Assumir um posicionamento em relação à diversidade. Ou ela é um valor ou não é. Há quem diga que o valor é o mérito, mas costumam ser os mesmos que discriminam a mulher e escolhem sempre pela parecença consigo mesmo e não pelo mérito. E a diversidade não tem mérito, não é uma característica que pode adicionar valor? Se não acredita nisso, continue no processo de clonagem e produzindo mesmice. Se a empresa acredita no valor da diversidade, deve enfrentar barreiras, promover equidade e ter gosto pela diversidade para compor equipes caracterizadas por ela. Equipes só de mulheres ou só de homens, por exemplo, é um atentado à saúde de todos e um risco para os negócios.
Quatro passos bastam para começar. Mas e o machismo? Ele é a ideologia que sustenta essas relações de desigualdade em todos os sentidos, mas pode não resistir a um ambiente de trabalho inclusivo que promove equidade, oportunidades iguais. O machismo, que mora em todos os lugares, incluindo a cabeça das mulheres, tende a ficar muito incomodado quando vê gestores levando a diversidade a sério.
Cotas ou não cotas para as mulheres? Eu defendo as cotas porque são uma forma de acelerar os processos de mudança. Se as empresas estão atrasadas em relação a uma mudança que já ocorreu na sociedade, com tudo que isso pode impactar outras áreas da gestão empresarial, como a relação com clientes, produtos, serviços, atendimento, marketing, comunicação etc., as cotas podem ser um bom remédio. Mas o que se entende por cotas?
Em geral, há tanta coisa para ser feita antes das cotas que vale a pena considerar os passos acima. Retirar barreiras fazendo uma boa revisão dos processos de gestão é um passo que costuma não causar tantas polêmicas. Por exemplo, diversificar fontes de recrutamento e seleção; colocar critérios claros para gestores e impedi-los de colocar a empresa em risco, seja na contração, na gestão cotidiana ou na demissão; perguntar (não ofende!) porque as mulheres não foram escolhidas e apenas os homens e assim por diante.
Vamos pegar um exemplo. Se há uma vaga para alguém formado em engenharia, comece por cuidar da linguagem. Por que anunciar vaga para engenheiro ao invés de profissional de engenharia ou termos mais neutros? A sociedade é sensível a isso e meninas podem sonhar em fazer engenharia só com essa simples atitude. Vagas masculinas com cara de masculinas e anúncios masculinos vão atrair homens.
Onde a vaga será anunciada? Nos lugares de sempre e da maneira de sempre? Por que não criar um processo diferente, mesmo que seja nos lugares de sempre? Que tal deixar claro para a comunidade o interesse da empresa em diversidade ou, explicitamente, em mulheres? Isso não é crime, pelo contrário, é uma grande contribuição à justiça. Estudantes universitárias de engenharia, das mais diferentes áreas, reclamam mais atenção já que perceberam ao longo dos anos de escola que os homens têm mais vez.
Se há 10 candidatos para a vaga, sendo 9 homens e 1 mulher, como gerenciar as etapas da seleção de forma que essas características dos candidatos sejam consideradas? Em geral, fecha-se os olhos na busca do melhor, sem perceber que o machismo produz seus estragos na almejada meritocracia. Nem quero entrar no debate sobre meritocracia, apenas denunciar que ela é uma falácia quando despreza características dos candidatos, ignora aspectos ideológicos ou culturais que podem estar contaminando a análise de mérito. A discriminação significa ineficiência para as empresas, além dos prejuízos para a sociedade.
Mas a candidata mulher deverá necessariamente ser aprovada? Claro que não, mas só de considerá-la, não fingir que se está em busca de “mão-de-obra” sem olhar para as pessoas que estão ali, já é um passo importante para enfrentar a contaminação dos processos pelo machismo. Na verdade, quando se considera a diversidade um valor, o melhor será escolhido.
Outro exemplo de barreira para as mulheres é quando a excluem a priori em nome da força. Dizem que uma atividade não pode ser para mulheres porque precisa de força. Se o processo de recrutamento e seleção coloca foco na força e não no sexo, com certeza terá abertura para escolher homens e mulheres fortes, esses serem incríveis que carregam até 23 quilos, conforme estabelece a lei. Mais que isso é ilegal e perigoso para a saúde dos empregados e da empresa.
Nestes exemplos acima não houve nenhuma meta, nem cota, nem flexibilidade ou condescendência para com os mais fracos, menos preparados, sem condições de assumir as atividades. Pelo contrário, retirar barreiras aproxima as empresas dos melhores talentos, cria ambiente interno mais inclusivo e respeitoso porque a sensação de justiça alimenta um clima e cultura de inovação e fortalece o engajamento.
Investir em comunicação, constituir grupos de trabalho para conversar e propor soluções sobre questões de gênero, realizar eventos, ter contato com especialistas e referências já existentes no mercado, são exemplos de ações que também não envolvem cotas e podem produzir ótimos resultados.
Não tem paciência e precisa de resultados rápidos? Cotas são a melhor solução. Elas fazem esse caminho acima no sentido inverso. Forçam revisão de processos, a retirada de barreiras, o investimento em transformação cultural, as conversas sobre os estragos do machismo e tudo mais. Não há valorização da diversidade sem ações afirmativas. É discurso vazio que elogia e mantém distante a diversidade. Também não há a construção de uma sociedade melhor apenas com ações afirmativas centradas em cotas. Elas são parte de algo maior e surgem para enfrentar o machismo de maneira certeira, rápida e efetiva.
Gestores de pessoas, executivos, equipes de recursos humanos, gente interessada em negócios bem feitos e sustentáveis, o dia da mulher é um convite para pensar como agir diante de uma empresa percebida como masculina, masculinizada e masculinizante. Pode ser um dia ou semana para dar bombons, flores, mas dar oportunidades iguais é o melhor presente. E é para todos e todas!
Reinaldo Bulgarelli, 08 de março de 2011
A impressão que eu tenho, talvez por trabalhar na área, é que o mundo empresarial não está acompanhando as rápidas mudanças na sociedade brasileira. Vejo isso também no mundo empresarial dos países latino-americanos. A sociedade vai na frente e as empresas nem sequer vão atrás.
Ainda não perceberam que há, por exemplo, uma oferta generosa de profissionais mulheres com formação nas mais diferentes áreas. Há mulheres engenheiras, pedreiras, eletricistas, na segurança, advogadas, na área de TI... Mas, muitas empresas ainda insistem em falar em apagão de talentos ou que não há mulheres para trabalhar numa área específica. Em geral, não acompanham dados do IBGE, MEC, IPEA e ficam com discurso incompatível para a realidade que já mudou.
Muitas empresas querem talentos, mas é como se escondessem as condições: “desde que...”. No “desde que” cabe tudo e só sobra o padrão dominante: homem, branco, adulto, sem deficiência, heterossexual, do sul. Travestis e transexuais? Nem pensar! Se há flexibilidade para alguém fora do padrão dominante, não pode ousar demais e sair do lugar. Mulheres devem cuidar das tarefas de sempre e não concorrer a vagas de engenheira, por exemplo. Isso é sair do lugar.
O que as empresas podem fazer para dar um upgrade no seu programa de gestão de pessoas? Podemos listar algumas iniciativas.
1. Sair da caixa e olhar em volta. Buscar e analisar dados sobre a população brasileira. O Brasil e vários países da América Latina estão com uma ótima oferta de indicadores que devem contribuir muito para a gestão empresarial.
2. Voltar pra caixa e olhar para dentro. Realizar censos internos (ver material produzido pela Txai Consultoria e Educação para o Instituto Ethos) é uma boa forma de conhecer a realidade. Nela, em geral, já estão as soluções. Ao olhar para dentro, em geral percebe-se um desperdício de talentos, como mulheres com mais tempo de empresa e mais anos de escolaridade preteridas na carreira por serem mulheres. É preciso dar visibilidade a estas mulheres e programas de mentoring estão ajudando muito nisso, pois ajudam a acelerar a preparação das mulheres ao mesmo tempo em que as torna visíveis e, portanto, a serem consideradas numa próxima promoção.
3. Assumir um posicionamento em relação às desigualdades encontradas fora e dentro da empresa. Quem assiste a banda passar e diz que não tem nada a ver com isso tende a perder os melhores profissionais para quem arregaça as mangas e entende seu papel na história e na sociedade onde a empresa está inserida. Se há injustiças, porque não corrigi-las? Se há barreiras na sociedade ou dentro da empresa, porque não enfrentá-las?
4. Assumir um posicionamento em relação à diversidade. Ou ela é um valor ou não é. Há quem diga que o valor é o mérito, mas costumam ser os mesmos que discriminam a mulher e escolhem sempre pela parecença consigo mesmo e não pelo mérito. E a diversidade não tem mérito, não é uma característica que pode adicionar valor? Se não acredita nisso, continue no processo de clonagem e produzindo mesmice. Se a empresa acredita no valor da diversidade, deve enfrentar barreiras, promover equidade e ter gosto pela diversidade para compor equipes caracterizadas por ela. Equipes só de mulheres ou só de homens, por exemplo, é um atentado à saúde de todos e um risco para os negócios.
Quatro passos bastam para começar. Mas e o machismo? Ele é a ideologia que sustenta essas relações de desigualdade em todos os sentidos, mas pode não resistir a um ambiente de trabalho inclusivo que promove equidade, oportunidades iguais. O machismo, que mora em todos os lugares, incluindo a cabeça das mulheres, tende a ficar muito incomodado quando vê gestores levando a diversidade a sério.
Cotas ou não cotas para as mulheres? Eu defendo as cotas porque são uma forma de acelerar os processos de mudança. Se as empresas estão atrasadas em relação a uma mudança que já ocorreu na sociedade, com tudo que isso pode impactar outras áreas da gestão empresarial, como a relação com clientes, produtos, serviços, atendimento, marketing, comunicação etc., as cotas podem ser um bom remédio. Mas o que se entende por cotas?
Em geral, há tanta coisa para ser feita antes das cotas que vale a pena considerar os passos acima. Retirar barreiras fazendo uma boa revisão dos processos de gestão é um passo que costuma não causar tantas polêmicas. Por exemplo, diversificar fontes de recrutamento e seleção; colocar critérios claros para gestores e impedi-los de colocar a empresa em risco, seja na contração, na gestão cotidiana ou na demissão; perguntar (não ofende!) porque as mulheres não foram escolhidas e apenas os homens e assim por diante.
Vamos pegar um exemplo. Se há uma vaga para alguém formado em engenharia, comece por cuidar da linguagem. Por que anunciar vaga para engenheiro ao invés de profissional de engenharia ou termos mais neutros? A sociedade é sensível a isso e meninas podem sonhar em fazer engenharia só com essa simples atitude. Vagas masculinas com cara de masculinas e anúncios masculinos vão atrair homens.
Onde a vaga será anunciada? Nos lugares de sempre e da maneira de sempre? Por que não criar um processo diferente, mesmo que seja nos lugares de sempre? Que tal deixar claro para a comunidade o interesse da empresa em diversidade ou, explicitamente, em mulheres? Isso não é crime, pelo contrário, é uma grande contribuição à justiça. Estudantes universitárias de engenharia, das mais diferentes áreas, reclamam mais atenção já que perceberam ao longo dos anos de escola que os homens têm mais vez.
Se há 10 candidatos para a vaga, sendo 9 homens e 1 mulher, como gerenciar as etapas da seleção de forma que essas características dos candidatos sejam consideradas? Em geral, fecha-se os olhos na busca do melhor, sem perceber que o machismo produz seus estragos na almejada meritocracia. Nem quero entrar no debate sobre meritocracia, apenas denunciar que ela é uma falácia quando despreza características dos candidatos, ignora aspectos ideológicos ou culturais que podem estar contaminando a análise de mérito. A discriminação significa ineficiência para as empresas, além dos prejuízos para a sociedade.
Mas a candidata mulher deverá necessariamente ser aprovada? Claro que não, mas só de considerá-la, não fingir que se está em busca de “mão-de-obra” sem olhar para as pessoas que estão ali, já é um passo importante para enfrentar a contaminação dos processos pelo machismo. Na verdade, quando se considera a diversidade um valor, o melhor será escolhido.
Outro exemplo de barreira para as mulheres é quando a excluem a priori em nome da força. Dizem que uma atividade não pode ser para mulheres porque precisa de força. Se o processo de recrutamento e seleção coloca foco na força e não no sexo, com certeza terá abertura para escolher homens e mulheres fortes, esses serem incríveis que carregam até 23 quilos, conforme estabelece a lei. Mais que isso é ilegal e perigoso para a saúde dos empregados e da empresa.
Nestes exemplos acima não houve nenhuma meta, nem cota, nem flexibilidade ou condescendência para com os mais fracos, menos preparados, sem condições de assumir as atividades. Pelo contrário, retirar barreiras aproxima as empresas dos melhores talentos, cria ambiente interno mais inclusivo e respeitoso porque a sensação de justiça alimenta um clima e cultura de inovação e fortalece o engajamento.
Investir em comunicação, constituir grupos de trabalho para conversar e propor soluções sobre questões de gênero, realizar eventos, ter contato com especialistas e referências já existentes no mercado, são exemplos de ações que também não envolvem cotas e podem produzir ótimos resultados.
Não tem paciência e precisa de resultados rápidos? Cotas são a melhor solução. Elas fazem esse caminho acima no sentido inverso. Forçam revisão de processos, a retirada de barreiras, o investimento em transformação cultural, as conversas sobre os estragos do machismo e tudo mais. Não há valorização da diversidade sem ações afirmativas. É discurso vazio que elogia e mantém distante a diversidade. Também não há a construção de uma sociedade melhor apenas com ações afirmativas centradas em cotas. Elas são parte de algo maior e surgem para enfrentar o machismo de maneira certeira, rápida e efetiva.
Gestores de pessoas, executivos, equipes de recursos humanos, gente interessada em negócios bem feitos e sustentáveis, o dia da mulher é um convite para pensar como agir diante de uma empresa percebida como masculina, masculinizada e masculinizante. Pode ser um dia ou semana para dar bombons, flores, mas dar oportunidades iguais é o melhor presente. E é para todos e todas!
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Dia Internacional da Pessoa com Deficiência 2010
Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
Reinaldo Bulgarelli (postado em 06 de dezembro de 2010)
A ONU definiu o dia 03 de dezembro como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, data que lembra ao mundo que todos precisamos trabalhar por uma sociedade mais inclusiva por meio de comportamentos mais inclusivos. A ONU estima que 10% da população mundial possua algum tipo de deficiência.
A diferença se transforma em motivo para desigualdades intoleráveis. Estima-se também que 20% dos pobres do mundo possuam algum tipo de deficiência. São pessoas que possuem algum tipo de deficiência porque são pobres ou são pobres porque possuem algum tipo de deficiência? É um círculo vicioso que uma sociedade inclusiva pode tornar em um círculo virtuoso com algum entendimento sobre a diversidade humana.
A imagem de 1490 do Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci, ficou em nossa cabeça para definir um padrão de normalidade que não corresponde à diversidade humana. Não somos apenas aquele homem com suas medidas “perfeitas” a definir a forma de construir mundos, realidades, toda uma arquitetura que desconsidera a realidade e cria privilégios para alguns de nós. Chamo de “davincismo” as práticas de discriminação contra pessoas com deficiência porque na base dela está essa desconsideração da diversidade humana. Legislações inclusivas são tidas como geradoras de privilégios. Na verdade, estão corrigindo um passado de exclusão e construindo um futuro de consideração pela diversidade humana.
Privilégio é o que favorece quem se beneficia de uma situação injusta. Incluir não gera privilégios. Deve gerar justiça. Olhar por esse ângulo ajudaria muito no engajamento das pessoas sem deficiência para trabalharem cada vez mais por uma sociedade mais inclusiva no futuro, mas que assume sua responsabilidade em relação ao que herdamos das gerações passadas.
A Convenção da ONU de 2006 consagrou o termo “pessoa com deficiência” e estabeleceu diretrizes globais para essa revisão da postura e das práticas por parte dos cidadãos, dos governos, das empresas, das escolas, enfim, de toda a sociedade. A legislação de cotas para o mundo empresarial completou 19 anos e para o setor público completou 11 anos. Já temos aprendizado suficiente para acertar o passo com a história, mas dependemos ainda a fiscalização e do compromisso de todos para melhorar os indicadores atuais.
Na pesquisa do Instituto Ethos e IBOPE lançado no dia 11 de novembro deste ano, vemos que há apenas 1,5% de pessoas com deficiência nas 500 maiores empresas do Brasil em postos operacionais e 1,3% nos posições de liderança (executivos). Dado mais completo do Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) demonstra que está diminuindo o número de pessoas com deficiência contratadas pela lei de cotas. Em 2007 eram 348 mil e em 2009 eram 288 mil. Um número que já era baixo diante da oferta de profissionais e que se tornou ainda mais baixo, mesmo com o crescimento do emprego no país.
O comunicado da ONU no link abaixo traz a ideia de que a inclusão é uma forma de combater a pobreza, ou seja, uma base da pirâmide socioeconômica construída artificialmente na medida em que são desconsideradas as condições das pessoas de ingressarem no mercado de trabalho. É uma base da pirâmide que tem por sustentação o preconceito, a discriminação, as barreiras de todo tipo para manter as coisas como estão. Olhando por outro ângulo, o do valor da diversidade, esses números tão pequenos demonstram que as empresas estão perdendo ao não considerar pessoas com deficiência.
Ao desconstruir barreiras, têm acesso a talentos, trazem a vida como ela é para a realidade das suas relações com a diversidade de públicos ou stakeholders. Pessoas com deficiência trazem consigo conceitos como desenho universal, acessibilidade, flexibilidade e inclusão, todos ricos em aprendizados para melhorar a qualidade dessas relações, produtos, serviços, atendimento e comunicação. As pessoas com deficiência são também clientes e cada empresa que cumpre a cota está ampliando o mercado interno com bases mais justas e efetivas. Artificial é a base da pirâmide que tem por base a discriminação e não a legislação inclusiva, como alguns alegam.
A empresa inclusiva enriquece suas perspectivas, entende e atende melhor as demandas de seus clientes atuais e futuros, contribui para uma sociedade mais justa e, com isso, contribui para a ampliação do mercado interno, o que faz toda a diferença em tempos de fartura e ou de restrição econômica.
Você comemorou ou não o dia 03? Há muitos motivos para comemorar porque é evidente que há uma mudança de paradigma em curso na sociedade e isso se deve aos esforços do movimento social, das lideranças, das organizações governamentais e não governamentais que promovem direitos humanos de pessoas com deficiência.
Há profissionais com e sem deficiência nas empresas que não se subordinam passivamente à mesmice e, com muito carinho e compromisso para com o sucesso dos negócios, assumem uma postura crítica que ajuda na construção do círculo virtuoso que beneficia a todos. Há muito para se fazer, mas a sociedade hoje está navegando em novas bases muito mais democráticas e inclusivas do que há dez atrás. 2011 está chegando e nele teremos outros dia 03 de dezembro para continuarmos desconstruindo a imagem do Homem Vitruviano em nossa mente e construindo imagens mais plurais da diversidade humana. A vida como ela é, bela e rica em diversidade, tem muito mais a nos oferecer do que um padrão dominante, solitário, autoritariamente definindo nossos caminhos.
Rádio ONU: Apoio a pessoas com deficiência ajuda a combater pobreza
Reinaldo Bulgarelli (postado em 06 de dezembro de 2010)
A ONU definiu o dia 03 de dezembro como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, data que lembra ao mundo que todos precisamos trabalhar por uma sociedade mais inclusiva por meio de comportamentos mais inclusivos. A ONU estima que 10% da população mundial possua algum tipo de deficiência.
A diferença se transforma em motivo para desigualdades intoleráveis. Estima-se também que 20% dos pobres do mundo possuam algum tipo de deficiência. São pessoas que possuem algum tipo de deficiência porque são pobres ou são pobres porque possuem algum tipo de deficiência? É um círculo vicioso que uma sociedade inclusiva pode tornar em um círculo virtuoso com algum entendimento sobre a diversidade humana.
A imagem de 1490 do Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci, ficou em nossa cabeça para definir um padrão de normalidade que não corresponde à diversidade humana. Não somos apenas aquele homem com suas medidas “perfeitas” a definir a forma de construir mundos, realidades, toda uma arquitetura que desconsidera a realidade e cria privilégios para alguns de nós. Chamo de “davincismo” as práticas de discriminação contra pessoas com deficiência porque na base dela está essa desconsideração da diversidade humana. Legislações inclusivas são tidas como geradoras de privilégios. Na verdade, estão corrigindo um passado de exclusão e construindo um futuro de consideração pela diversidade humana.
Privilégio é o que favorece quem se beneficia de uma situação injusta. Incluir não gera privilégios. Deve gerar justiça. Olhar por esse ângulo ajudaria muito no engajamento das pessoas sem deficiência para trabalharem cada vez mais por uma sociedade mais inclusiva no futuro, mas que assume sua responsabilidade em relação ao que herdamos das gerações passadas.
A Convenção da ONU de 2006 consagrou o termo “pessoa com deficiência” e estabeleceu diretrizes globais para essa revisão da postura e das práticas por parte dos cidadãos, dos governos, das empresas, das escolas, enfim, de toda a sociedade. A legislação de cotas para o mundo empresarial completou 19 anos e para o setor público completou 11 anos. Já temos aprendizado suficiente para acertar o passo com a história, mas dependemos ainda a fiscalização e do compromisso de todos para melhorar os indicadores atuais.
Na pesquisa do Instituto Ethos e IBOPE lançado no dia 11 de novembro deste ano, vemos que há apenas 1,5% de pessoas com deficiência nas 500 maiores empresas do Brasil em postos operacionais e 1,3% nos posições de liderança (executivos). Dado mais completo do Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) demonstra que está diminuindo o número de pessoas com deficiência contratadas pela lei de cotas. Em 2007 eram 348 mil e em 2009 eram 288 mil. Um número que já era baixo diante da oferta de profissionais e que se tornou ainda mais baixo, mesmo com o crescimento do emprego no país.
O comunicado da ONU no link abaixo traz a ideia de que a inclusão é uma forma de combater a pobreza, ou seja, uma base da pirâmide socioeconômica construída artificialmente na medida em que são desconsideradas as condições das pessoas de ingressarem no mercado de trabalho. É uma base da pirâmide que tem por sustentação o preconceito, a discriminação, as barreiras de todo tipo para manter as coisas como estão. Olhando por outro ângulo, o do valor da diversidade, esses números tão pequenos demonstram que as empresas estão perdendo ao não considerar pessoas com deficiência.
Ao desconstruir barreiras, têm acesso a talentos, trazem a vida como ela é para a realidade das suas relações com a diversidade de públicos ou stakeholders. Pessoas com deficiência trazem consigo conceitos como desenho universal, acessibilidade, flexibilidade e inclusão, todos ricos em aprendizados para melhorar a qualidade dessas relações, produtos, serviços, atendimento e comunicação. As pessoas com deficiência são também clientes e cada empresa que cumpre a cota está ampliando o mercado interno com bases mais justas e efetivas. Artificial é a base da pirâmide que tem por base a discriminação e não a legislação inclusiva, como alguns alegam.
A empresa inclusiva enriquece suas perspectivas, entende e atende melhor as demandas de seus clientes atuais e futuros, contribui para uma sociedade mais justa e, com isso, contribui para a ampliação do mercado interno, o que faz toda a diferença em tempos de fartura e ou de restrição econômica.
Você comemorou ou não o dia 03? Há muitos motivos para comemorar porque é evidente que há uma mudança de paradigma em curso na sociedade e isso se deve aos esforços do movimento social, das lideranças, das organizações governamentais e não governamentais que promovem direitos humanos de pessoas com deficiência.
Há profissionais com e sem deficiência nas empresas que não se subordinam passivamente à mesmice e, com muito carinho e compromisso para com o sucesso dos negócios, assumem uma postura crítica que ajuda na construção do círculo virtuoso que beneficia a todos. Há muito para se fazer, mas a sociedade hoje está navegando em novas bases muito mais democráticas e inclusivas do que há dez atrás. 2011 está chegando e nele teremos outros dia 03 de dezembro para continuarmos desconstruindo a imagem do Homem Vitruviano em nossa mente e construindo imagens mais plurais da diversidade humana. A vida como ela é, bela e rica em diversidade, tem muito mais a nos oferecer do que um padrão dominante, solitário, autoritariamente definindo nossos caminhos.
Rádio ONU: Apoio a pessoas com deficiência ajuda a combater pobreza
sábado, 27 de novembro de 2010
Morre Cláudia Wonder - Um brilho que veio para ficar
Cláudia Wonder, de quem comentei aqui no blog o documentário "Meu Amigo Cláudia", faleceu ontem. Entre tantas lembranças da artista, fico com nossas conversas sobre mercado de trabalho para travestis e transexuais.
Tinhamos na agenda, além do lançamento do filme no circuito comercial, a realização de um evento com empresas para falar de ações afirmativas que garantissem eliminação de barreiras, promoção de equidade e respeito a travestis e transexuais. O tema da identidade de gênero não chegou ainda nem perto da responsabilidade social empresarial, mas é preciso que alguém trabalhe nesta direção. Ela estava animada com essa possibilidade.
Cláudia foi uma artista e tanto. Nem preciso falar nisso porque ontem e hoje há muita gente rendendo homenagens para essa vida cheia de brilho, com muito sucesso e reconhecimentos. Ainda é pouco porque ela foi importante demais para a cena artística brasileira e muitas outras homenagens virão. Seu brilho veio para ficar. Emprestou seu talento para a causa LGBT e fez a diferença, sempre com ações práticas, preocupada com a militância e com o atendimento direto a travestis, a criação de alternativas para quem não quer ter um destino traçado pela sua identidade de gênero.
Nossa conversa parou no ponto em que levantaríamos nomes de várias e vários profissionais travestis e transexuais que trabalham em diversos ramos de atividade, incluindo profissionais liberais, secretárias, sociólogos, serviço público, bancos, varejo, enfim, não apenas na noite e no mundo artístico, palco onde ainda é preciso garantir também mais avanços e muito mais respeito. Convidaríamos essas pessoas para darem seu depoimento sobre o que realizaram e sua visão sobre o mercado de trabalho. Tudo isso para demonstrar que há uma oferta de profissionais trans no mercado e que as grandes empresas poderiam contribuir aos dar visibilidade ao tema, à causa, reconhecer o que já está presente no seu cotiano e ampliar muito, muito mais essas possibilidades.
Nosso diálogo terminou ontem, mas nosso sonho irá adiante, mesmo porque não estamos sozinhos e tudo que faz sentido prospera, mais cedo ou mais tarde, mas prospera, vai adiante com muito mais gente interessada em garantir a TODOS e TODAS um país justo.
Cláudia, minhas homenagens, meu compromisso de ver nossos sonhos irem adiante e meus agradecimentos por tudo que fez pela sociedade brasileira. Seu velório na Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo demonstra esse reconhecimento de que você ajudou o Brasil a ser melhor do que era com tudo que fez e por tudo que foi.
Os jovens que hoje expressam sua identidade de variadas maneiras, saibam que muito do que foi conquistado se deve à Cláudia e que ela pode ser fonte de inspiração para todas as demais conquistas que ainda devemos buscar. Ainda não é fácil para uma mulher ou para um homem assumir uma identidade de gênero diferente da que a biologia lhe conferiu no nascimento, mas pessoas como a Cláudia fizeram história ao brilhar na cena artística sem nunca deixar de olhar por toda a sua comunidade e por um país sedento de democracia para TODOS. Sempre me lembro de pessoas como a Cláudia quando em minhas palestras eu repito a pergunta de outra Cláudia, a Werneck: Quem cabe no seu todos?
Enfim, um brilho que veio para ficar se a gente se lembrar dessa luz em tudo que somos e fazemos.
Veja uma das notícias que saiu na grande imprensa sobre Cláudia Wonder, nossa querida amiga Cláudia. G1 - Multiartista Claudia Wonder morre aos 55 anos, em São Paulo - notícias em Pop & Arte
Tinhamos na agenda, além do lançamento do filme no circuito comercial, a realização de um evento com empresas para falar de ações afirmativas que garantissem eliminação de barreiras, promoção de equidade e respeito a travestis e transexuais. O tema da identidade de gênero não chegou ainda nem perto da responsabilidade social empresarial, mas é preciso que alguém trabalhe nesta direção. Ela estava animada com essa possibilidade.
Cláudia foi uma artista e tanto. Nem preciso falar nisso porque ontem e hoje há muita gente rendendo homenagens para essa vida cheia de brilho, com muito sucesso e reconhecimentos. Ainda é pouco porque ela foi importante demais para a cena artística brasileira e muitas outras homenagens virão. Seu brilho veio para ficar. Emprestou seu talento para a causa LGBT e fez a diferença, sempre com ações práticas, preocupada com a militância e com o atendimento direto a travestis, a criação de alternativas para quem não quer ter um destino traçado pela sua identidade de gênero.
Nossa conversa parou no ponto em que levantaríamos nomes de várias e vários profissionais travestis e transexuais que trabalham em diversos ramos de atividade, incluindo profissionais liberais, secretárias, sociólogos, serviço público, bancos, varejo, enfim, não apenas na noite e no mundo artístico, palco onde ainda é preciso garantir também mais avanços e muito mais respeito. Convidaríamos essas pessoas para darem seu depoimento sobre o que realizaram e sua visão sobre o mercado de trabalho. Tudo isso para demonstrar que há uma oferta de profissionais trans no mercado e que as grandes empresas poderiam contribuir aos dar visibilidade ao tema, à causa, reconhecer o que já está presente no seu cotiano e ampliar muito, muito mais essas possibilidades.
Nosso diálogo terminou ontem, mas nosso sonho irá adiante, mesmo porque não estamos sozinhos e tudo que faz sentido prospera, mais cedo ou mais tarde, mas prospera, vai adiante com muito mais gente interessada em garantir a TODOS e TODAS um país justo.
Cláudia, minhas homenagens, meu compromisso de ver nossos sonhos irem adiante e meus agradecimentos por tudo que fez pela sociedade brasileira. Seu velório na Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo demonstra esse reconhecimento de que você ajudou o Brasil a ser melhor do que era com tudo que fez e por tudo que foi.
Os jovens que hoje expressam sua identidade de variadas maneiras, saibam que muito do que foi conquistado se deve à Cláudia e que ela pode ser fonte de inspiração para todas as demais conquistas que ainda devemos buscar. Ainda não é fácil para uma mulher ou para um homem assumir uma identidade de gênero diferente da que a biologia lhe conferiu no nascimento, mas pessoas como a Cláudia fizeram história ao brilhar na cena artística sem nunca deixar de olhar por toda a sua comunidade e por um país sedento de democracia para TODOS. Sempre me lembro de pessoas como a Cláudia quando em minhas palestras eu repito a pergunta de outra Cláudia, a Werneck: Quem cabe no seu todos?
Enfim, um brilho que veio para ficar se a gente se lembrar dessa luz em tudo que somos e fazemos.
Veja uma das notícias que saiu na grande imprensa sobre Cláudia Wonder, nossa querida amiga Cláudia. G1 - Multiartista Claudia Wonder morre aos 55 anos, em São Paulo - notícias em Pop & Arte
sábado, 20 de novembro de 2010
20 de novembro de 2010 - Dia Nacional da Consciência Negra
Dia da Consciência negra é um bom motivo para voltar aos dados divulgados pela pesquisa do Instituto Ethos e o IBOPE sobre o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, divulgada no último dia 11 e postada aqui no blog Diversos Somos Todos.
A pesquisa de 2010 revelou que há 5,3% de pessoas que se autodeclararam negras em cargos executivos. Na pesquisa de 2007, eram 3,5%. Quando a pesquisa teve início, em 2001, eram 2,6%. Melhorou, mas há muitas grandes empresas desprezando um potencial imenso presente no país.
Há empresas que reclamam do apagão educacional, do apagão de "mão de obra", mas não ainda têm dificuldade de se livrar do racismo entre seus profissionais e o racismo institucionalizado em seus processos de gestão. Apagão de "mão de obra", como disse uma colunista dia desses no O Globo, já diz muito do que se espera dos profissionais: uma mão. E o resto? Empresas que valorizam a diversidade querem gente inteira e não apenas a mão delas. Os termos atrapalham.
Depois de 10 anos de cotas para negros nas melhores universidades, além do ProUni (Programa Universidade para Todos), há uma oferta significativa de profissionais com excelente formação, como atestam as pesquisas. Os cotistas tiveram desempenho melhor que os não cotistas. Goste ou não de cotas, não é possível negar essa oferta, mas ainda se usa como desculpa que não há negros com qualificação para estas 500 empresas. Como assim? Todos os profissionais devem ter curso universitário, incluindo os cargos na base da pirâmide? Evidente que não. Mas há apenas 31,1% de negros mesmo na base das grandes empresas, o que se chamou de quadro funcional na pesquisa do Ethos e IBOPE.
Apertando um pouco mais, há profissionais das empresas que justificam a ausência de negros dizendo que no Brasil não há negros. Como assim? E uma série de desculpas são dadas para se fugir da responsabilidade. Bem verdade que muitas vezes esse discurso que denuncia o racismo no mercado de trabalho deveria gerar responsabilidade e não culpa. Não quero dizer que não haja racistas que estão explicitamente boicando a empresa na qual trabalham e as afastando de talentos negros. Mas, quero dizer que o importante é gerar responsabilidade, movimento em busca de soluções efetivas que aproximem as grandes empresas brasileiras da diversidade, da equidade, da justiça na distribuição de oportunidades. Oportunidades, cabe lembrar, aos empregados e aos empregadores.
Por exemplo, se há uma vaga para a qual concorrem 10 candidatos negros e 90 não negros, qual a tendência se não for tomada nenhuma medida a favor da diversidade? É preciso realizar uma ação afirmativa que garanta visibilidade e equidade aos candidatos negros. Não se trata de ação social, caridade, flexibilidade porque pode ter gente muito mais qualificada entre os 10 candidatos negros, mas a tendência é que a pressa no preenchimento das vagas se contente com os melhores que apareceram na multidão. Ação afirmativa é prática de gestão, de gente que efetivamente faz gestão e não apenas abre as vagas e assiste o que acontece. O mesmo vale para as mulheres e outras chamadas minorias.
Se além da desproporção na oferta de candidatos, ainda houver o filtro do racismo, a coisa piora muito. Para grande parte dos altos executivos, donos ou presidentes de empresas com os quais converso, o racismo é obminável e a diversidade é desejável, mas parece que muitos também não percebem que é preciso gestão para se combater o racismo e para se garantir diversidade.
Dia da Consciência Negra não é dia dos negros, como muitos dizem, mas dia de combater o racismo, de refletir sobre a qualidade das relações raciais e isso envolve negros e brancos. Feliz dia 20 de novembro!
A pesquisa de 2010 revelou que há 5,3% de pessoas que se autodeclararam negras em cargos executivos. Na pesquisa de 2007, eram 3,5%. Quando a pesquisa teve início, em 2001, eram 2,6%. Melhorou, mas há muitas grandes empresas desprezando um potencial imenso presente no país.
Há empresas que reclamam do apagão educacional, do apagão de "mão de obra", mas não ainda têm dificuldade de se livrar do racismo entre seus profissionais e o racismo institucionalizado em seus processos de gestão. Apagão de "mão de obra", como disse uma colunista dia desses no O Globo, já diz muito do que se espera dos profissionais: uma mão. E o resto? Empresas que valorizam a diversidade querem gente inteira e não apenas a mão delas. Os termos atrapalham.
Depois de 10 anos de cotas para negros nas melhores universidades, além do ProUni (Programa Universidade para Todos), há uma oferta significativa de profissionais com excelente formação, como atestam as pesquisas. Os cotistas tiveram desempenho melhor que os não cotistas. Goste ou não de cotas, não é possível negar essa oferta, mas ainda se usa como desculpa que não há negros com qualificação para estas 500 empresas. Como assim? Todos os profissionais devem ter curso universitário, incluindo os cargos na base da pirâmide? Evidente que não. Mas há apenas 31,1% de negros mesmo na base das grandes empresas, o que se chamou de quadro funcional na pesquisa do Ethos e IBOPE.
Apertando um pouco mais, há profissionais das empresas que justificam a ausência de negros dizendo que no Brasil não há negros. Como assim? E uma série de desculpas são dadas para se fugir da responsabilidade. Bem verdade que muitas vezes esse discurso que denuncia o racismo no mercado de trabalho deveria gerar responsabilidade e não culpa. Não quero dizer que não haja racistas que estão explicitamente boicando a empresa na qual trabalham e as afastando de talentos negros. Mas, quero dizer que o importante é gerar responsabilidade, movimento em busca de soluções efetivas que aproximem as grandes empresas brasileiras da diversidade, da equidade, da justiça na distribuição de oportunidades. Oportunidades, cabe lembrar, aos empregados e aos empregadores.
Por exemplo, se há uma vaga para a qual concorrem 10 candidatos negros e 90 não negros, qual a tendência se não for tomada nenhuma medida a favor da diversidade? É preciso realizar uma ação afirmativa que garanta visibilidade e equidade aos candidatos negros. Não se trata de ação social, caridade, flexibilidade porque pode ter gente muito mais qualificada entre os 10 candidatos negros, mas a tendência é que a pressa no preenchimento das vagas se contente com os melhores que apareceram na multidão. Ação afirmativa é prática de gestão, de gente que efetivamente faz gestão e não apenas abre as vagas e assiste o que acontece. O mesmo vale para as mulheres e outras chamadas minorias.
Se além da desproporção na oferta de candidatos, ainda houver o filtro do racismo, a coisa piora muito. Para grande parte dos altos executivos, donos ou presidentes de empresas com os quais converso, o racismo é obminável e a diversidade é desejável, mas parece que muitos também não percebem que é preciso gestão para se combater o racismo e para se garantir diversidade.
Dia da Consciência Negra não é dia dos negros, como muitos dizem, mas dia de combater o racismo, de refletir sobre a qualidade das relações raciais e isso envolve negros e brancos. Feliz dia 20 de novembro!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Instituto Ethos e Ibope lançam pesquisa sobre o perfil das 500 maiores empresas do Brasil
Hoje, 11 de novembro de 2010, o Instituto Ethos e o IBOPE lançaram a pesquisa sobre o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas e suas Ações Afirmativas. Dados novos! Ficamos entre a felicidade de ver alguns números melhorarem e a tristeza de ver que tudo é muito lento.
Segundo cálculos rápidos durante o evento, as mulheres alcançarão os homens em cargos executivos daqui a 35 anos, mantido esse ritmo percebido nas pesquisas de 2001 a 2010 (uma década!).
Mas acredito que o cálculo não considerou que as mulheres são marioria na sociedade brasileira, que apresentam mais anos de escolaridade que os homens e que em breve poderão ser maioria na população economicamente ativa.
A sua filha está estudando? Você e ela estão inventindo numa educação da mais alta qualidade? Diga a ela que poderá atingir uma posição compatível com seu esforço em 35 anos. Alguém está disposto a esperar? É justo? Não é o mérito que deveria imperar, segundo discurso reinante?
Em relação aos negros (homens), mantido esse ritmo, são mais de 150 anos para se chegar às posições dos não negros em cargos executivos. As mulheres negras terão que esperar muito mais. Como dizer aos jovens negros que estão também estudando nas melhores faculdades do país que todo esse investimento e esforço resultará numa espera de mais de um século? Não é o mérito e o esforço individual que deveria reger as decisões no mundo empresarial? Ou será que há filtros que falam mais alto que uma gestão para o sucesso da empresa?
Os dados da pesquisa do Instituto Ethos têm nome: racismo, machismo, discriminação da pessoa com deficiência (o que tenho chamado de davincismo), homofobia e por aí vai.
O mérito, a capacidade para ocupar essas posições, o preparo ou a experiência parecem estar em baixa. Não parecem ser importante. O importante é ser Brad Pitti: homem, branco, casado, sem deficiência, adulto... Eu digo que são as "vagas desde que...". Muitas empresas dizem que querem os melhores profissionais, desde que não sejam negros, mulheres, homossexuais, com deficiência, com menos de 25 anos, com mais de 35 anos...
É para isso que existe uma ferramenta de promoção de equidade, ou seja, de justiça, que se chama ação afirmativa. Elas têm a ver com o ritmo com que se quer mudar uma situação injusta. Podemos não fazer nada, apenas esperar que o tempo por si só trate de ampliar a consciência das pessoas. Não é possível que alguém defenda isso, mas podem ser as pessoas que hoje ocupam quase sozinhas as melhores posições do mercado de trabalho.
Podemos agir, estabelecer metas, criar programas de mentoring focado em mulheres, negros, pessoas com deficiência, entre outras ações afirmativas que ajudem a acelerar esses resultados.
Fiz a proposta no evento de publicarmos um manual sobre ações afirmativas para empresas, ajudando a conhecer o conceito, as formas de aplicá-lo na gestão empresarial e as experiências hoje em andamento no meio empresarial. Ações afirmativas não se resumem a cotas, mas compreendem um conjunto amplo de iniciativas baseadadas na necessidade da organização de incluir outras perspectivas na tomada decisões, na gestão dos negócios, no planejamento em um mundo em acelerado e profundo processo de mudança. A mudança mudou! Ela é mais rápida e profunda que antigamente. Quem poderá dar conta desse desafio? Apenas o Brad Pitti?
Desesperar, jamais! Esperar sem agir, nem pensar! Mesmo porque as ações afirmativas não tratam de ação social para os mais pobres. Seu foco é a justiça, válida tanto para a base da pirâmide como para a executiva altamente preparada que poderia ocupar uma vaga de executiva ou de presidenta e é deixa de lado porque não é homem. O foco da ação afirmativa é também melhorar, com justiça, o desempenho nos negócios. Justiça e sucesso nos negócios não são incompatíveis, muito pelo contrário.
Alguém que realmente goste da empresa e queira ver seu sucesso nos negócios não pode defender que apenas homens, brancos, sem deficiência... são capazes de produzir resultados. Talvez haja pessoas que estão tomando decisões sem ter tanto carinho assim pelo sucesso do negócio. Quem gosta da empresa, valoriza e promove a diversidade.
Veja o link para a notícia do Ethos e para a pesquisa, na qual colaboro como um dos especialistas consultados, e que está disponível na íntegra em pdf: Instituto Ethos - Notícias - Ethos e Ibope lançam pesquisa sobre o perfil das 500 maiores empresas do Brasil
Segundo cálculos rápidos durante o evento, as mulheres alcançarão os homens em cargos executivos daqui a 35 anos, mantido esse ritmo percebido nas pesquisas de 2001 a 2010 (uma década!).
Mas acredito que o cálculo não considerou que as mulheres são marioria na sociedade brasileira, que apresentam mais anos de escolaridade que os homens e que em breve poderão ser maioria na população economicamente ativa.
A sua filha está estudando? Você e ela estão inventindo numa educação da mais alta qualidade? Diga a ela que poderá atingir uma posição compatível com seu esforço em 35 anos. Alguém está disposto a esperar? É justo? Não é o mérito que deveria imperar, segundo discurso reinante?
Em relação aos negros (homens), mantido esse ritmo, são mais de 150 anos para se chegar às posições dos não negros em cargos executivos. As mulheres negras terão que esperar muito mais. Como dizer aos jovens negros que estão também estudando nas melhores faculdades do país que todo esse investimento e esforço resultará numa espera de mais de um século? Não é o mérito e o esforço individual que deveria reger as decisões no mundo empresarial? Ou será que há filtros que falam mais alto que uma gestão para o sucesso da empresa?
Os dados da pesquisa do Instituto Ethos têm nome: racismo, machismo, discriminação da pessoa com deficiência (o que tenho chamado de davincismo), homofobia e por aí vai.
O mérito, a capacidade para ocupar essas posições, o preparo ou a experiência parecem estar em baixa. Não parecem ser importante. O importante é ser Brad Pitti: homem, branco, casado, sem deficiência, adulto... Eu digo que são as "vagas desde que...". Muitas empresas dizem que querem os melhores profissionais, desde que não sejam negros, mulheres, homossexuais, com deficiência, com menos de 25 anos, com mais de 35 anos...
É para isso que existe uma ferramenta de promoção de equidade, ou seja, de justiça, que se chama ação afirmativa. Elas têm a ver com o ritmo com que se quer mudar uma situação injusta. Podemos não fazer nada, apenas esperar que o tempo por si só trate de ampliar a consciência das pessoas. Não é possível que alguém defenda isso, mas podem ser as pessoas que hoje ocupam quase sozinhas as melhores posições do mercado de trabalho.
Podemos agir, estabelecer metas, criar programas de mentoring focado em mulheres, negros, pessoas com deficiência, entre outras ações afirmativas que ajudem a acelerar esses resultados.
Fiz a proposta no evento de publicarmos um manual sobre ações afirmativas para empresas, ajudando a conhecer o conceito, as formas de aplicá-lo na gestão empresarial e as experiências hoje em andamento no meio empresarial. Ações afirmativas não se resumem a cotas, mas compreendem um conjunto amplo de iniciativas baseadadas na necessidade da organização de incluir outras perspectivas na tomada decisões, na gestão dos negócios, no planejamento em um mundo em acelerado e profundo processo de mudança. A mudança mudou! Ela é mais rápida e profunda que antigamente. Quem poderá dar conta desse desafio? Apenas o Brad Pitti?
Desesperar, jamais! Esperar sem agir, nem pensar! Mesmo porque as ações afirmativas não tratam de ação social para os mais pobres. Seu foco é a justiça, válida tanto para a base da pirâmide como para a executiva altamente preparada que poderia ocupar uma vaga de executiva ou de presidenta e é deixa de lado porque não é homem. O foco da ação afirmativa é também melhorar, com justiça, o desempenho nos negócios. Justiça e sucesso nos negócios não são incompatíveis, muito pelo contrário.
Alguém que realmente goste da empresa e queira ver seu sucesso nos negócios não pode defender que apenas homens, brancos, sem deficiência... são capazes de produzir resultados. Talvez haja pessoas que estão tomando decisões sem ter tanto carinho assim pelo sucesso do negócio. Quem gosta da empresa, valoriza e promove a diversidade.
Veja o link para a notícia do Ethos e para a pesquisa, na qual colaboro como um dos especialistas consultados, e que está disponível na íntegra em pdf: Instituto Ethos - Notícias - Ethos e Ibope lançam pesquisa sobre o perfil das 500 maiores empresas do Brasil
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Copa, Olimpíada e oportunidades para o Terceiro Setor
Este é o tema do artigo da jornalista Silvia de Moura para o espaço Empreendedor Social, da Folha de São Paulo. A visibilidade do país no exterior desperta interesse de investidores em projetos sociais, diz a matéria. "A realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no Brasil poderá trazer dividendos internacionais também para as organizações do terceiro setor."
A jornalista Silvia é aluna do curso que coordeno na FGV/SP - Gestão de Organizações do Terceiro Setor. A professora Marcia Pastore, também entrevistada na matéria, é responsável pela aula sobre captação de recursos. Veja informações sobre o curso: http://www.fgv.br/fgvpec/curso.asp?id=69. Veja a matéria completa no site da Folha.com:
Prêmio Empreendedor Social - Copa e Olimpíada trazem bons negócios para o terceiro setor
A jornalista Silvia é aluna do curso que coordeno na FGV/SP - Gestão de Organizações do Terceiro Setor. A professora Marcia Pastore, também entrevistada na matéria, é responsável pela aula sobre captação de recursos. Veja informações sobre o curso: http://www.fgv.br/fgvpec/curso.asp?id=69. Veja a matéria completa no site da Folha.com:
Prêmio Empreendedor Social - Copa e Olimpíada trazem bons negócios para o terceiro setor
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Inclusão e Diversidade, de Reinaldo Bulgarelli
Inclusão e Diversidade
Reinaldo Bulgarelli, 15 de outubro de 2010
Diversidade é o conjunto de diferenças e semelhanças que nos caracterizam, não apenas as diferenças. Diversos não são os outros que estão em situação de vulnerabilidade, desvantagem ou exclusão. Essa maneira de encarar a diversidade como uma característica de todos nós e não de alguns de nós faz toda diferença quando trabalhamos o tema. Não se trata de incluir os que ficaram do lado de fora porque eles são os diversos. Eles ficaram do lado de fora porque estamos cometendo injustiças e não porque são “desajustados” e os incluídos são os perfeitos.
Portanto, aproximando essa reflexão de nossas vidas, de nossas organizações, é evidente que não estamos falando apenas de oportunidades iguais para todos. É isso e mais um pouco. Abrir espaços, incluir, buscar quem está do lado de fora, reconhecer identidades, compor equipes caracterizadas pela diversidade é um passo muito importante para sermos justos e reconhecermos na prática a dignidade de todas as pessoas.
Ao incluir, tudo é repensado para considerar a todos, o que exige atingir níveis mais altos de excelência na qualidade da educação oferecida, além de gerar aprendizados importantes na interação que acontece entre as pessoas em sua diversidade humana. A diversidade não pode, assim, ser obstáculo para a qualidade, mas uma ponte para o sucesso das pessoas, das organizações e o desenvolvimento da sociedade.
Como se preparar para a inclusão senão incluindo? Todos devemos nos preparar, evidentemente, mas a “perfeição” não pode ser desculpa para não incluir porque jamais seremos “perfeitos” sem a participação do outro que está do lado de fora. Assim, há muitas formas de discriminar e deixar as coisas como estão. Uma delas é pedir para os excluídos aguardarem na exclusão enquanto buscamos a perfeição dentro de nossas instituições...
Inclusão – mais do que dentro e fora, uma transformação do todo
Organizações inclusivas distribuem oportunidades com equidade, oferecem condições de desenvolvimento para todos, reconhecem as pessoas e têm apreço pela diversidade a ponto de considerá-la em suas escolhas, na tomada de decisões em relação a todos os seus públicos e atividades.
Organizações inclusivas ampliam nossa capacidade de realizar boas escolhas individuais e coletivas, favorecendo o próprio desenvolvimento, o desenvolvimento da organização e o desenvolvimento da sociedade onde vivemos.
Incluir é ação, é disposição para o encontro, para a mudança. É gesto concreto de inclusão de pessoas e das perspectivas que elas trazem consigo.
Incluir é movimento de mão-dupla: na direção do outro e de abertura para que o outro se achegue.
Incluir é gesto que considera a existência do outro, reconhece que há outras perspectivas além da sua ou do padrão dominante, com sua versão única de verdade, beleza, normalidade etc.. Incluir é atividade na qual todos se transformam. E sem que ninguém desapareça!
Se alguém deixa de existir, o que acontece é um extermínio e não inclusão.
Se para estar incluído for necessário sumir com alguma característica essencial, não é inclusão verdadeira. Ela deve considerar as pessoas para gerar interações verdadeiras e não desconsiderá-las ou desprezar algum aspecto ou característica.
Incluir é agir para que o outro exista e não um movimento para tornar o outro semelhante a si ou o movimento de negar-se para que só o outro exista.
Desaparecer com o outro, com suas características e perspectivas, é gesto de colonizar, de invadir, de assediar e não de incluir transformando-se e transformando o ambiente.
Incluir é gesto que exige a disposição de todos os envolvidos para o encontro, o diálogo, a troca, o enriquecimento mútuo, algo que acontece no processo de considerar e acolher outras possibilidades de ser, de saber, de fazer, de exercer o poder (todos têm poder!).
Ninguém inclui ninguém! Não há alguém que inclui ativamente e alguém que é incluído passivamente.
Incluir supõe interagir, disposição de todos e não de um. Inclusão é relação, interação e é na qualidade das relações que a diversidade ganha seu maior sentido e potencializa sua riqueza.
Ser inclusivo é dispor-se ao novo, ao inusitado, à transformação.
Inclusão, como interação de qualidade, destrói a ideia de fora e dentro que o termo sugere para dar-se conta de que há um todo transformado pela postura e pelas práticas inclusivas.
Juntar ou juntar-se às pessoas pode ser apenas formar uma aglomeração estática. Interações são transformadoras. Transformam as pessoas e os ambientes.
Incluir é fonte de renovação, de vitalidade, antídoto contra a mesmice. Não se fica o mesmo quando se inclui.
Ninguém inclui o que é igual, o mesmo, mas o que é outro, o que é diferente de si, o que tem algo a acrescentar àquilo que se é, que se sabe, que se pode ou que se faz.
Incluir é gesto que implica em diferenciar-se e em diferenciar para que haja um encontro verdadeiro de perspectivas, interesses, experiências, necessidades e contribuições singulares.
Quem tem medo da diferença e se sente ameaçado por ela, não se dispõe ao encontro, à transformação, à afirmação do que se é e do que o outro é para construir algo novo, um novo lugar, um ponto de chegada que não é o mesmo, mas outro.
Inclusão é resultado do gesto de incluir que faz com que todos se sintam acolhidos em suas singularidades para contribuir com o todo na realização da missão do grupo e da instituição.
Inclusão surge na interação e a fortalece, ampliando as possibilidades de cooperação entre as pessoas, de resolver conflitos e de chegar a um bom termo em relação aos desafios.
Inclusão acontece na construção de ambientes promotores de justiça, de interações colaborativas, da criatividade e de soluções inovadoras para os desafios que afetam uma comunidade ou toda uma sociedade.
Inclusão diz respeito à criação de um ambiente no qual cada um tenha a oportunidade de participar plenamente na criação do sucesso da relação, da missão escolhida, do desafio enfrentado, e no qual todos são valorizados em suas diferentes habilidades, conhecimentos e atitudes.
Inclusão pode formar algo parecido com mosaicos e eles são importantes do ponto de vista da geração de relações justas, equânimes, com oportunidades iguais para todos. Mas a composição de mosaicos pode significar inclusão incompleta por três motivos.
a) O que fez com que alguns ficassem do lado de fora? Sem postura crítica, não há como rever atitudes e práticas. Processos de exclusão podem continuar e gerar inclusões injustas.
b) Mosaicos são estáticos. A adição de valor da diversidade, assim, é apenas potencial. Sem gestão, não há solução! Apenas contemplar a diversidade e compor grupos diversos pode não gerar riqueza além da riqueza já presente. A interação é fundamental.
c) Inclusão precisa de gestão. Sem gestão, pode acontecer o “efeito picles”: todos ficam rapidamente parecidos, com o mesmo jeito, a mesma postura, as mesmas ideias, aparentemente ou não, como estratégia de sobrevivência, por conveniência ou convicção de que há apenas um padrão, o dominante, é o que deve prevalecer.
A gestão da diversidade deve tornar nosso ambiente de trabalho mais dinâmico, favorecer interações criativas, trocas, aprendizados conjuntos. Gestão necessita de intervenção na realidade e não apenas contemplação dessa realidade.
Podemos pensar na imagem dos caleidoscópios para mostrar essa inclusão dinâmica, com foco na qualidade das relações que acontece para além de se estar presente num espaço, num grupo ou equipe.
São identidades, singularidades, experiências, histórias de vida, perspectivas, possibilidades, diferenças e semelhanças que se arranjam e se reinventam em múltiplas composições para gerar, com interações dinâmicas, criatividade, inovação, excelência a serviço da sustentabilidade dos negócios e da sociedade.
Como não somos peças de um mosaico ou de um caleidoscópio, cabe lembrar que nós humanos podemos levar o outro dentro da gente quando interagimos. Não há um dono da verdade, um marcador identitário ou característica nossa que fique ilesa à interação quando é inclusiva, respeitosa, com apreço pela diversidade e suas possibilidades.
Na troca, nos enriquecemos mutuamente. Não são “verdades” que permanecem intocáveis, mas que geram algo novo, que enriquecem nossa vida individual e institucional.
Eu não preciso ser o outro para compreendê-lo, considerar suas perspectivas e necessidades no planejamento das atividades, mas eu posso considerar o outro porque há respeito, consideração, gosto pela diversidade. Exige gestão!
O mix formado neste processo inclusivo não some com as diferenças, mas acrescenta, amplia, transforma em algo novo que considera tudo e atinge novos patamares, novas realidades. Estamos falando de interações criativas com a incorporação de novos horizontes plurais, mais ricos, ampliando nossa visão e nossa capacidade de dar respostas aos desafios do nosso tempo e lugar.
Podemos aprender uns com os outros para sermos mais e fazermos mais, mas para isso precisamos enxergar os outros, dar valor aos outros, sentir falta dos outros, dessa ampliação de horizontes que representam. Não basta, portanto, dizer não à discriminação. É preciso dizer sim à diversidade por meio de práticas que supõem inclusão e gestão da diversidade.
Reinaldo Bulgarelli, 15 de outubro de 2010
Diversidade é o conjunto de diferenças e semelhanças que nos caracterizam, não apenas as diferenças. Diversos não são os outros que estão em situação de vulnerabilidade, desvantagem ou exclusão. Essa maneira de encarar a diversidade como uma característica de todos nós e não de alguns de nós faz toda diferença quando trabalhamos o tema. Não se trata de incluir os que ficaram do lado de fora porque eles são os diversos. Eles ficaram do lado de fora porque estamos cometendo injustiças e não porque são “desajustados” e os incluídos são os perfeitos.
Portanto, aproximando essa reflexão de nossas vidas, de nossas organizações, é evidente que não estamos falando apenas de oportunidades iguais para todos. É isso e mais um pouco. Abrir espaços, incluir, buscar quem está do lado de fora, reconhecer identidades, compor equipes caracterizadas pela diversidade é um passo muito importante para sermos justos e reconhecermos na prática a dignidade de todas as pessoas.
Ao incluir, tudo é repensado para considerar a todos, o que exige atingir níveis mais altos de excelência na qualidade da educação oferecida, além de gerar aprendizados importantes na interação que acontece entre as pessoas em sua diversidade humana. A diversidade não pode, assim, ser obstáculo para a qualidade, mas uma ponte para o sucesso das pessoas, das organizações e o desenvolvimento da sociedade.
Como se preparar para a inclusão senão incluindo? Todos devemos nos preparar, evidentemente, mas a “perfeição” não pode ser desculpa para não incluir porque jamais seremos “perfeitos” sem a participação do outro que está do lado de fora. Assim, há muitas formas de discriminar e deixar as coisas como estão. Uma delas é pedir para os excluídos aguardarem na exclusão enquanto buscamos a perfeição dentro de nossas instituições...
Inclusão – mais do que dentro e fora, uma transformação do todo
Organizações inclusivas distribuem oportunidades com equidade, oferecem condições de desenvolvimento para todos, reconhecem as pessoas e têm apreço pela diversidade a ponto de considerá-la em suas escolhas, na tomada de decisões em relação a todos os seus públicos e atividades.
Organizações inclusivas ampliam nossa capacidade de realizar boas escolhas individuais e coletivas, favorecendo o próprio desenvolvimento, o desenvolvimento da organização e o desenvolvimento da sociedade onde vivemos.
Incluir é ação, é disposição para o encontro, para a mudança. É gesto concreto de inclusão de pessoas e das perspectivas que elas trazem consigo.
Incluir é movimento de mão-dupla: na direção do outro e de abertura para que o outro se achegue.
Incluir é gesto que considera a existência do outro, reconhece que há outras perspectivas além da sua ou do padrão dominante, com sua versão única de verdade, beleza, normalidade etc.. Incluir é atividade na qual todos se transformam. E sem que ninguém desapareça!
Se alguém deixa de existir, o que acontece é um extermínio e não inclusão.
Se para estar incluído for necessário sumir com alguma característica essencial, não é inclusão verdadeira. Ela deve considerar as pessoas para gerar interações verdadeiras e não desconsiderá-las ou desprezar algum aspecto ou característica.
Incluir é agir para que o outro exista e não um movimento para tornar o outro semelhante a si ou o movimento de negar-se para que só o outro exista.
Desaparecer com o outro, com suas características e perspectivas, é gesto de colonizar, de invadir, de assediar e não de incluir transformando-se e transformando o ambiente.
Incluir é gesto que exige a disposição de todos os envolvidos para o encontro, o diálogo, a troca, o enriquecimento mútuo, algo que acontece no processo de considerar e acolher outras possibilidades de ser, de saber, de fazer, de exercer o poder (todos têm poder!).
Ninguém inclui ninguém! Não há alguém que inclui ativamente e alguém que é incluído passivamente.
Incluir supõe interagir, disposição de todos e não de um. Inclusão é relação, interação e é na qualidade das relações que a diversidade ganha seu maior sentido e potencializa sua riqueza.
Ser inclusivo é dispor-se ao novo, ao inusitado, à transformação.
Inclusão, como interação de qualidade, destrói a ideia de fora e dentro que o termo sugere para dar-se conta de que há um todo transformado pela postura e pelas práticas inclusivas.
Juntar ou juntar-se às pessoas pode ser apenas formar uma aglomeração estática. Interações são transformadoras. Transformam as pessoas e os ambientes.
Incluir é fonte de renovação, de vitalidade, antídoto contra a mesmice. Não se fica o mesmo quando se inclui.
Ninguém inclui o que é igual, o mesmo, mas o que é outro, o que é diferente de si, o que tem algo a acrescentar àquilo que se é, que se sabe, que se pode ou que se faz.
Incluir é gesto que implica em diferenciar-se e em diferenciar para que haja um encontro verdadeiro de perspectivas, interesses, experiências, necessidades e contribuições singulares.
Quem tem medo da diferença e se sente ameaçado por ela, não se dispõe ao encontro, à transformação, à afirmação do que se é e do que o outro é para construir algo novo, um novo lugar, um ponto de chegada que não é o mesmo, mas outro.
Inclusão é resultado do gesto de incluir que faz com que todos se sintam acolhidos em suas singularidades para contribuir com o todo na realização da missão do grupo e da instituição.
Inclusão surge na interação e a fortalece, ampliando as possibilidades de cooperação entre as pessoas, de resolver conflitos e de chegar a um bom termo em relação aos desafios.
Inclusão acontece na construção de ambientes promotores de justiça, de interações colaborativas, da criatividade e de soluções inovadoras para os desafios que afetam uma comunidade ou toda uma sociedade.
Inclusão diz respeito à criação de um ambiente no qual cada um tenha a oportunidade de participar plenamente na criação do sucesso da relação, da missão escolhida, do desafio enfrentado, e no qual todos são valorizados em suas diferentes habilidades, conhecimentos e atitudes.
Inclusão pode formar algo parecido com mosaicos e eles são importantes do ponto de vista da geração de relações justas, equânimes, com oportunidades iguais para todos. Mas a composição de mosaicos pode significar inclusão incompleta por três motivos.
a) O que fez com que alguns ficassem do lado de fora? Sem postura crítica, não há como rever atitudes e práticas. Processos de exclusão podem continuar e gerar inclusões injustas.
b) Mosaicos são estáticos. A adição de valor da diversidade, assim, é apenas potencial. Sem gestão, não há solução! Apenas contemplar a diversidade e compor grupos diversos pode não gerar riqueza além da riqueza já presente. A interação é fundamental.
c) Inclusão precisa de gestão. Sem gestão, pode acontecer o “efeito picles”: todos ficam rapidamente parecidos, com o mesmo jeito, a mesma postura, as mesmas ideias, aparentemente ou não, como estratégia de sobrevivência, por conveniência ou convicção de que há apenas um padrão, o dominante, é o que deve prevalecer.
A gestão da diversidade deve tornar nosso ambiente de trabalho mais dinâmico, favorecer interações criativas, trocas, aprendizados conjuntos. Gestão necessita de intervenção na realidade e não apenas contemplação dessa realidade.
Podemos pensar na imagem dos caleidoscópios para mostrar essa inclusão dinâmica, com foco na qualidade das relações que acontece para além de se estar presente num espaço, num grupo ou equipe.
São identidades, singularidades, experiências, histórias de vida, perspectivas, possibilidades, diferenças e semelhanças que se arranjam e se reinventam em múltiplas composições para gerar, com interações dinâmicas, criatividade, inovação, excelência a serviço da sustentabilidade dos negócios e da sociedade.
Como não somos peças de um mosaico ou de um caleidoscópio, cabe lembrar que nós humanos podemos levar o outro dentro da gente quando interagimos. Não há um dono da verdade, um marcador identitário ou característica nossa que fique ilesa à interação quando é inclusiva, respeitosa, com apreço pela diversidade e suas possibilidades.
Na troca, nos enriquecemos mutuamente. Não são “verdades” que permanecem intocáveis, mas que geram algo novo, que enriquecem nossa vida individual e institucional.
Eu não preciso ser o outro para compreendê-lo, considerar suas perspectivas e necessidades no planejamento das atividades, mas eu posso considerar o outro porque há respeito, consideração, gosto pela diversidade. Exige gestão!
O mix formado neste processo inclusivo não some com as diferenças, mas acrescenta, amplia, transforma em algo novo que considera tudo e atinge novos patamares, novas realidades. Estamos falando de interações criativas com a incorporação de novos horizontes plurais, mais ricos, ampliando nossa visão e nossa capacidade de dar respostas aos desafios do nosso tempo e lugar.
Podemos aprender uns com os outros para sermos mais e fazermos mais, mas para isso precisamos enxergar os outros, dar valor aos outros, sentir falta dos outros, dessa ampliação de horizontes que representam. Não basta, portanto, dizer não à discriminação. É preciso dizer sim à diversidade por meio de práticas que supõem inclusão e gestão da diversidade.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Um professor com Síndrome de Down - RTVE.es
Um vídeo pra quem acredita que a inclusão torna a todos e a tudo muito melhor. Esse professor com Síndrome de Down num país com educação de qualidade ajuda a quebrar barreiras num país que ainda deixa tanto a desejar na educação.
Ainda excluímos da escola regular os alunos com deficiência sem perceber que ao excluir a diferença estamos exlcuindo a diversidade que é característica essencial da vida. Será possível uma educação de qualidade para todos sem que todos participem, estejam presentes, tragam suas perspectivas para interagir criativamente na construção dessa escola melhor num mundo melhor?
Pense na inclusão! Ela é sempre sinal de criatividade, inovação, tudo que a gente precisa para fazer melhor os caminhos de um mundo sustentável.
Un profesor con síndrome de Down - RTVE.es
Ainda excluímos da escola regular os alunos com deficiência sem perceber que ao excluir a diferença estamos exlcuindo a diversidade que é característica essencial da vida. Será possível uma educação de qualidade para todos sem que todos participem, estejam presentes, tragam suas perspectivas para interagir criativamente na construção dessa escola melhor num mundo melhor?
Pense na inclusão! Ela é sempre sinal de criatividade, inovação, tudo que a gente precisa para fazer melhor os caminhos de um mundo sustentável.
Un profesor con síndrome de Down - RTVE.es
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Reinaldo Bulgarelli fala sobre os 25 anos do Criança Esperança
A Unesco e a Rede Globo fizeram uma bonita festa para celebrar os 25 anos do Criança Esperança. Foi lançado um livro, que está disponível no site da UNESCO (ver abaixo).
Fui um dos convidados a fazer um depoimento no livro e tenho muito orgulho de ter participado desta história.
Uma questão que apareceu na fala de todos: vamos comemorar mais 25 anos de Criança Esperança? Eu acredito que sim. O Brasil certamente não tem e não terá aquela situação de miséria que estimulou a criação do Programa. Mas, mesmo vencida a miséria, o Programa ainda cumprirá o papel que teve desde o primeiro dia: promover os direitos humanos de crianças e adolescentes, dar voz aos jovens, à sociedade civil organizada, contribuir para uma mudança cultural no país.
Com o fim da miséria, para a qual devemos estar preparados, não haverá mais racismo, machismo, violência contra a criança, desprezo pelos mais velhos? Temos muito que fazer e Programas como o Criança Esperança ajudaram e ajudam a transformar nossa realidade para além do combate à miséria e à pobreza.
Link para o livro: http://www.unesco.org/pt/brasilia/dynamic-content-single-view/news/crianca_esperanca_25_anos_criando_oportunidades/back/9669/cHash/5daab6330b/
Link para o meu depoimento no evento dos 25 anos do Criança Esperança: Globo Vídeos - VIDEO - Reinaldo Bulgarelli fala sobre os 25 anos do Criança Esperança
Fui um dos convidados a fazer um depoimento no livro e tenho muito orgulho de ter participado desta história.
Uma questão que apareceu na fala de todos: vamos comemorar mais 25 anos de Criança Esperança? Eu acredito que sim. O Brasil certamente não tem e não terá aquela situação de miséria que estimulou a criação do Programa. Mas, mesmo vencida a miséria, o Programa ainda cumprirá o papel que teve desde o primeiro dia: promover os direitos humanos de crianças e adolescentes, dar voz aos jovens, à sociedade civil organizada, contribuir para uma mudança cultural no país.
Com o fim da miséria, para a qual devemos estar preparados, não haverá mais racismo, machismo, violência contra a criança, desprezo pelos mais velhos? Temos muito que fazer e Programas como o Criança Esperança ajudaram e ajudam a transformar nossa realidade para além do combate à miséria e à pobreza.
Link para o livro: http://www.unesco.org/pt/brasilia/dynamic-content-single-view/news/crianca_esperanca_25_anos_criando_oportunidades/back/9669/cHash/5daab6330b/
Link para o meu depoimento no evento dos 25 anos do Criança Esperança: Globo Vídeos - VIDEO - Reinaldo Bulgarelli fala sobre os 25 anos do Criança Esperança
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Programa Brasil das Gerais - O inimigo da mulher não é o homem, mas o machismo
Estive no Programa Brasil das Gerais, da Rede Minas de televisão, programa apresentado pela jornalista Roberta Zampetti.
Falei sobre valorização da diversidade e apresentei minha ideia à Roberta sobre a importância no foco nas relações, exemplificando com a minha frase que diz que "o inimigo da mulher não é o homem, mas o machismo".
Roberta gostou da frase e fez um programa no último dia 25 de outubro com esse mote para falar sobre violência contra a mulher (anexo). Participei do Programa e falei rapidamente sobre a importância de enfrentar o machismo, algo que envolve homens e mulheres em relações que precisam ser reinventadas, considerando uma realidade que já mudou e que oferece novas condições para todos superarem a ideologia machista.
Um dos exemplos está no dado de que 62 milhões entraram no mercado de trabalho nos últimos 40 anos. Uma revolução que trouxe muitos problemas para as mulheres, como o enfrentamento do machismo em outros lugares além do lar. Mas, isso também tem um lado positivo. As mulheres ainda são vítimas de violências das mais variadas, como tratado na Lei Maria da Penha, mas existe essa legislação de tipo novo, os movimentos sociais, a luta das mulheres, ampliação da participação dos homens nesta luta. Enfim, há mais condições da sociedade avançar na afirmação e garantia dos direitos humanos das mulheres e trabalhar por relações de qualidade entre homens e mulheres.
Veja o programa com a apresentação da Roberta Zampetti, sempre atuante, muito antenada e cheia de questões desafiadoras. Mulheres que vivem com violencia 3 Rede Minas
Falei sobre valorização da diversidade e apresentei minha ideia à Roberta sobre a importância no foco nas relações, exemplificando com a minha frase que diz que "o inimigo da mulher não é o homem, mas o machismo".
Roberta gostou da frase e fez um programa no último dia 25 de outubro com esse mote para falar sobre violência contra a mulher (anexo). Participei do Programa e falei rapidamente sobre a importância de enfrentar o machismo, algo que envolve homens e mulheres em relações que precisam ser reinventadas, considerando uma realidade que já mudou e que oferece novas condições para todos superarem a ideologia machista.
Um dos exemplos está no dado de que 62 milhões entraram no mercado de trabalho nos últimos 40 anos. Uma revolução que trouxe muitos problemas para as mulheres, como o enfrentamento do machismo em outros lugares além do lar. Mas, isso também tem um lado positivo. As mulheres ainda são vítimas de violências das mais variadas, como tratado na Lei Maria da Penha, mas existe essa legislação de tipo novo, os movimentos sociais, a luta das mulheres, ampliação da participação dos homens nesta luta. Enfim, há mais condições da sociedade avançar na afirmação e garantia dos direitos humanos das mulheres e trabalhar por relações de qualidade entre homens e mulheres.
Veja o programa com a apresentação da Roberta Zampetti, sempre atuante, muito antenada e cheia de questões desafiadoras. Mulheres que vivem com violencia 3 Rede Minas
sábado, 9 de outubro de 2010
Pré-estreia do filme "Como Esquecer"
“Como Esquecer” é um filme muito bonito. Já assisti duas vezes porque estou mediando diálogos com a diretora, Malu de Martino e alguns convidados. O filme exige esses diálogos ao trazer visibilidade para a questão da mulher, homossexualidade, amor, amizade e vida.
Os personagens são inesquecíveis, mas não vou falar mais nada porque o importante é convidar você para a pré-estreia em São Paulo, onde também haverá esse diálogo logo após a exibição do filme.
Por favor, divulgue também para pessoas engajadas com a valorização da diversidade, seus muitos temas, desafios e possibilidades.
O filme entra em cartaz em todo o Brasil no dia 15 de outubro.
O convite está aqui para você ir na pré-estreia:
13 de outubro, quarta-feira, 10 horas da manhã
Artplex no Shopping Frei Caneca
IMPORTANTE: Os convidados devem confirmar presença através do e-mail: ivegoncalves@gmail.com
Reinaldo Bulgarelli
Txai Consultoria e Educação
Veja o site oficial: http://comoesquecer.wordpress.com/
Divulgação no Youtube do lançamento realizado no Rio:
http://www.youtube.com/watch?v=YmsJb8Tv5IU&feature=player_embedded#
!
Fotos: http://www.flickr.com/photos/comoesquecer/with/4994444844/
Os personagens são inesquecíveis, mas não vou falar mais nada porque o importante é convidar você para a pré-estreia em São Paulo, onde também haverá esse diálogo logo após a exibição do filme.
Por favor, divulgue também para pessoas engajadas com a valorização da diversidade, seus muitos temas, desafios e possibilidades.
O filme entra em cartaz em todo o Brasil no dia 15 de outubro.
O convite está aqui para você ir na pré-estreia:
13 de outubro, quarta-feira, 10 horas da manhã
Artplex no Shopping Frei Caneca
IMPORTANTE: Os convidados devem confirmar presença através do e-mail: ivegoncalves@gmail.com
Reinaldo Bulgarelli
Txai Consultoria e Educação
Veja o site oficial: http://comoesquecer.wordpress.com/
Divulgação no Youtube do lançamento realizado no Rio:
http://www.youtube.com/watch?v=YmsJb8Tv5IU&feature=player_embedded#
Fotos: http://www.flickr.com/photos/comoesquecer/with/4994444844/
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Escola também é hostil com os homossexuais
Gazeta do Povo
Diversidade
Escola também é hostil com os homossexuais
Pesquisa mostra que os professores não sabem combater a homofobia. O resultado é abandono escolar, baixa auto-estima e depressão
Publicado em 28/09/2010
Paola Carriel
Pesquisa divulgada ontem mostra que a escola é um ambiente hostil com a população de lésbicas, gays, travestis e transexuais. Os professores não sabem como trabalhar a diversidade sexual, nem combater a homofobia. Como consequência, os meninos e meninas têm baixa autoestima, queda no rendimento ou abandono escolar e depressão. Foram ouvidos 1,4 mil professores, gestores e estudantes em 11 capitais brasileiras durante o ano de 2009. O estudo é uma iniciativa da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Reprolatina e Ministério da Educação.
O estudo tem o objetivo de tirar do papel políticas públicas já existentes para combater o preconceito contra a população LGBT. “O Brasil Sem Homofobia é um programa federal já em curso. Mas ele não chega até a sala de aula”, argumenta a pesquisadora responsável pelo estudo, Margarita Díaz. A fala dos professores mostra que a orientação sexual dos adolescentes é “tolerada” quando não há uma demonstração clara da homossexualidade, por exemplo. Os jovens que mais sofrem com a discriminação são aqueles que assumem a orientação. No grupo que mais sofre estão travestis e transexuais. “Para a escola, é como se essa população não existisse”, conta Margarita.
Os pesquisadores presenciaram cenas de violência física contra jovens homossexuais em que professores e inspetores estavam próximos e não tomaram nenhuma atitude. Existem relatos de suicídios de alunos vítimas da discriminação. “Há um consenso de que existe preconceito e que os docentes não sabem lidar com isso. Em geral, associa-se a homofobia somente com a agressão física e não com as demais manifestações”, afirma Margaríta. Os educadores alegam falta de tempo e preparo para não trabalhar questões relativas à diversidade. Há ainda receio de “incentivar” a vida sexual dos alunos.
Além das entrevistas e grupos focais, os pesquisadores analisaram o ambiente escolar. Em nenhuma escola de Curitiba, por exemplo, havia qualquer cartaz ou menção aos direitos humanos ou diversidade sexual. “Os próprios estudantes afirmam que a escola deveria ser um ambiente mais acolhedor ao trabalhar com a diversidade”, explica a pesquisadora.
Questão de respeito
Para Toni Reis, presidente da ABGLT, o que o movimento social deseja não é um privilégio no ambiente escolar e sim respeito à diversidade sexual. “Queremos o cumprimento da Constituição Federal, que diz que todos são iguais e não haverá discriminação.” Para mudar essa situação, ele sugere capacitação e apoio aos docentes. Como resultado da pesquisa, foram gerados materiais de apoio que serão distribuídos aos docentes. Segundo Toni, hoje a homossexualidade é crime em 75 países do mundo e em sete é punida com pena de morte.
A presidente do Grupo Dignidade, Rafaelly Wiest, transexual mulher, diz que a pesquisa confirmou na prática o que a entidade observa há anos. “Não queremos que, em função da exclusão escolar, viver à margem seja a única opção de travestis e transexuais”, explica. “Qualquer indivíduo para entrar no mercado de trabalho precisa de qualificação. Essa população não consegue sequer terminar o ensino fundamental.”
Participaram do estudo estudantes do 6.º ao 9.º ano e professores e gestores de escolas públicas de Manaus (AM), Porto Velho (RO), Recife (PE), Natal (RN), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Os resultados são qualitativos e, portanto, não há porcentuais. Essa é a primeira pesquisa nacional que aborda a homofobia nas escolas curitibanas.
Escola também é hostil com os homossexuais - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo
Diversidade
Escola também é hostil com os homossexuais
Pesquisa mostra que os professores não sabem combater a homofobia. O resultado é abandono escolar, baixa auto-estima e depressão
Publicado em 28/09/2010
Paola Carriel
Pesquisa divulgada ontem mostra que a escola é um ambiente hostil com a população de lésbicas, gays, travestis e transexuais. Os professores não sabem como trabalhar a diversidade sexual, nem combater a homofobia. Como consequência, os meninos e meninas têm baixa autoestima, queda no rendimento ou abandono escolar e depressão. Foram ouvidos 1,4 mil professores, gestores e estudantes em 11 capitais brasileiras durante o ano de 2009. O estudo é uma iniciativa da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Reprolatina e Ministério da Educação.
O estudo tem o objetivo de tirar do papel políticas públicas já existentes para combater o preconceito contra a população LGBT. “O Brasil Sem Homofobia é um programa federal já em curso. Mas ele não chega até a sala de aula”, argumenta a pesquisadora responsável pelo estudo, Margarita Díaz. A fala dos professores mostra que a orientação sexual dos adolescentes é “tolerada” quando não há uma demonstração clara da homossexualidade, por exemplo. Os jovens que mais sofrem com a discriminação são aqueles que assumem a orientação. No grupo que mais sofre estão travestis e transexuais. “Para a escola, é como se essa população não existisse”, conta Margarita.
Os pesquisadores presenciaram cenas de violência física contra jovens homossexuais em que professores e inspetores estavam próximos e não tomaram nenhuma atitude. Existem relatos de suicídios de alunos vítimas da discriminação. “Há um consenso de que existe preconceito e que os docentes não sabem lidar com isso. Em geral, associa-se a homofobia somente com a agressão física e não com as demais manifestações”, afirma Margaríta. Os educadores alegam falta de tempo e preparo para não trabalhar questões relativas à diversidade. Há ainda receio de “incentivar” a vida sexual dos alunos.
Além das entrevistas e grupos focais, os pesquisadores analisaram o ambiente escolar. Em nenhuma escola de Curitiba, por exemplo, havia qualquer cartaz ou menção aos direitos humanos ou diversidade sexual. “Os próprios estudantes afirmam que a escola deveria ser um ambiente mais acolhedor ao trabalhar com a diversidade”, explica a pesquisadora.
Questão de respeito
Para Toni Reis, presidente da ABGLT, o que o movimento social deseja não é um privilégio no ambiente escolar e sim respeito à diversidade sexual. “Queremos o cumprimento da Constituição Federal, que diz que todos são iguais e não haverá discriminação.” Para mudar essa situação, ele sugere capacitação e apoio aos docentes. Como resultado da pesquisa, foram gerados materiais de apoio que serão distribuídos aos docentes. Segundo Toni, hoje a homossexualidade é crime em 75 países do mundo e em sete é punida com pena de morte.
A presidente do Grupo Dignidade, Rafaelly Wiest, transexual mulher, diz que a pesquisa confirmou na prática o que a entidade observa há anos. “Não queremos que, em função da exclusão escolar, viver à margem seja a única opção de travestis e transexuais”, explica. “Qualquer indivíduo para entrar no mercado de trabalho precisa de qualificação. Essa população não consegue sequer terminar o ensino fundamental.”
Participaram do estudo estudantes do 6.º ao 9.º ano e professores e gestores de escolas públicas de Manaus (AM), Porto Velho (RO), Recife (PE), Natal (RN), Goiânia (GO), Cuiabá (MT), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Os resultados são qualitativos e, portanto, não há porcentuais. Essa é a primeira pesquisa nacional que aborda a homofobia nas escolas curitibanas.
Escola também é hostil com os homossexuais - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
21 de setembro: Dia Nacional de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho / São Paulo
“I Seminário de Diversidade e Deficiência no Mundo do Trabalho”
23 de Setembro de 2010
Auditório da unidade Luz do Centro de Apoio ao Trabalho
Painel: “Igualdade de Oportunidades x Igualdade de Condições”
Aprendizados com quem cumpriu a Lei de Cotas para inclusão de pessoas com deficiência
Reinaldo Bulgarelli
Sou sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, uma empresa de consultoria que atua na área de sustentabilidade e responsabilidade social. Um dos temas trabalhados nesta agenda é o da valorização da diversidade, parte da essência de um mundo mais sustentável.
Trabalho, em geral, com grandes empresas no desenho e acompanhamento de programas de valorização da diversidade. Dentro desse tema está a questão da pessoa com deficiência e todos os conceitos nela inseridos: inclusão, acessibilidade e desenho universal, para citar apenas os três mais evidentes e de grande contribuição para o mundo empresarial e seus negócios.
Com base na minha experiência de 32 anos com direitos humanos e desenvolvimento, atuando com responsabilidade social empresarial desde 1995, quero compartilhar aqui alguns aprendizados que estou tendo com aquelas empresas que cumpriram a legislação de cotas para inclusão de pessoas com deficiência. Vou me basear, sobretudo, no HSBC e na DuPont. Também vou me dirigir às empresas, sobretudo a elas, porque entendo, com os dados que temos do Ministério do Trabalho, que as empresas precisam de esperança e de boas referências para melhorar seu desempenho com algo tão básico: cumprir a lei.
Para essa contribuição, coloco em forma de tópicos o que consigo sintetizar neste espaço de tempo.
Primeiramente, algumas ideias sobre inclusão.
1. Inclusão é uma palavra cara para a comunidade de pessoas com deficiência. É cara e deveria ser apreciada por todos porque ninguém quer ficar do lado de fora da festa da vida. Para a comunidade de pessoas com deficiência, essa palavra mágica traduz a concretização do desejo de viver num mundo que considere a diversidade humana. Inclusão significa participação em lugares onde não se considerava sua existência, sua importância, sua contribuição e seu direito de estar ali. Inclusão é um movimento de mão dupla. Eu trabalho para que as empresas sintam falta de quem não está ali e tenham a inclusão, com tudo que ela significa, como uma forma de reparar o que não está correto e de encontrar com quem está faltando para tornar a organização melhor, mais eficiente e com melhores resultados – para todas as pessoas, a empresa, a sociedade e o planeta.
2. Pessoas com deficiência e solidários não aceitaram a diferença como um destino de subdesenvolvimento ou subcidadania. Não aceitaram que a diferença fosse transformada em motivo para desigualdades, com desvantagens concretas e simbólicas atrapalhando o caminho. Não se conformaram com o lugar que lhes foi imposto. A palavra de ordem que simboliza tudo isso é inclusão.
3. Quem é incluído jamais será o mesmo porque a interação na diversidade transforma as pessoas. Quem inclui também se transforma porque a interação na diversidade faz repensar estruturas, processos, sistemas de gestão, posturas individuais e coletivas, atitudes que geraram exclusão e que podem se reverter em posturas inclusivas. É inclusão de gente, de ideias, de perspectivas, de propostas, de maneiras de ver a vida e de lidar com ela. Inclusão é palavra cara para uma sociedade democrática.
Sobre o cumprimento da legislação de cotas, entendo que nenhuma empresa o faz do nada. A mágica não existe sem esforço. Com certeza, quem cumpre a legislação saiu do lugar comum. A anatomia do sucesso, no meu entender, envolve muitos elementos:
• Uma identidade organizacional com princípios inclusivos, democráticos, abertos à inovação. Identidade é constituída pela missão, visão, valores, que inspiram, por sua vez, as políticas, códigos de conduta e a estratégia da empresa.
• Uma postura empresarial de respeito à legislação e uma postura ética compartilhada pelos profissionais que trabalham no cumprimento da missão organizacional.
• Uma equipe de RH disposta a se reinventar no fazer cotidiano dos princípios e práticas de gestão de pessoas, com processos que passam a considerar a diversidade humana.
• Um time de profissionais corajosos capazes de atuar em rede, liderar o processo por meio da mobilização de todos aqueles que precisam e podem fazer a diferença na ponta.
• Um conjunto de gestores que, entre o medo e a coragem, optou pela inovação, pela abertura ao novo com centralidade nas pessoas como fonte de aprendizado e de sucesso.
• Um conjunto de funcionários sem deficiência que se tornam colegas de trabalho e parceiros no desafio da inclusão e suas exigências, com toda a disposição para rever conceitos, aprender, acreditar no outro, fazer juntos, colaborar e encontrar novas formas de alcançar bons resultados para todos.
• Uma habilidade para fazer parcerias e alianças com quem pode contribuir para a obtenção de bons resultados porque conhecem o tema, têm disposição de servir e fazer juntos.
• Uma disposição para investir recursos financeiros, entre outros, no lugar certo, da forma correta e com propósitos alinhados com a identidade da organização, suas estratégias e desafios.
• Uma capacidade de atrair bons profissionais com deficiência, corajosos e dispostos a iniciar a jornada de transformação da própria vida e da vida organizacional, investindo também na valorização da diversidade, dispostos a ensinar e a aprender, a conviver, interagir, assumir riscos, enfrentar desafios, compartilhar aprendizados.
• Um apreço pelo respeito que faz toda a diferença para todos. Onde há respeito, há diversidade e vice-versa. Ambientes que não valorizam o respeito não atraem e muito menos mantém bons profissionais, geram sofrimentos e são evidentemente ineficientes.
• Uma aversão a “ideias paralisantes” do tipo “enquanto o mundo não for perfeito, de nada vale incluir pessoas com deficiência”.
• Uma visão de que a pessoa com deficiência que estão sendo incluída pela legislação de cotas é também um cliente, base do mercado interno do país, algo que tem feito e sempre fará toda a diferença para o índice de desenvolvimento, ampliação do PIB, dos indicadores sociais, culturais, ambientais e políticos.
• O entendimento de que o elitismo é uma praga que afeta o desempenho das empresas. Este gosto por grifes, por aparência, por uma visão mesquinha e equivocada do que seja bom, bonito, bacana, leva empresas para lugares cada vez mais distantes dos seus clientes e, portanto, do sucesso.
• O entendimento de que é preciso trabalhar com três dimensões que se complementam na formação do circulo vicioso da exclusão e que podem, portanto, se reverter no circulo virtuoso da inclusão: nossa sociedade, nossa consciência e nossos processos de gestão.
o Quem vê problemas apenas na sociedade, vai investir apenas na capacitação de pessoas com deficiência, enfrentando os problemas do acesso ao direito à educação que essa população possui. Investir em educação é essencial, valioso, mas não pode ser a única coisa a ser feita ou a desculpa utilizada para justificar os números tímidos que ainda apresentamos. A defasagem no número de anos de estudo entre pessoas com e sem deficiência não justificam os números que temos hoje: 288 mil pessoas contratadas, 0,70% do total de trabalhadores formais do país.
o Quem tem autocrítica e é sério nesta tarefa, sabe que há também problemas com a nossa consciência pouco inclusiva e investe também fortemente na ampliação dessa consciência. De nada adianta formar tão bem tantas pessoas com deficiência se elas continuam enfrentando barreiras imensas na atitude pouco inclusiva de equipes e gestores. Empresas que se acham perfeitas colocam toda responsabilidade pela exclusão nas pessoas com deficiência e a educação vira uma forma de excluir duas vezes. Empresas sérias reconhecem que também precisam ser capacitadas para serem mais eficientes no cumprimento de sua missão. Elas aprendem a reconhecer qualidade nas diferenças e a diferença como uma qualidade.
o Quem investe em educação e na ampliação de consciência, precisa investir também no aprimoramento de processos, revendo, olhando de novo com o olhar da valorização da diversidade porque tudo pode estar girando apenas em torno de homens, brancos, sem deficiência, adultos, heterossexuais e assim por diante. Rever processos, sistemas, estruturas, ambientes, ferramentas... é parte do processo de inclusão tanto quanto a educação e a ampliação da consciência ética das pessoas.
Há organizações muito maiores que o HSBC e a DuPont, que citei como fontes de aprendizado para mim neste tema da inclusão de pessoas com deficiência. Contudo, entendo que essa anatomia do sucesso é referência para todo tamanho de empresa. Com 10 ou com 100 mil profissionais a serem incluídos, os “princípios ativos” são os mesmos. Não há atalhos, nem guia, manual ou passo a passo que seja mais importante que a disposição de incluir. O processo gera aprendizados e “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, conforme sentença de Fernando Pessoa.
Incluir significa trazer mais vida para a organização e a vida é complexa, dinâmica, bela. Ela oferece condições para superar as barreiras que ela mesma denuncia. A vida constrói soluções na interação e não fora dela. A vida é repleta de conflitos, contradições, paradoxos, imperfeições, fatos inusitados que fogem do planejado, do pensado, do desejado e por isso mesmo é rica e gera riquezas. Quem está disposto a investir na vida é inclusivo, não tem outro jeito. Quem é inclusivo cumpre com as cotas e vai além, atinge metas e obtém bons resultados para todos, para os incluídos, os que incluem, a organização, os negócios e a sociedade.
Essas empresas que cumpriram a legislação de cotas demonstram a todos que a questão é difícil, mas é possível; que exige investimentos, mas traz bons resultados; que a vida é muito mais do que imaginamos e que a diversidade valorizada nos leva muito mais rápido e muito mais longe nesta aventura da comunidade humana sobre a Terra.
*Texto baseado no artigo elaborado para o HSBC na comemoração pelo cumprimento da legislação de cotas, em maio de 2010.
*Foto de Dorina Nowill, com minhas homenagens.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Pela equiparação dos direitos civis à comunidade LGBT
Está programado para este domingo, 17 de setembro, um beijaço pelo casamento igualitário no Brasil. Será na esquida da Av. Paulista com a Rua Augusta, em São Paulo. Veja detalhes no site:
Casamento Igualitário no Brasil Pela equiparação dos direitos civis à comunidade LGBT
Casamento Igualitário no Brasil Pela equiparação dos direitos civis à comunidade LGBT
domingo, 12 de setembro de 2010
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história | Portal Geledés
Para quem gostou muito do vídeo com Chimamanda Adichie falando sobre o perigo da história única, o Portal do Geledés presta um serviço inestimável ao trazer o texto em português.
É um texto muito rico e que pode ser trabalhado de muitas maneiras com essa especial, simples e profunda fala de Chimamanda. Vejam no Portal do Geledés.
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história Portal Geledés
É um texto muito rico e que pode ser trabalhado de muitas maneiras com essa especial, simples e profunda fala de Chimamanda. Vejam no Portal do Geledés.
Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história Portal Geledés
domingo, 5 de setembro de 2010
Secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica encontra-se com autoridades em Brasília
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu nesta quarta-feira (28), em Brasília (DF), o secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica (IGLCC), Pascal Lépine (foto). O executivo viaja pela América do Sul para estudar a viabilidade de implantação de uma filial na região. A entidade, sediada no Canadá, defende o comércio da comunidade LGBT e no desenvolvimento sócio-econômico da comunidade em todo o mundo.
Após se encontrar com o presidente Lula, o secretário-geral da IGLCC foi recebido em audiência pelo ministro em exercício da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Rogério Sottili. “Estamos muito felizes em recebê-lo e agradecemos pelo trabalho realizado pela Câmara”, disse.
Em seguida, Lépine foi recebido em audiência pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que ressaltou os avanços do Brasil na área LGBT e se colocou à disposição para ajudar IGLCC no que for preciso.
Entre as atividades da IGLCC está a divulgação de um índice que mede o desempenho das empresas multinacionais em relação à diversidade e inclusão nos países onde eles têm escritórios, especificamente em relação às comunidades de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT). Ele serve como um indicador da direção tomada pela diversidade nas corporações globais e nas comunidades locais em que eles servem. Este ano, as cinco principais empresas mais LGBT-friendly (amigável) do mundo são: IBM, Google, BT Group, Morgan Stanley e Cisco Systems.
Histórico – Rogério Sottili recebeu no ano passado, em nome do presidente Lula, em Copenhagen, na Dinamarca, o prêmio anual Liderança Internacional, da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, conferido à pessoas e entidades que apóiam a comunidade LGBT.
A escolha do presidente brasileiro para ser agraciado em 2009 foi unânime, e salientou-se o fato de Lula ter se pronunciado abertamente a favor dos direitos de todos os brasileiros, incluindo os integrantes da comunidade LGBT. Pascal Lépine, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, diz na carta em que comunica a concessão de prêmio ao presidente, que a “criação da 1ª Conferência Nacional LGBT Brasileira segue como exemplo de exemplo de sua liderança não somente na América Latina, mas globalmente.
Brasil Sem Homofobia - Na audiência na SDH, a subsecretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SDH, Lena Peres, fez uma apresentação das políticas públicas do governo brasileiro para o seguimento LGBT. “No início as políticas são desenvolvidas na área da Saúde. Em 2002, pela primeira vez aparece em Direitos Humanos. Dois anos depois essa agenda é colocada com mais força com o projeto Brasil sem Homofobia e os centros de referência”, explica Lena. A subsecretária também falou sobre a Conferência Nacional LGBT, o Plano de Ação Pactuado por todos os ministérios e o trabalho desenvolvido para a implantação do Disque-LGBT, que deverá receber, encaminhar e monitorar denúncias de violações de direitos desse segmento da população.
O secretário-geral da IGLCC, Pascal Lépine, parabenizou o governo brasileiro pelas iniciativas para o segmento e falou sobre a realização promovida por sua entidade de um ranking das empresas mais amigáveis com a população LGBT. A última edição contou com a participação de 25 empresas em todo o mundo, que juntas movimentam aproximadamente R$ 6 trilhões anuais. A única representante latinoamericana foi a LAN. “Espero que as empresas brasileiras possam participar daqui pra frente”, convidou Lépine.
A coordenadora- geral de Promoção da Cidadania LGBT, Mitchelle Meira, destacou o avanço do Poder Judiciário e os atos do Executivo, como o decreto presidencial que institui o 17 de Maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia.
O coordenador- geral do Conselho Contra a Discriminação, Jeter Souza, falou sobre o compromisso e as garantias das empresas públicas com a diversidade sexual. “Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil são bons exemplos”, avalia. Souza ainda ressaltou que em 2009 todos os bancos passaram a reconhecer os direitos LGBT, o que surpreendeu positivamente o secretário-geral da IGLCC. “Nunca vi isso em outro lugar do mundo. É muito bom porque de modo geral as empresas se espelham muito para os bancos para a formulação de políticas”, disse Lépine. Ele disse que a Câmara pretende instalar duas filiais nos próximos anos. “Uma na Europa e outra na América Latina. E eu adoraria que esta fosse no Brasil”, concluiu.
Fonte: Secretaria de Direitos Humanos
Após se encontrar com o presidente Lula, o secretário-geral da IGLCC foi recebido em audiência pelo ministro em exercício da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Rogério Sottili. “Estamos muito felizes em recebê-lo e agradecemos pelo trabalho realizado pela Câmara”, disse.
Em seguida, Lépine foi recebido em audiência pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, que ressaltou os avanços do Brasil na área LGBT e se colocou à disposição para ajudar IGLCC no que for preciso.
Entre as atividades da IGLCC está a divulgação de um índice que mede o desempenho das empresas multinacionais em relação à diversidade e inclusão nos países onde eles têm escritórios, especificamente em relação às comunidades de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT). Ele serve como um indicador da direção tomada pela diversidade nas corporações globais e nas comunidades locais em que eles servem. Este ano, as cinco principais empresas mais LGBT-friendly (amigável) do mundo são: IBM, Google, BT Group, Morgan Stanley e Cisco Systems.
Histórico – Rogério Sottili recebeu no ano passado, em nome do presidente Lula, em Copenhagen, na Dinamarca, o prêmio anual Liderança Internacional, da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, conferido à pessoas e entidades que apóiam a comunidade LGBT.
A escolha do presidente brasileiro para ser agraciado em 2009 foi unânime, e salientou-se o fato de Lula ter se pronunciado abertamente a favor dos direitos de todos os brasileiros, incluindo os integrantes da comunidade LGBT. Pascal Lépine, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional Gay e Lésbica, diz na carta em que comunica a concessão de prêmio ao presidente, que a “criação da 1ª Conferência Nacional LGBT Brasileira segue como exemplo de exemplo de sua liderança não somente na América Latina, mas globalmente.
Brasil Sem Homofobia - Na audiência na SDH, a subsecretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SDH, Lena Peres, fez uma apresentação das políticas públicas do governo brasileiro para o seguimento LGBT. “No início as políticas são desenvolvidas na área da Saúde. Em 2002, pela primeira vez aparece em Direitos Humanos. Dois anos depois essa agenda é colocada com mais força com o projeto Brasil sem Homofobia e os centros de referência”, explica Lena. A subsecretária também falou sobre a Conferência Nacional LGBT, o Plano de Ação Pactuado por todos os ministérios e o trabalho desenvolvido para a implantação do Disque-LGBT, que deverá receber, encaminhar e monitorar denúncias de violações de direitos desse segmento da população.
O secretário-geral da IGLCC, Pascal Lépine, parabenizou o governo brasileiro pelas iniciativas para o segmento e falou sobre a realização promovida por sua entidade de um ranking das empresas mais amigáveis com a população LGBT. A última edição contou com a participação de 25 empresas em todo o mundo, que juntas movimentam aproximadamente R$ 6 trilhões anuais. A única representante latinoamericana foi a LAN. “Espero que as empresas brasileiras possam participar daqui pra frente”, convidou Lépine.
A coordenadora- geral de Promoção da Cidadania LGBT, Mitchelle Meira, destacou o avanço do Poder Judiciário e os atos do Executivo, como o decreto presidencial que institui o 17 de Maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia.
O coordenador- geral do Conselho Contra a Discriminação, Jeter Souza, falou sobre o compromisso e as garantias das empresas públicas com a diversidade sexual. “Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil são bons exemplos”, avalia. Souza ainda ressaltou que em 2009 todos os bancos passaram a reconhecer os direitos LGBT, o que surpreendeu positivamente o secretário-geral da IGLCC. “Nunca vi isso em outro lugar do mundo. É muito bom porque de modo geral as empresas se espelham muito para os bancos para a formulação de políticas”, disse Lépine. Ele disse que a Câmara pretende instalar duas filiais nos próximos anos. “Uma na Europa e outra na América Latina. E eu adoraria que esta fosse no Brasil”, concluiu.
Fonte: Secretaria de Direitos Humanos
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