terça-feira, 24 de abril de 2012

O importante é a diversidade de ideias?


A pedidos, publico aqui na íntegra o meu artigo que saiu no boletim do Instituto Ethos e no Portal do Geledés.

O importante é a diversidade de ideias?
Por Reinaldo Bulgarelli*
Nossas organizações empresariais já não são por demais brancas, branqueadas e branquejantes, masculinas, masculinizadas e masculinizantes, heteronormativas, "davincianas"1 quanto à imagem do homem perfeito no círculo nada plural da existência?

Se alguém duvida, basta ler jornais ou, com um pouco mais de interesse, procurar a pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas no Brasil e Suas Afirmativas, do Instituto Ethos e do Ibope. Segundo o último estudo, de 2007, tínhamos 96,5% de brancos, 89,5% de homens e 99,6% de pessoas sem deficiência no quadro executivo das empresas. É um lugar no qual são tomadas decisões importantes sobre as atividades da empresa num país plural, diverso e em rápido e profundo processo de mudança.

Eduardo Barros, do Info Money, escreveu que “se você é homem, de cor branca e de meia-idade, com diploma de curso superior e sem deficiência física alguma, saiba que está muito mais próximo de conquistar um cargo de direção numa grande empresa brasileira do que qualquer outra pessoa que não se enquadre nesse perfil." Ele não está errado. A conversa sobre mérito, portanto, é mentirosa ou é malfeita. Quero acreditar na segunda hipótese.

Se essa falta de diversidade não é problema para alguns, para muitos significa atraso, incoerência com os próprios valores, prejuízo para as empresas no seu diálogo com o presente e com o futuro, com os clientes atuais e com aqueles que se espera atrair numa sociedade plural e ao mesmo tempo com muitos problemas para aceitar e valorizar sua diversidade.

"O mais importante é a diversidade de ideias" é uma frase repetida com ares de seriedade e quer, talvez, demonstrar compromisso com valores mais profundos, preocupação com o que é realmente importante: a alma. Por que separar o que nasceu junto, corpo e alma? Quem diz esse tipo de coisa se alimenta, passeia pelas ruas, assiste TV ou apenas paira em etéreo lugar?

Eu costumo chamar essa falsa valorização da diversidade de "almificação dos viventes". E mesmo essa proposta de focar nas almas é engraçada, porque não se trata de almas com vivências inteligíveis, mas "almas cósmicas", "supraterrestres", sem história, sem vida, sem nada a dizer.

Numa empresa qualquer, se alguém cruzar nos corredores com alguma ideia flutuando fora de um corpo, melhor chamar a segurança, acionar o alarme e pedir para evacuarem o prédio. Ideias importantes ou as ideias que importam não andam por aí descoladas de um corpo, de um alguém que as concebeu. Seria uma ideia ruim, ingrata ou delinquente, ao andar por aí sem seu corpo.

Criticamos Taylor e todos que querem reduzir os trabalhadores, mesmo os moderníssimos trabalhadores da era do conhecimento, a uma mera "mão de obra", mas essa coisa de dizer que a diversidade importante é a das ideias não é nada diferente. É como se dissessem: "O que importa são suas ideias e não você. Pendure todo o resto lá fora e venha já trabalhar, sem trazer sua vida, seu corpo, sua história, suas concretudes, as vivências que o corpo lhe deu, suas dores, suas alegrias, sua sexualidade, suas crenças, suas contribuições, suas expectativas ou visões de mundo. A tarefa precisa ser realizada e para isso queremos apenas sua alma a serviço do nosso padrão". Deve ser por isso que falta vida em tantas organizações. A vida como ela é, com qualidades e defeitos, fica do lado de fora.

Há uma empresa na qual grande parte dos negros raspam o cabelo. Eu fico feliz ao ver que, pelo menos, nessa empresa há tantos negros a ponto de serem notados. Por outro lado, fico sempre me perguntando quem foi que mandou os negros rasparem a cabeça. É o racismo impregnado nas paredes. Será que os gestores, mandantes, coniventes ou omissos com o fato, não percebem que junto com os cabelos vão embora as ideias? Ideias e cabelos vivem juntos. Reprimem os cabelos, desprezam o que é próprio da pessoa e eliminam do cenário uma característica, mas também estão desprezando, eliminando uma possibilidade, uma perspectiva, enfim, a riqueza da diversidade.

Quem deixa de contratar alguém por alguma característica dessas que não lembram uma alma incolor, insípida, amorfa, inodora, indelével, invisível, está também deixando de lado um cliente, um fornecedor, uma comunidade, uma possibilidade de ter sucesso. Alguém em sã consciência pode deixar de lado uma possibilidade?

Toda essa "almificação dos viventes" é coisa de gente que também não deve gostar muito da frase do poeta Paul Valéry: "O que há de mais profundo é a pele". É na pele que mora a alma. Se não respeitamos nem a pele, quanto mais a alma! É pela pele que somos hierarquizados, jogados, muitas vezes sem mérito algum, no topo das organizações ou, sem reconhecer qualidades na diferença, somos jogados na rua, excluídos ou assassinados.

Por meio de nossas características concretas, corpóreas, como ser branco ou negro, homem ou mulher, alto ou baixo, gordo ou magro, ter 20 ou 50 anos, ser hétero ou gay, possuir ou não deficiência, é que entramos em contato com o mundo e desenvolvemos nossa essência, nossa identidade, trocando, interagindo e não pairando no espaço, longe do nosso tempo e lugar.

No mundo dos negócios, tão objetivo, concreto, por vezes cartesiano demais, a frase sobre as "ideias que importam" soa estranha, mas é uma face da ineficiência e a demonstração cabal de que as ideologias racistas, machistas, homofóbicas, entre outras, transcendem a lógica do lucro.

Nada importa mais do que manter as coisas como estão, o mundo "chique" intocável, a "normalidade" reinante, mesmo que para isso tenhamos que perder dinheiro por desprezar parcelas imensas da população que, aliás, são o tal mercado interno que hoje nos salva das crises internacionais.

As empresas não pairam acima ou isoladas das ideologias. Algumas ideologias são mais poderosas que tudo, mesmo afastando as empresas da efetividade, da adição de valor aos acionistas ou ao conjunto de stakeholders, na versão mais sustentável e socialmente responsável.

"A diversidade de ideias é a mais importante" é frase de gente que está colocando a empresa em situação de alto risco. Leve as ideias "almificadas" para o tribunal quando for pagar multa por racismo, por exemplo, para ver se o juiz aceita essa argumentação com os números da demografia interna que o mercado de trabalho apresenta.Talvez até funcione, mas gente séria não cai nessa conversa.

E a chamada lei de cotas para contratação de pessoas com deficiência? Quando será cumprida, se o que importa são as ideias? Quem defende essa proposta irá ajudar a empresa a pagar a multa? Não sentem vergonha de desumanizar o que é humano? Tão poucas mulheres em cargos de liderança! Vamos culpá-las também e dizer que não querem trabalhar, apenas cuidar da própria vida? O mais importante são as ideias... Dos homens, claro!

Por fim, quem diz que o mais importante são as ideias, e não essa história de ficar monitorando a demografia interna em relação a raça, cor, gênero e outras "bobagens", deveria rever seus conceitos. Quer dizer que há empresas contratando pessoas com deficiência, mulheres, negros, homossexuais, pessoas com mais de 45 anos, entre outros, que não têm ideias? Não é estranho? Ou essa afirmação quer dizer que só os homens brancos é que têm ideias ou que só eles têm as ideias que importam?

Se a diversidade de ideias é mais importante do que a outra, a que trata de incluir gente inteira e não pela metade, cindida entre corpo e alma, gente e cultura, porque é que não estão ouvindo suas ideias? Ou será que estão contratando todas essas pessoas e não estão ouvindo suas ideias?! Isso é desperdício, totalmente contraproducente e indicaria que nossas equipes precisam urgentemente de uma boa capacitação, porque estão jogando dinheiro pela janela.

Diversidade cultural é diversidade humana. Não há cultura sem gente e nem gente sem cultura. Nada que afeta a vida dos homens e das mulheres, incluindo o machismo, está fora do mundo ou separado da diversidade cultural. Se diversidade cultural é termo utilizado para falar de outras culturas, sobretudo de outros países – o que é mais chique do que ficar preocupado com o número de mulheres na liderança –, cabe lembrar que há homens ou mulheres nos outros países. Sim!

Diversidade cultural ou diversidade de ideias são na verdade novas maneiras de dizer velhas coisas: "Estamos pouco ligando se você precisa de rampas para chegar à empresa, porque quem nos interessa é quem consegue subir as imensas escadarias que filtram tudo que consideramos ruim por não se parecer conosco e com o que achamos bom".

Essa cisão entre pessoas e ideias, diferente da ironia que fiz neste artigo, é expressão de cinismo. Não é coisa que pode fazer parte do ideário de nenhuma empresa, muito menos das comprometidas com o novo, com a inovação, com a superação de desafios.

Mais do que nunca, as empresas modernas precisam de pessoas inteiras, íntegras, para encontrarem conjuntamente, cooperando umas com as outras, as soluções para os problemas que suas próprias escolhas lhes trouxeram. Como garantir sucesso ouvindo apenas algumas ideias, e não todas as ideias? Quem está "sobrando" nessa conversa anacrônica, possui ideias que, somadas às outras, podem fazer toda a diferença. Ouça o que as chamadas "minorias" têm a dizer e enriqueça sua vida e sua empresa.

* Reinaldo Bulgarelli é sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, organização que assessora empresas em sustentabilidade e responsabilidade social empresarial.

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1 Bulgarelli usa o termo “davincismo” como sinônimo de discriminação à pessoa com deficiência. É que Leonardo da Vinci cristalizou a imagem do "homem perfeito" (o Homem Vitruviano) em muitas mentes. Mas, para o autor, há muitas possibilidades de ser humano. A deficiência é uma delas.
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Artigo publicado no boletim do Instituto Ethos em junho de 2010


sábado, 7 de abril de 2012

A questão do preso e a responsabilidade social empresarial

1o Seminário "Oportunidades de trabalho, emprego e renda para egressos do sistema prisional na cidadade de São Paulo"
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho - SEMDET, vai realizar no próximo dia 23 de abril, no CAT Luz, mais um importante seminário sobre diversidade, responsabilidade social empresarial, os diferentes segmentos da população e sua interface com os desafios de emprego e renda.

Desta vez vamos tratar da questão do preso, dos que já cumpriram pena e que podem encontrar na geração de renda e no emprego alternativas para seguir em frente com a vida. Sobre isso é que falei no meu segundo artigo para o blog do Guilherme Bara. Depois do evento, falaremos mais sobre o tema.

Jornal Cidadania, abril de 2012

A Fundação Bunge possui uma publicação muito bacana com temas relevantes e ótimas contribuições para a cidadania e o desenvolvimento sustentável. É o Jornal Cidadania e neste mês ele traz um balanço sobre os Objetivos do Milênio na matéria de capa. Na contra-capa está uma entrevista comigo falando de valorização da diversidade: "Fazer a Diferença".

Link: http://www.fundacaobunge.org.br/jornal-cidadania/materia.php?id=9806&/como_fazer_a_diferenca

quinta-feira, 29 de março de 2012

Mais diversidade significa mais excelência!


O jovem cadeirante ficou preso nesta grade, que ele chamou de armadilha, ao sair do trêm do Metrô em SP. Ele postou no Facebook e as notícias sobre o caso estão circulando pelos meios de comunicação.
Os empregadores usam essas situações para justificar (?) a não contratação de pessoas com deficiência e o circulo vicioso está formado ou fortalecido.
Empregadores, sejam solidários e conversem com as pessoas com deficiência para entender o que enfrentam para chegar ou sair do trabalho, assumindo compromissos para com a melhoria das políticas públicas e as condições de acessibilidade para todos.
É simples e bem melhor do que ficar lamentando. Quando ao Metrô, também empregador, quanto mais pessoas com deficiência por lá, menor é o risco desta insensibilidade, pra dizer o mínimo, se repetir.
Mais diversidade significa mais excelência! Diversidade significa melhor entendimento e atendimento do seu público, cuidado na qualidade das relações e contribuição significativa para elevar na sociedade os padrões de respeito e promoção dos direitos humanos. Uma empresa inclusiva contribui para uma sociedade inclusiva.
Acolher a diversidade como valor signfica acolher a inovação, promover interações criativas e soluções que sejam sustentáveis para todos. O contrário disso é gerar armadilhas para alguns, mas que comprometem a vida de todos. Alguém tem dúvida disso?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Voluntariado empresarial: minha homenagem à liderança de Cristina Y. Fernandes

A foto ao lado, tirada por Andrea Goldschmidt, da Apoena Sustentável, é do grupo técnico constituído por membros de organizações não governamentais, consultorias e equipe de profissionais da Fundação Itaú Social. Foi tirada no final do ano, quando realizamos um balanço das atividades realizadas em 2011. A reunião foi na Txai, inaugurando a fase de visitas a cada organização membro do grupo que assessora as ações de voluntariado empresarial no Itaú Unibanco.

Ontem, 27 de março de 2012, foi a despedida da Cristina Yoshida Fernandes da Fundação Itaú Social, onde estava à frente do Programa Voluntários Itaú Unibanco. Ela quer levar essa experiência toda para outros lugares, outros temas, vivenciar outros desafios, como acontece na vida de todo mundo de tempos em tempos. Tem algo mexendo dentro da gente que faz sair em voo livre para encontrar novas oportunidades para expressar o que trazemos de singular para o mundo. Assim acontece com a Cris, que liderou durante alguns bons anos o programa de voluntariado empresarial mais importante do país, na minha humilde opinião.

Cris liderou o programa com um encanto especial pelo desafio. Eram muitos! Ela soube aliar o compromisso com temas sociais relevantes com a identidade da organização, bordando, construindo pontes, provocando encontros nunca antes imaginados entre negócios e desenvolvimento social. Quando vejo gente bacana como a Cris, lembro da frase que sempre cito nas palestras: “O desenvolvimento sustentável não pode ser alcançado por um país sozinho. Não pode ser alcançado em uma só esfera, como a economia. Esta prática exigirá certas parcerias nunca antes estabelecidas na História” Cumprindo o Prometido - WBCSD, 2002


Não é tarefa simples, muito menos fácil. Tem horas que o mundo empresarial e sua lógica, seus rituais, sua linguagem toda própria quer invadir a prática social sem se dar conta de que o terreno exige humildade, sensibilidade, atenção para peculiaridades que, afinal de contas, geram aprendizados relevantes para a empresa. Tem horas que o mundo do social, seus atores e organizações com sua lógica, seus rituais, sua linguagem toda própria quer invadir a prática das empresas sem se dar conta de que o terreno exige também humildade, sensibilidade, atenção para peculiaridades que geram os aprendizados as organizações da sociedade civil e do governo.

É preciso ser um artista para promover esse diálogo fértil considerando a diversidade. E a Cris fez um trabalho excepcional porque é esta artista do invisível, como diz o Alan Kaplan em seu livro “Artistas do Invisível”, da Editora Peirópolis. Com um sorriso largo e muita disposição para ouvir e aprender, disse a que veio e contribuiu significativamente para a construção de um programa sólido ou, mais que isso, para uma referência no meio empresarial de como é possível fazer as coisas promovendo encontros.

Um programa de voluntariado empresarial é esta tentativa de mobilizar as pessoas para um encontro que acontece na intersecção entre setores, fazeres, desejos e interesses dos mais diversos para promover o bem-comum. Cada setor, cada organização e cada profissional já devem estar inseridos no todo da sociedade contribuindo para o desenvolvimento sustentável, mas o voluntariado cria canais de comunicação e troca entre todos por meio das pessoas. No voluntariado as pessoas se expressam, os aprendizados podem fluir, acelerar, humanizar e qualificar processos de transformação da realidade. Quando a pessoa está no centro do desenvolvimento, ele é mais consistente e faz sentido para todos.

Não, a Cris não agiu sozinha e não é uma heroína solitária que enfrentou dragões. Ela soube articular-se e articular em volta de sua tarefa um grupo gigante de pessoas que a ensinaram e aprenderam com ela, que juntaram forças e aprimoraram abordagens e práticas. Uma líder é assim mesmo, capaz de se fazer presente, de não sumir na multidão e fazer com essa multidão tenha nome, rosto, histórias, identidade. Não sei o que a Cris vai fazer daqui pra frente, mas o que deixou de contribuição nestes anos em que esteve à frente do programa de voluntariado empresarial do Itaú Unibanco a credenciam para que seja sempre considerada. É bom prestar atenção na Cris.
Postei mais um artigo no Blog do Guilherme Bara. Desta vez estou falando sobre a questão do mercado de trabalho e os presos, fazendo referências a um evento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho - SEMDET, da Prefeitura de São Paulo, e a publicações, incluindo o importante manual do Instituto Ethos.
Veja o artigo -

sábado, 10 de março de 2012

Organizações MMM
Masculinas, masculinizadas e masculinizantes

(foto de Guilherme Bara)

Foi com este tema que inaugurei minha coluna no blog do amigo Guilherme Bara. Ele me convidou para escrever sobre diversidade neste espaço que trata de política, diversidade e muito mais, como está por lá.

Guilherme é deficiente visual, trabalha com o tema da inclusão de pessoas com deficiência no meio empresarial e em organizações não governamentais, além de ter uma bela trajetória como militante do PSDB.

Poderia ficar na dele, na linha do "deixa a vida me levar...", mas milita, é inquieto, gosta de justiça e não se nega a dar sua contribuição para termos um mundo mais sustentável e inclusivo. Aprendi muito com Guilherme nos poucos anos de convivência e ele é uma referência para mim quando cito uma pessoa com deficiência que sabe atuar na área de negócios de uma empresa. Ele mesmo conta sua história no blog.

Estou no blog acompanhado de amigos do Guilherme, como Andrea Matarazzo, Mara Gabrili, Floriano Pesaro, Humberto Dantas, Ricardo Montoro e Soninha Francine.

Quanto ao meu artigo, aproveitei o espaço para falar mais uma vez das organizações MMM, aprofundando alguns aspectos que outros espaços ainda não tinham permitido. Nas próximas colunas, sempre a diversidade presente e interagindo com os temas do Guilherme.

Segue link para o Blog do Guilherme:
http://www.blogdoguilhermebara.com.br/organizacoes-mmm-masculinas-masculinizadas-e-masculinizantes/

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher 2012

Conquistas femininas
Conquistas masculinas

Reinaldo Bulgarelli, 08 de março de 2012

Mais visibilidade, mas a desigualdade continua

As mudanças que estão ocorrendo no país nos últimos anos, sobretudo com a entrada significativa das mulheres no mercado de trabalho, faz pensar sobre a visibilidade que elas estão ganhando, apesar da persistência das desigualdades. Elas estão mesmo mais visíveis e, com isso, diversificando a gama de assuntos relacionados ao ser mulher no mundo contemporâneo.

O inimigo da mulher é o homem ou é o machismo?

Contudo, as relações de gênero permanecem invisíveis. Pouco se fala que o grande inimigo da mulher é o machismo e que ele se dispõe, com as devidas peculiaridades, para homens e mulheres, passeando com sapato de pregos por todas as cabeças. Os prejuízos do machismo para as mulheres estão sendo desvelados e explicitados quanto maior a presença delas em diferentes lugares na sociedade. Mas, e os homens?

Impacto no número de avanços, na velocidade e na qualidade dos mesmos

A invisibilidade do tema das relações de gênero, que envolve homens e mulheres nos seus papéis construídos socialmente, deixa o debate empobrecido, pode estar limitando o número e a qualidade dos avanços. Digo isso, para não generalizar, a partir do olhar sobre a realidade empresarial e do movimento de mulheres surgido no âmbito das grandes empresas durante a última década.

Práticas com foco em mulheres que fingem não existir o machismo

Elas, as mulheres, estão se organizando em grupos para discutir as velhas e novas situações que estão enfrentando. Aumentou o número de mulheres nas empresas e elas estão em atividades, incluindo a liderança, onde nunca estiveram antes. Há mesmo muitos assuntos a serem abordados e é importante se unir para tratar disso tudo. Há grupos que, aliás, só pensam na questão da carreira, sobretudo nas empresas que trabalham com metas. Há programas de mentoring com foco em mulheres e muitos deles eu mesmo ajudei a criar. Tenho participado de eventos fantásticos que envolvem até dicas de etiqueta, moda, e finanças pessoais. Excelente! Mas, e os homens?

Discussão empobrecida, resultados empobrecidos

A pobreza desta abordagem está na ausência de conceitos que tratem das relações de gênero nesta nova configuração, o que impacta as práticas. Se há um mundo perfeito que não contempla as mulheres, a tarefa é entrar nele e ocupar todas as posições. Os homens são os inimigos – assim citados explicitamente ou de forma velada, que devem ser removidos para dar lugar a esta marcha triunfante.

Só é real e efetivo o que cabe na planilha de Excel

Parte desta pobreza na abordagem se explica na própria ideologia do machismo, mas parte também está relacionada à peculiaridade do mundo empresarial e sua cultura de rejeição a tudo que não seja prático, concreto, com planos e resultados que se encaixem numa planilha de Excel. Mesmo onde há uma liderança de alto escalão em busca de novas ideias, refletindo e filosofando sobre a identidade organizacional, a marca e o contexto social, político, cultural e econômico, impera nos escalões abaixo a rejeição e a desqualificação disso tudo.

Tudo que significa mudança é teórico, blá-blá-blá...

Como relações de gênero parece conceito complexo demais para caber na planilha, as práticas acabam projetando os conceitos adotados implicitamente. Toda prática expressa uma visão de mundo, um conceito, quer queiram ou não aqueles defensores da queima de livros. Dizem que é teórico tudo que envolve uma nova maneira de agir na realidade e dizem que é prático tudo que confirma o que pensam e lhes garante conforto.

Ocupar lugares e transforma-los!

Nesta triste história de rejeição e desqualificação do pensar, as práticas demonstram certa ingenuidade ao achar que a tarefa é apenas entrar e ocupar espaços neste mundo perfeito. Tenho abordado essa questão das organizações masculinas, masculinizadas e masculinizantes como uma forma de chamar a atenção para este mundo nada perfeito, buscando que se amplie a reflexão sobre o lugar a ser ocupado e, mais que isso, transformado.

Um mundo para as mulheres, das mulheres ou com as mulheres?

Queremos organizações do jeito que são hoje, mas com mais mulheres? Queremos organizações apenas de mulheres? Ou será que queremos organizações que sejam tão masculinas quanto femininas na maneira de ser, de planejar, de agir ou de operar seus negócios? Essa última alternativa é a que defendo, sabendo que ela envolve uma transformação de homens e mulheres, de suas relações e, portanto, da dinâmica das organizações.

Um mundo feminino ou um mundo que valoriza a diversidade?

Há quem defenda que mulher é melhor em tudo, portanto, que o mundo ideal seria liderado pelas mulheres. Mas há quem defenda, como eu, que a riqueza está na diversidade, no processo de interação entre homens e mulheres, algo complexo, dinâmico e que está agora acontecendo bases que há dez, vinte ou quarenta anos atrás não existiam. Na interação dada, os homens mandam e as mulheres os servem. Na interação trabalhada intencionalmente na direção da diversidade, homens e mulheres repensam seus papéis, suas histórias e seus projetos de vida, considerando suas características e as novas necessidades.

Mulheres e homens que se reinventam

Não há avanços significativos sem o envolvimento dos homens. Assim como as mulheres, eles são parte do problema e também são parte da solução quando a questão é enfrentar o machismo. Na defesa de suas posições e privilégios, não sejamos ingênuos, muitos homens se colocam como inimigos das mulheres e arrumam argumentos até sofisticados para dizer por que elas não estão presentes e jamais deveriam estar. Mas o enfrentamento do machismo é algo que permite superação de práticas, reinvenção de si mesmo, repensar papéis e reconstruir a própria história em novas bases.

Provedores e cuidadores

Um dos efeitos do abandono dos homens pelo caminho é que as mulheres estão conquistando o lugar de provedoras, mas acumulando o papel de cuidadoras. E os homens? Estão dividindo com as mulheres o papel de provedor, mas não estão assumindo o papel de cuidadores. O que se busca? Parece que é mais interessante a todos termos homens e mulheres que sejam ao mesmo tempo provedores e cuidadores. As tarefas reprodutivas não chegaram ainda ao mundo masculino na mesma proporção que as tarefas produtivas estão sendo assumidas pelas mulheres.

Mulheres liberadas e homens interditados

Sempre cito em minhas apresentações que há anos atrás as meninas eram proibidas de brincar com os meninos, com seus brinquedos e rituais que estes envolvem, assim como os meninos eram interditados de brincar com as meninas, seus brinquedos e rituais. Hoje, os meninos continuam interditados enquanto as meninas brincam de tudo. Qual o impacto disso na vida das meninas? E dos meninos? Eles continuam, por exemplo, não brincando de boneca, de casinha, deixando de se preparar para um mundo onde terão cada vez mais que conviver com mulheres que trabalham, que os chefiam, que são seus pares em tarefas para as quais não foram preparados.

Infantilização dos homens – novos desafios e as mesmas respostas

Poderemos ter homens solitários, que não conseguem estabelecer uma relação significativa com mulheres, principalmente quando elas também mandam, são provedoras e até ganham mais do que eles. Temos homens infantilizados frente aos desafios do nosso tempo, com respostas velhas e simplistas para questões atuais. Mas, eles se sentem convidados a se reinventar?

Empresas contemporâneas e homens trogloditas

Se hoje a competência é baseada na capacidade de comunicação, de cuidar da equipe, de cuidar da qualidade das relações com todos os stakeholders, na sensibilidade, no olhar o todo, receber e dar feedback, quem tende a receber melhor avaliação? Quem foi educado para cooperar, cuidar, considerar impactos e quem foi educado para competir, prover e para ter foco? No mercado de trabalho, eles estão sendo cada vez mais avaliados de maneira negativa frente à exaltação dos atributos femininos, mais sintonizados com o perfil da empresa contemporânea e com os desafios do momento.

Muitos desafios e muitas possibilidades ao alcance de todos

Chegaremos a algum lugar interessante sem que homens e mulheres estejam juntos realizando estas reflexões e compartilhando visões, interesses e aprendizados? É possível que apenas as mulheres se livrem ou nos livrem a todos do machismo? O Dia Internacional da Mulher foi criado para darmos mais atenção a estas reflexões sobre como queremos ser homens e mulheres no século XXI. Não temos apenas problemas, mas há muitas possibilidades que estão colocadas e cuja potencialidade de transformação de nós mesmos e do mundo pode no levar a lugares muito melhores do que os atuais. É uma tarefa apenas das mulheres?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tendências do Voluntariado Empresarial

Estive no Grupo de Estudos sobre Voluntariado Empresarial no dia 05 de outubro de 2011 falando sobre tendências do voluntariado empresarial estratégico. Gostei muito do diálogo com todos e pude compartilhar entendimentos e também questões que inquietam no trabalho junto às empresas clientes da Txai. Veja no blog do Grupo o conteúdo da apresentação e algumas fotos do evento. Reinaldo Bulgarelli

http://grupodevoluntariadoempresarial.wordpress.com/

Tendências de Voluntariado Empresarial – encontro foi sucesso!


O encontro de hoje (5/10) foi inovador e muito dinâmico, as estratégias e tendências foram os temas da ocasião.
O palestrante e consultor Reinaldo Bulgarelli trouxe muitas reflexões, agendas e desafios das tendências do voluntariado empresarial.
O público de 44 pessoas de diferentes empresas e organizações refletiou, questionou e debateu o tema com muito entusiasmo.
Após a exposição, 4 grupos formados e mediados pelo grupo organizador trouxeram para a discussão como as tendências são colocadas em práticas nos programas de voluntariado.
Reinaldo gentilmente cedeu o conteúdo de sua palestra para os participantes: Voluntariado Estratégico 051011 Bulgarelli

Até o próximo encontro no dia 30/11.

domingo, 25 de setembro de 2011

São Paulo lidera denúncias de agressão contra gays, diz estudo
Dados do Disque 100 revelam que, em 39,2% das ocorrências, vítimas são agredidas por desconhecidos

Jornal O Estado de São Paulo
Sexta-Feira, 23 de Setembro de 2011, 22h45
Rafael Moraes Moura

BRASÍLIA - Desconhecidos e vizinhos são os que mais praticam violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), dentre os casos denunciados ao Disque 100, o Disque Direitos Humanos. A central de atendimento do governo federal foi criada para registrar abusos contra crianças e adolescentes, mas, desde o início do ano, expandiu o serviço para outros grupos, como a população LGBT.

Levantamento da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) - ao qual o Estado teve acesso e que será divulgado na segunda-feira - aponta que, em 39,2% dos episódios de violação relatados contra a população LGBT, o agressor foi um desconhecido; em 22,9%, vizinhos; e em 10,1%, os próprios amigos.

De janeiro a julho, o Disque 100 recebeu 630 denúncias contra a população LGBT. As vítimas concentram-se na faixa etária de 19 a 24 anos (43%) e de 25 a 30 anos (20%).

Os casos mais comuns de violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são os de violência psicológica (44,38%), como ameaça, hostilização e humilhação, e de discriminação (30,55%).

Das vítimas, 83,6% são homossexuais, 10,1%, bissexuais e 4,2%, heterossexuais que sofrem algum tipo de violência ao ser confundidos como gays.

No recorte feito por Estado, São Paulo (18,41%), Bahia (10%), Piauí (8,73%) e Minas Gerais (8,57%) lideram as denúncias - o Rio de Janeiro aparece com apenas 6,03% - por já contar com um serviço semelhante oferecido pelo governo estadual.

"Isso demonstra que a violência de caráter homofóbico tem um forte componente cultural, é a mais difícil de ser enfrentada porque é justamente a que não fica comprovada por marcas no corpo", disse ao Estado a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Baixo índice. Do total de denúncias recebidas diariamente pelo Disque 100, as que dizem respeito à população LGBT não ultrapassam 1% - um dos motivos do baixo número seria o fato de o módulo de atendimento específico ainda ser pouco conhecido. "Esses números não refletem a realidade do Brasil, que é ainda pior", afirma Maria do Rosário.

Para o ouvidor Domingos da Silveira, da SDH, os dados do levantamento são reveladores. "Mostram a capilaridade da homofobia, ela vem do interior, das capitais", diz. "Ela está disseminada e se tornou banal."

Resolução. Os casos denunciados ao Disque 100 são ouvidos por uma equipe de teleatendimento e posteriormente encaminhados a órgãos competentes, como o Ministério Público, a Defensoria Pública da União e centros de referência ligados à comunidade LGBT espalhados por todo o País.

Em alguns casos, a própria Secretaria de Direitos Humanos intervém na resolução do conflito.

Foi o que ocorreu com um casal de lésbicas, que denunciou o fato de uma das companheiras não ter conseguido incluir a outra no plano de saúde. Após um ofício da SDH ter sido encaminhado ao hospital em contato com o casal, o caso teve uma resolução.

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, é enfático na defesa dos direitos da população LGBT.

"Não queremos cargos no DNIT (o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, que virou foco de corrupção na administração federal recentemente) nem que nos paguem governanta (em referência a um dos escândalos que derrubaram Pedro Novais do Ministério do Turismo), apenas cidadania", diz. "A homofobia precisa ser criminalizada", defende Toni Reis.
Veja a notícia no site do Estadão:

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

"Existirmos, a que será que se destina?" - Curso Gestão de Organizações do Terceiro Setor

Terceiro Setor
Começa hoje um dos cursos que coordeno no PEC/FGV SP - Gestão de Organizações do Terceiro Setor. Percebo que muitos profissionais vão buscar o curso na esperança de "importar" conhecimentos do mundo empresarial. É interessante e o mundo empresarial tem muito a ensinar para as organizações da sociedade civil, contudo, o inverso também é verdadeiro. Seguem algumas das minhas ideias que coloco para discussão no curso.

1. Há organizações do terceiro setor que incorporam sem críticas o que há de pior no mundo empresarial. Entendem que, para ser eficientes, efetivas e eficazes, é preciso apenas copiar ideologias, práticas de gestão, métodos e sistemas e sistemas utilizados pelas empresas. Tornam-se um clone sem alma de algo que também está sendo questionado. Empresas? Quais empresas, que mundo empresarial, quais referências servem e não servem para as ONGs? Enquanto há empresas que querem aprender com ONGs e precisam delas como referência para entender questões como engajamento, mobilização social,intangível, responsabilidade social etc., muitas ONGS tentam fazer o caminho inverso e olham para o passado do mundo empresarial ou o que há de pior nele como fonte de inspiração. As ONGs têm muito a aprender com as empresas e vice-versa, mas é preciso ter uma postura crítica, ‘traduzir’ conceitos e práticas e não assimilar mecanicamente e repetir sem inovação o que deve ser superado.

2. A sustentabilidade mora na qualidade das relações. As pessoas determinam e são determinadas pela qualidade das relações que envolvem, por sua vez, processos, sistemas, condutas, formas de ser e de fazer negócios. Devemos e podemos buscar respostas para evitar lesões aos direitos humanos, adicionar valor, reduzir custos, promover a responsabilidade social e criar meios para que a sociedade alcance patamares mais sustentáveis.

domingo, 14 de agosto de 2011

1o Seminário de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial

Dia 25 de agosto, na sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, das 8h30 às 13h, um conjunto de organizações realizará o 1º. Seminário de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial – Geração de Trabalho, Emprego e Renda na Cidade de São Paulo.
A Txai é parceira técnica do evento e acredito que será um momento muito especial para melhor entendimento dos desafios e possibilidades presentes hoje na questão do negro na sociedade brasileira. Na plateia teremos pequenas, médias e grandes empresas, ONGs, organizações governamentais, universidade, num momento raro de articulação de todos os setores na busca de soluções para garantir equidade nas relações raciais.

No início do dia, além da abertura do Secretário Marcos Cintra, teremos um panorama geral da situação do negro no país, oferecido pelo economista Marcelo Paixão. Também teremos um panorama das ações governamentais e das implicações do Estatuto do Negro, em apresentação de Maria Aparecida de Laia, coordenadora da CONE – Coordenadoria de Assuntos da População Negra da Prefeitura de São Paulo. Em painel mediado por mim, um conjunto de organizações representativas da promoção da igualdade racial no âmbito do emprego e renda compartilhará suas práticas e visões, abrindo para questões da plateia.

Participe e divulgue o convite e a programação em anexo para sua rede de relações.

Clique na imagem para ver em tamanho maior, salvar ou imprimir.

Abraços! Reinaldo

domingo, 7 de agosto de 2011

Seis Aulas de Dança em Seis Semanas - uma peça sobre diversidade etária e muito mais

“Seis aulas de dança em seis semanas”
Reinaldo Bulgarelli, 07 de agosto de 2011

Hoje se fala tanto de Geração Y e muitos estereótipos lhe são atribuídos na tentativa de descrever uma geração inteira de pessoas. Não funciona muito porque esquecem de traduzir o que foi produzido nos EUA para a realidade brasileira.

Mesmo as produções locais reúnem alhos e bugalhos. Num país onde faz toda a diferença o local onde você vive, sua cor de pele, raça, se você é homem ou mulher, falar de uma geração no singular é uma inutilidade para os gestores e um desserviço para os tais Y.

Mas, eu gosto mesmo é de me debruçar sobre a questão da diversidade etária. Mais importante do que estas tentativas de “fotografar” os X, Y, Z e Baby Boomers (a expressão em inglês denuncia a falta de tradução de que falei acima, não?), gosto de entender quais são as limitações e as possibilidades que o encontro de diferentes gerações pode oferecer para a qualidade das relações numa equipe. O foco na qualidade das relações parece ser mais interessante do que o retrato 3x4. A vida é mais complexa, rica, cheia de desafios e com as possibilidades de transformação de todos e do todo onde acontecem as interações.
Além disso, ninguém pode ser reduzido a um dos seus marcadores identitários, como ter nascido numa determinada época. Os marcadores são importantes quando abordados de maneira sistêmica, interagindo com orientação sexual, classe social, estilo de vida e tantos outros. Se fosse possível isolar a praga do preconceito num único tipo, por exemplo, a vida seria muito sem graça. O divertido é perceber que a qualquer momento podemos nos defrontar com algo novo que nos desafia a ultrapassar fronteiras ou muros que nós mesmos erguemos ou mantemos no jardim.

Tudo isso está na peça “Seis Aulas de Dança em Seis Semanas”, de Richard Alfieri, direção de Ernesto Piccolo e realização do MESA 2. A convite do Fernando Cardoso, do Mesa 2, fui assistir a peça na última sexta-feira, dia 05 de agosto. A peça fica em cartaz até início de outubro. Duas pessoas, de diferentes gerações, se encontram em torno de uma tarefa comum: aulas de dança. Descobrem o que têm em comum e o que não têm, mas constroem uma relação rica exatamente nesta combinação da igualdade e da diferença, do que há de semelhante e divergente.
Recomendo a todos aqueles que estudam o tema da diversidade etária no ambiente de trabalho e, claro, para quem quiser se divertir numa peça que faz rir e chorar. Difícil que alguém não se identifique com estes dois personagens interpretados por Suely Franco e Tuca Andrada. Assim é a vida. Difícil que ninguém encontre no outro, por mais diferente que seja, algo em comum. Sai da peça, com meu amigo Luiz Paulino, pensando nas muitas histórias vividas que aqueles minutos conseguiram colocar no palco.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Decálogo da Diversidade - Reinaldo Bulgarelli


Reinaldo Bulgarelli, lançamento do Diversos Somos Todos, 2008
10 IDEIAS SOBRE VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE
Reinaldo Bulgarelli, julho de 2011
Para facilitar a compreensão sobre um conceito tão complexo, criei dez afirmações ou ideias que expressam meu entendimento sobre valorização da diversidade, sua importância e seu sentido. 
1.     A diversidade é uma característica essencial da vida e, portanto, fonte de riqueza.
2.     A diversidade pode ser entendida como o conjunto de diferenças e semelhanças que nos caracterizam.
3.     Diversos somos todos e não apenas alguns de nós, estejamos ou não em situação de privilégio em função de algum marcador identitário.
4.     Valorizar é considerar a diversidade na maneira de ser, de fazer e de se relacionar.
5.     As pessoas têm valor com suas características ou marcadores identitários e não apesar deles, sejam eles quais forem.
6.     Nossas relações e as soluções para os desafios da vida podem se empobrecer quando nos conectamos apenas pelas semelhanças e ignoramos, negamos ou sumimos com as diferenças.
7.     Ser indiferente às diferenças não ajuda a melhorarmos como comunidade humana.
8.     Respeitar não é fingir que a diferença não existe, mas é considerar a diversidade como se apresenta para podermos lidar com os possíveis conflitos e inovações que as relações humanas proporcionam.
9.     Inclusão efetiva é a que se estabelece em via de mão dupla, no diálogo, no enfrentamento dos conflitos e não na indiferença, negação ou supressão deles.
10.  Valorizamos a diversidade porque é a coisa certa a ser feita e, ao promove-la, oferece as condições para nos aproximarmos mais, cooperarmos mais e encontrarmos juntos melhores soluções para os desafios da vida.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O crescimento e o desenvolvimento

Crescer é uma coisa, desenvolver é outra bem diferente. Estamos crescendo, mas os dados com recortes de raça/cor, gênero, deficiência e o inexistente recorte por orientação sexual, demonstram um país careta, atrasado, com preconceitos atrapalhando os negócios, a felicidade das pessoas e, portanto, o desenvolvimento sustentável. Onde chegaremos se nem todos estão indo junto? Reinaldo Bulgarelli

 
Enviado por Míriam Leitão e Alvaro Gribel - 05.07.2011
|15h00m
COLUNA NO GLOBO
Números que contam

Quando se quer ter uma dimensão da crise espanhola, costuma-se usar o número do desemprego: 20%. Quando se quer mostrar que o Brasil está muito bem, um dos dados exibidos é a menor taxa de desemprego da série iniciada em 2002. Em maio, ela foi de 6,4%. Naquele mesmo mês, para uma jovem de 18 a 24 anos, negra, a taxa brasileira ficou em 20%.

O mercado de trabalho brasileiro está num bom momento, sem dúvida. Há maior formalização, maior oferta de oportunidades, a renda está em alta e os empresários estão reclamando que falta gente para contratar. Mas, como tenho sempre registrado aqui, ele não é igual para todo mundo. Ainda que esteja ficando melhor para todos, as distâncias permanecem marcantes.

Veja os dois gráficos abaixo preparados com dados fornecidos pelo IBGE na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de maio. Um homem branco tem taxa de país com pleno emprego, 4,2%; mas uma mulher negra (preta e parda na classificação do IBGE) tem taxa pior do que os Estados Unidos, 9,5%. Se a pessoa, de qualquer cor ou sexo, for jovem, entre 18 e 24 anos, o número chega a 13,5%. Se for jovem, mulher e negra, aí é que a taxa chega a ser espanhola, 20%.

Um leitor mandou e-mail considerando como possível explicação para o desemprego alto de mulheres negras e jovens o “absenteísmo causado pela licença-maternidade”. Na verdade, até para os homens a taxa nesta faixa etária é alta. É alta para todos dessa idade, mas é incrivelmente elevada para jovens negras.

O mercado de trabalho brasileiro está todo cheio de coisas estranhas como mostram as taxas de desemprego por faixa de instrução. Elas são menores para quem tem pouca ou tem muita instrução; o perigo é ficar no meio. Com até um ano de estudo, a taxa é de 3,2%; até três anos, 3,3%. Com ensino universitário é de 5%. Mas com oito a dez anos de estudo é de 7,9%. Para mulher negra $faixa de escolaridade é de 13,2%.

Entre pessoas com baixa escolaridade, as diferenças também estão presentes. Se for homem branco, de um ano a três anos de estudo, o desemprego é 1,9%; se for mulher branca, é 5,5%; se for mulher negra, é 6,7%. Se tiver de oito a dez anos de escolaridade, os homens brancos têm 5,8% de desemprego; as mulheres brancas, 9%; as mulheres negras (pretas e pardas), 11,1%.

O mercado de trabalho prefere homens brancos e que já tenham concluído o período de treinamento. Quem não concluiu o ensino médio, quem está procurando o primeiro emprego, mulheres, principalmente as negras, amargam número de país em crise, mesmo no nosso melhor momento.

Alguns números não querem dizer o que parecem, precisam ser explicados; mas os da taxa desagregada de desemprego querem dizer exatamente o que dizem: o mercado de trabalho no Brasil, mesmo num momento em que tantos empresários se queixam de falta de gente, se dá ao luxo de preferir e preterir. O mercado prefere homens brancos, deixa em segundo plano mulheres, tenta evitar os muito jovens e cria ainda mais barreiras para mulheres negras. Pode-se explicar o fenômeno com qualquer contorcionismo, mas seria preferível ver o que os números contam. Eles contam que o mercado de trabalho no Brasil discrimina. E este seria o melhor momento para superar essas barreiras, afinal, as empresas se queixam de “apagão de mão de obra”. É a melhor hora para a inclusão.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Sustentabilidade, liderança e diversidade

Atendendo a pedidos, segue aqui artigo publicado no site da Ideia Sustentável (http://www.ideiasustentavel.com.br/lideres/artigos/liderancas-e-diversidade/ ) que não está no ar momentaneamente.

Ao lado, foto do livro "Conversas com Líderes Sustentáveis", de Ricardo Voltolini


Lideranças e diversidade

Reinaldo Bulgarelli, junho de 2011.
Sustentabilidade é um tema que possui uma agenda em construção. Tem horas que essa agenda pende muito para o lado ambiental. Eu teimo em puxar também para o lado cultural e coloco o tema da valorização da diversidade na mesa. Faço isso faz tempo. Na ECO 92, por exemplo, eu lá estava coordenando um dos fóruns paralelos que tratava de desenvolvimento social. Nos documentos da ONU, como este de 1992, a questão da diversidade está sempre acompanhando a questão da sustentabilidade.

Teimo e gosto de teimar porque entendo que não há sustentabilidade sem valorização da diversidade. Entendo que a tal sustentabilidade que estamos discutindo, praticando e construindo mora na qualidade das relações. É um cuidar da qualidade das relações da pessoa consigo, com os outros, com o todo. É o cuidado da organização com a qualidade das relações com seus stakeholders.

Um dos elementos dessa relação de qualidade é a valorização da diversidade, o gosto pela vida diversa como ela é, o respeito por tudo e por todos. Tudo que tem vida tem diversidade. Organizações que gostam da vida, gostam da diversidade e vice-versa. Organizações que rejeitam a diversidade parecem se organizar em torno da negação da vida ou das fantasias de que estão desconectadas do tempo e lugar onde produze e recebem impactos positivos e negativos. Organizações que não gostam da vida parecem possuir um cabide para se pendurar lá fora a individualidade de cada um. Entra apenas a “mão de obra” e não a pessoa. Neste caso, a diversidade é oprimida, negada, rejeitada porque a vida não é bem-vinda. Taylor vive!

Neste momento da história da vida humana no planeta, nunca foi tão necessário sermos inclusivos. Pessoas inclusivas em organizações inclusivas estão mais preparadas para lidar e contribuir na construção de soluções para os desafios atuais e futuros. Uma pessoa, por melhor que seja sua formação, não dará conta sozinha de encontrar as respostas para estes desafios. Precisamos uns dos outros, do diálogo, da cooperação, da construção colaborativa para dar conta deste mundo em acelerado e profundo processo de transformação. A mudança mudou, como dizem alguns. Está evidente que práticas elitistas e que discriminam não podem ajudar neste momento em que precisamos ouvir muitas vozes para tomar boas decisões.

Minha experiência com os líderes empresariais neste tema tem sido muito rica. Aqueles que se interessam pela valorização da diversidade na gestão empresarial são gente, gostam de gente e dão importância a ambientes inclusivos, respeitosos, plurais e verdadeiramente comprometidos com a erradicação de práticas de discriminação. Eles dão exemplo de que na empresa não pode haver um cabide para deixar a vida do lado de fora. Utilizam fatos da sua vida, sua características, sua história, para falar de aspectos importantes da gestão, da maneira de conduzir os negócios e os relacionamentos com todos.

Há algumas situações que me revelaram a dificuldade de alguns presidentes em lidar com o tema da diversidade e, assim, com os temas da vida. Algumas situações me fizeram perceber a diferença entre estar na presidência e ser uma liderança. Vou compartilhar essas situações porque podem inspirar alguma reflexão.

Certa vez, um presidente me convidou para participar do evento anual da empresa. Ele falaria sobre o tema para toda a sua equipe de gestores e queria que minha apresentação provasse que diversidade adicionava valor aos negócios. Queria números, pesquisas e evidências irrefutáveis. Eu entendi seu apelo, mas a intuição me vez devolver o pedido para que ele dissesse por que acreditava na diversidade. Foi um depoimento marcante sobre suas experiências em equipes plurais e que ele acabou dividindo com todos no evento. Diversidade era um valor para ele, assim como era para a empresa. Evidente que diversidade faz bem para os negócios, mas gostei de ver o líder maior da empresa compartilhando sua experiência e sua crença no valor da diversidade. Por que é preciso justificar com números e atrelar a dinheiro o que faz parte da vida e da qualidade das relações? Se não der lucro, podemos pisar no valor da vida e da diversidade?

Outro presidente se viu numa situação difícil. Um colaborador foi demitido pelo gestor numa situação de evidente discriminação. A empresa foi colocada em risco e o discurso deste presidente de que a diversidade era um valor para ele e para a organização estava sendo testada. Fui consultado e, como outros colaboradores da empresa, defendemos que a demissão fosse revertida. Ganhou a turma que defendia a irreversibilidade de uma demissão para “não passar por cima da autoridade de um gestor”. Se a autoridade é usada para discriminar, pouco importava. Foi um erro que custou a credibilidade do líder e a empresa levou anos para reconquistar a confiança da equipe trabalhava no tema. Diversidade não pode ser uma declaração de intenção, mas uma prática cotidiana que transforma presidentes em líderes para todos os seus colaboradores e não para alguns deles. Confiança é algo que se constrói no caminho que transforma quem tem poder em um líder autêntico.

Houve um presidente que também queria trocar ideias comigo sobre diversidade e sua importância para os negócios da empresa. Como aprendi com aquele primeiro presidente que citei, fui fazendo perguntas para que ele fizesse o vínculo com sua própria história de vida. Era uma pessoa muito especial e esse vínculo foi imediato, servindo de base para seu diálogo dentro e fora da empresa, seja para tratar da questão da mulher, dos negros, homossexuais, pessoas com deficiência, entre muitas questões nas quais essa empresa avançou e bastante. Aprendi com ele que um líder pode representar na aparência o padrão dominante e ter a sensibilidade, o compromisso e a coragem de expressar suas crenças, experiências e sentimentos para dialogar com todos, enfrentar a discriminação e construir um ambiente inclusivo. Todos podem e devem valorizar a diversidade.

O presidente de um grupo também quis minha assessoria para implantar o programa de valorização da diversidade, formando um comitê com os presidentes e diretores de recursos humanos. Ele mesmo me alertou que o seu time era muito resistente à diversidade e discutimos a estratégia para lidar com isso. No entanto, a resistência persistiu, apesar das situações envolvendo perdas imensas de recursos com processos por discriminação e assédios. O presidente se aposentou logo no início dos trabalhos e um membro da família proprietária do grupo assumiu a direção, também se envolvendo no programa. Os dois não tiveram coragem de enfrentar as resistências do seu time e era evidente que isso expressava uma gestão descomprometida com os valores e estratégias da organização. Um dos presidentes, por esta razão, foi demitido muito tempo depois, deixando muitos estragos no caminho. Aprendi que ter poder nem sempre é sinal de liderança se não há coragem para enfrentar os subordinados naqueles aspectos que contrariam a identidade organizacional, sua visão, missão, valores e princípios. A valorização da diversidade era uma ótima oportunidade para esse alinhamento, mas preferiram conviver com as resistências e seus estragos.

Houve um presidente que me deixou até assustado com sua sinceridade. Ele me convidou porque percebia que a empresa estava presente no mundo, mas o mundo não estava presente na empresa, com um time de líderes que era muito parecido em muitos aspectos: todos eram homens, brasileiros, da mesma região do país e formados em engenharia. Nunca tinha visto tanta humildade, um dos requisitos fundamentais dos líderes, creio eu, sobretudo frente aos desafios que a sustentabilidade nos apresenta. O resultado veio ao longo de alguns anos e a liderança deste presidente foi fundamental para uma renovação gradativa da empresa em termos de maior diversidade entre seus colaboradores e gestores. Hoje, quando almoço na empresa, vejo pessoas de diferentes lugares do mundo e o clima expressa o gosto pela diversidade e pela interação entre todos.

Tem uma empresa na qual eu era responsável por um workshop sobre ambiente inclusivo e respeitoso. Na fala da empresa, respeito era um dos valores. Assim,, era essencial e critério para promoções. Foi preciso conviver alguns anos para perceber que o discurso acontecia na prática. A empresa prefere líderes alinhados com seus valores a promover aqueles com histórico de reclamação por trato desrespeitoso. Todos dão resultados, senão não seriam cogitados para a promoção, mas a escolha é por aqueles que dão resultado respeitando as pessoas. O presidente e seus superiores praticam o que defendem e o que está no discurso da empresa. O ambiente inclusivo e respeito que há nesta empresa, valorizando a diversidade e a interação criativa e inovadora entre as pessoas, fala mais alto do que qualquer discurso. Aprendi com eles que valorizar a diversidade é uma escolha. É possível ganhar dinheiro sem respeito às pessoas, mas eles escolheram ganhar dinheiro respeitando a todos.

O caminho da sustentabilidade é uma escolha realizada pelos líderes. Muitos, aliás, se tornam líderes ao realizar essa escolha de integrar a sustentabilidade na maneira de ser. Podemos ameaçar de morte com dados catastróficos ou demonstrar que estrategicamente a sustentabilidade faz todo sentido, amplia os lucros e garante sucesso. É verdade e é bom convencer demonstrando vantagens reais e tangíveis, mas a construção da sustentabilidade é ética ou não é sustentabilidade. Antes de ser uma estratégia, é um valor, está na identidade, na maneira de ser, de definir o que é felicidade e sucesso. Ser ético desde que dê lucro não é ético. Tem que dar resultado com ética e não ter ética apesar do resultado ou ter resultado apenas da ética.

Relações de qualidade não são construídas com oportunismos, com gente interesseira e a depender do lucro ou dos bons momentos. E quando as coisas vão mal, pode tudo? Ou é um modo de ser e de viver, de se relacionar e de fazer as coisas ou desmorona na primeira crise, barreira ou polêmica. A qualidade das relações passa pelo respeito incondicional pela vida.

Esses líderes da sustentabilidade que temos no nosso país e no mundo fizeram escolhas e inspiram todos à sua volta a realizar escolhas na direção da vida. Não colocam em questão se é para buscar ou não o sucesso da organização porque isto está dado. Querem ter sucesso na vida e com a vida. Portanto, acabam reinventando o sentido do sucesso de forma a tecê-lo na rede de relações interdependentes em que todos nós estamos inseridos, na qual e da qual vivemos.

O que os líderes me afirmam quando perguntados sobre o porquê da diversidade é que ela melhora a qualidade das decisões. Já imaginou não ter a diversidade como meio e fim para a realização de boas escolhas? Com diversidade, as relações são de qualidade e só podem gerar boas escolhas. Gandhi disse que não “não há um caminho para a paz, a paz é o caminho.” O mesmo se pode dizer da sustentabilidade. A sustentabilidade é o caminho, está no jeito de ser, de enfrentar os desafios, de construir o futuro de maneira inclusiva e respeitosa para com todos, promovendo interações que ampliem os horizontes e as possibilidades por ouvir muitas vozes e considerar muitas perspectivas. A sustentabilidade é de todos e para todos ou não é sustentabilidade. É a mesmice disfarçada de futuro. Líderes são fundamentais para enfrentar a mesmice e explorar, com visão positiva, as muitas oportunidades que a vida oferece. 

*Reinaldo Bulgarelli é sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação.

Plataforma Líderança Sustentável - Sustentabilidade, Liderança e Diversidade

Liderança é diversidade

No dia 02 de junho foi lançado o livro "Conversas com Líderes Sustentáveis", de Ricardo Voltolini, Editora Senac-SP. É um livro muito importante para o movimento de sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. No mesmo dia foi lançado, com os dez presidentes abordados no livro, o Projeto Liderança Sustentável 2011, pela consultoria Ideia Sustentável. Essa plataforma pretende realizar encontros com líderes para tratar de sustentabilidade e responsabilidade social empresarial.

De acordo com Ricardo Voltolini, a Plataforma visa "identificar, inspirar e conectar jovens líderes de todo o País, oferecendo-lhes a possibilidade de trocar experiências, receber informação relevante, conhecer as histórias dos líderes de sustentabilidade mais importantes do Brasil e começar a escrever as suas próprias. Esses encontros serão registrados para posterior disseminação. Haverá ainda um portal específico, ligado ao Portal Ideia Sustentável, no qual os líderes poderão acessar estudos e pesquisas importantes sobre o tema, encontrar pares e registrar seus individual cases”.

Atendendo a convite do parceiro Ricardo, escrevi no site da Plataforma sobre liderança, sustentabilidade e diversidade. Conto algumas experiências com lideranças de empresas interagindo com o tema da sustentabilidade para pensar em ética e valores que podem ser importantes para quem quer fazer a diferença no mundo dos negócios.

http://www.ideiasustentavel.com.br/lideres/artigos/liderancas-e-diversidade/