Este é um blog sobre valorização da diversidade que também reúne artigos, notícias, comentários e informações variadas sobre o tema e suas interfaces com sustentabilidade e responsabilidade social empresarial. Estou também reunindo aqui (quase) tudo que sai publicado com minha participação, como artigos, entrevistas, livros, notícias, facilitando que sejam encontrados em um só lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Argentina: um passo adiante do Brasil nos direitos LGBT
Toni Reis, presidente da ABGLT, enviou por email artigo para ser divulgando que trata da legislação aprovada na Argentina.
Aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina : um exemplo de cidadania plena
Toni Reis*
Depois de 14 horas de debate, o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado na Argentina na madrugada do dia 15 de julho de 2010, com 33 votos a favor, 27 votos contra e três abstenções. Uma mudança tão pequena de redação, com tanto significado para a igualdade de direitos. A reforma substitui as palavras “homem e mulher” da versão atual da legislação por “cônjuges”, permitindo assim que casais do mesmo sexo também possam contrair o matrimônio.
Congratulações à querida aliada Cristina Kirchner e seu governo, à câmara dos deputados, ao senado, às pessoas militantes LGBT, e a todo o povo argentino. Esta aprovação é um gesto de civilidade.
A Argentina agora, sem dúvidas, torna-se um país com mais igualdade e inclusão. Todos e todas são vitoriosos pela decisão histórica. Afinal, universalizou-se este direito.
Vocês, hermanos e hermanas, devem se orgulhar do feito. Vocês são o primeiro país a reconhecer a igualdade dos direitos humanos de pessoas LGBT em nossa região, onde existe ainda muito machismo e homofobia. E são o décimo no mundo a avançar nessa garantia. Agora vocês estão ao lado da África do Sul, Bélgica, Canadá, Espanha, Holanda, Islândia, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça. Orgulhem-se!
Foi o maior debate na sociedade argentina desde a aprovação da lei do divórcio em 1987.
Do lado dos argumentos contra – muitos deles irracionais, ilógicos, retrógrados, conservadores e fundamentalistas – disseram que somos inférteis, filhos do diabo, desviados, antinaturais, pervertidos, abomináveis, projeto do demônio, que queríamos destruir a família tradicional, e implantar a filosofia de Sodoma e Gomorra; seria o apocalipse, um “risco para o futuro da pátria”, iríamos acabar com a perpetuação da espécie... Como bem resumiu a presidente Cristina Kirchner, "o discurso da igreja recorda os tempos da inquisição e das cruzadas".
Também, não vamos tripudiar os vencidos. Afinal, qual deles ainda ousam falar que a terra é quadrada ou que os negros não têm alma? Eles também vão mudar lentamente, daqui uns 500 anos talvez.
Venceu o discurso racional, lógico e sólido, a honestidade intelectual e liberdade de consciência, provando que esta lei é mais um instrumento de luta contra a discriminação. Venceu o estado laico e a secularidade do código civil.
Um fato importante é que apesar de ser uma iniciativa de duas parlamentares da esquerda, Silvia Augsburger e Vilma Ibarra, parlamentares de todas as matizes ideológicas e partidárias votaram e foram a favor do projeto.
Para ficar na história, seguem alguns dos argumentos a favor apresentados por parlamentares da situação e da oposição:
Ao apoiar a mudança, o líder do bloco da oposição radical, Gerardo Morales, afirmou que "chegou a hora de sancionar normas que se adaptem a novos modelos de vínculos familiares" e relembrou a existência de "modelos de famílias diferentes (aos) que tínhamos há 30 ou 40 anos". Segundo ele, apesar das polêmicas e disputas, "ganhou o debate cultural" no país, diante da participação da sociedade na discussão.
O senador socialista Rubén Giustiniani, que votou a favor da lei, disse que o perfil da sociedade argentina mudou e por isso era o momento da aprovação do texto. Segundo ele, dados oficiais indicam que 59% das famílias argentinas já não atendem ao perfil tradicional de pai, mãe e filhos. Mas de mães solteiras, casais separados e casais homossexuais.
"Hoje é um dia histórico. Pela primeira vez na Argentina se legisla para as minorias", afirmou o senador Miguel Pichetto, líder do bloco do governo, acrescentando que "aqui não haverá mais casamentos do mesmo sexo só porque aprovamos esta lei. O objetivo desta norma é eliminar a discriminação".
A senadora Victoria Blanca Osuna defendeu: "as questões que estão em jogo nesse projeto não são religiosas ou morais. Nós estamos perguntando a nós mesmos a responsabilidade da democracia com as minorias discriminadas".
Nas palavras do senador Eduardo Torres, "a única diferença entre gays e heterossexuais é que eles têm menos direitos na sociedade argentina. Nós não podemos aceitar a discriminação que ocorre em várias partes da sociedade.”
Já o senador Luis Juez, da opositora Frente Cívica, optou por apoiar o governo porque, mesmo cristão, entende que "nem na Bíblia há um parágrafo onde Cristo fosse contra os homossexuais". Ele lembrou que o código civil é "uma instituição laica, em um país laico. O Estado argentino passou a reconhecer a mudança social, e a projetou juridicamente.”
A senadora Maria Eugenia Estenssoro, da opositora Coalición Cívica, argumentou que o projeto é "necessário" para os casais do mesmo sexo. "Esta lei permitirá que os homossexuais possam assumir publicamente suas relações."
Com certeza, a comunidade LGBT brasileira está com “uma certa inveja arco-íris”. Aqui estamos sendo menos ousados, estamos pedindo somente a união estável, e mesmo assim estamos tendo a maior dificuldade com fundamentalistas religiosos. Vamos analisar e discutir esta nova conjuntura.
Não vamos desistir. Vamos nos inspirar na Argentina. Vocês venceram uma etapa importantíssima, agora sejam felizes e continuem lutando para mudar a cultura. A mudança das leis não quer dizer a mudança de cultura.
Para quem não foi escravo, a libertação da escravatura foi um fato histórico relevante. Mas para quem era escravo, foi a melhor coisa que aconteceu. Da mesma forma para nós LGBT, a aprovação do Casamento Civil é a abolição de uma das tantas discriminações imposta à nossa comunidade.
No Brasil pelo menos 78 direitos civis expressamente garantidos aos heterossexuais na legislação brasileira são negados aos homossexuais. Para isto, há uma possibilidade que a união civil poderá chegar aqui também, a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que deve examinar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 132-RJ e a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4277, nas quais se argumenta que negar o direito de união às pessoas do mesmo sexo viola os princípios constitucionais de igualdade. Nisto, já temos apoio do Presidente Lula e da Advocacia Geral da União.
É um absurdo que a essa altura da história nossa sociedade ainda esteja discutindo se deve ou não universalizar os direitos. Mas, apesar do poder de grupos religiosos fundamentalistas contrários à mudança, mais cedo ou mais tarde, a lei será aprovada no Brasil também, garantindo dignidade e combatendo a discriminação.
Como o Presidente Lula falou na abertura da I Conferência Nacional LGBT, “Ninguém pergunta a orientação sexual de vocês quando vão pagar Imposto de Renda, ninguém pergunta quando vai pagar qualquer tributo neste País. Por que discriminar na hora em que vocês, livremente, escolhem o que querem fazer com o seu corpo?”
A querida aliada presidente Cristina Kirchner resumiu tudo, estamos felizes e satisfeitos com a vitória.
Esta vitória mudou o mapa da região, vejam em anexo. (ACIMA)
Amores iguais, direitos iguais, nem menos, nem mais. Que viva a cidadania plena, sem discriminação de qualquer natureza. Que viva a Argentina, e que continue dando exemplo para o mundo de como devem ser tratadas as pessoas LGBT.
* Toni Reis
- convive com seu marido há 20 anos
- especialista em sexualidade humana
- mestre em ética e sexualidade
- doutorando em educação
- presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
- diretor da Associação para a Saúde Integral e Cidadania na América Latina e no Caribe
quarta-feira, 7 de julho de 2010
VIDA SIMPLES - Viva a Diferença!
Pra quem não leu a Vida Simples que tratou de diversidade e tolerância, segue o link para a Revista.
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
Um trecho com a minha participação:
Diferente é a mãe
Reinaldo Bulgarelli, autor de Diversos Somos Todos, livro que trata exclusivamente do tema diversidade, escolheu o nome txai para sua pequena empresa de consultoria. Reinaldo trabalhou com crianças indígenas na Amazônia em projetos da Unicef, com o educador pernambucano Paulo Freire junto aos meninos de rua, enfim, passou a maioria dos seus 47 anos envolvido com inclusão social e educação. Mas é interessante conhecer onde e como germinou essa incrível aptidão. Foi em 1978, nas reuniões do movimento de juventude cristã que tinham lugar na igreja Nossa Senhora do Rosário, no largo Paissandu, no centro de São Paulo. Na época, a paróquia congregava uma grande comunidade negra. “Tinha 16 anos e era o único jovem branco por ali”, diz. “Mais do que aprender o que era ser negro, me conscientizei do que era ser branco: os privilégios e oportunidades que tinha, a diferença de tratamento que recebia da sociedade. Antes disso, não tinha a menor noção dessa diferença.”
O abismo que separava as duas realidades foi lição suficiente. Reinaldo resolveu dedicar o resto da vida para lutar pela tolerância à diversidade. “A gente sempre pensa que o diferente é o outro, que tenho de tolerar aquele que é diferente de mim. Esse é um grande engano. Cada um de nós é diferente de alguma maneira. A diferença que está no outro também está em nós, se mudamos o ponto de vista. Não há como nos excluir dessa condição de diversidade, que é própria do ser humano”, afirma Reinaldo.
Hoje, além de coordenador de cursos na Fundação Getúlio Vargas na área de responsabilidade social, ele trabalha com inclusão em empresas. Isto é, depois de sua passagem por elas, aumenta significativamente o número de mulheres em cargos de liderança, abrem-se novos setores que incluem deficientes, propõem-se metas mais efetivas de responsabilidade social. Otimista, Bulgarelli acha que no Brasil nos movemos em uma cultura que, no geral, é flexível e tolerante, para o bem e para o mal. “Vivemos numa sociedade que tem o mito da democracia racial, por exemplo. Se, por um lado, esse mito impede que enfrentemos de uma forma mais realista o que realmente acontece, ele também nos acena com a ideia de que é possível caminhar nessa direção. Há algumas sociedades mais rígidas e conservadoras em que esse tipo de pensamento sequer tem lugar”, diz
Mas também pode ocorrer o contrário: o excesso de tolerância que denuncia passividade, lassidão, a falta de resistência contra o abuso. É o que vamos ver a seguir. - Negociando limites — VIDA SIMPLES
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Enquanto nossa seleção perdia para a Holanda na Copa do Mundo 2010, a ONU criava uma nova estrutura para o empoderamento das mulheres.
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Alguns trechos da notícia retirados do site da UNIFEM: "Criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, denominada ONU Mulheres, é o resultado de anos de negociações entre Estados-membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo.
Numa decisão histórica, a Assembleia Geral da ONU votou por unanimidade hoje (2/7), em Nova York, a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso e o atendimento das demandas das mulheres e meninas em todo o mundo. Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas, reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
"ONU Mulheres vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo", completou o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon. A ONU Mulheres será construída a partir do trabalho de quatro instâncias das Nações Unidas, cuja atuação se concentra na igualdade de gênero e no empoderamento das mulheres:
• Divisão para o Avanço das Mulheres (DAW, criada em 1946)
• Instituto Internacional de Pesquisas e Capacitação para a Promoção da Mulher (INSTRAW, criada em 1976)
• Escritório de Assessoria Especial em Questões de Gênero (OSAGI, criada em 1997)
• Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM, criada em 1976)
"Eu fiz a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades de trabalho para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos, os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna", observou Ban.
Durante muitas décadas, a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de gênero através de acordos marco, tais como a Declaração e a Plataforma de Ação de Beijing e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito humano básico, mas a sua concretização tem enormes implicações socioeconômicas. O empoderamento das mulheres é um catalisador para a prosperidade da economia, estimulando a produtividade e o crescimento.
No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigadas em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação e estão subrepresentadas em processos decisórios. Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos, a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo a descentralização dos financiamentos e ausência uma única instância para controlar r as atividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
ONU Mulheres, que estará em pleno funcionamento operacional em Janeiro de 2011, foi criada pela Assembleia Geral para tratar desses desafios. Será uma instância forte e dinâmica voltada para as mulheres e meninas, proporcionando-lhes uma voz poderosa a nível global, regional e local. Vai melhorar, e não substituir, os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF, PNUD e UNFPA), que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
ONU Mulheres terá duas funções principais: irá apoiar os organismos intergovernamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais, e vai ajudar os Estados-membros a implementar estas normas, fornecendo apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o Sistema ONU a ser responsável pelos seus próprios compromissos sobre a igualdade de gênero, incluindo o acompanhamento regular do progresso do Sistema.
O orçamento da ONU Mulher será formado por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo. Pelo menos $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW, OSAGI e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados-Membros como investimento mínimo necessário para a ONU Mulheres.
“ONU Mulheres terá um discurso forte e unificado em prol de mulheres e meninas de todo o mundo. Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possamos avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha-Rose Migiro.
Veja notícia completa no site do UNIFEM e os documentos de criação do ONU Mulher - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Princípios de Empoderamento das Mulheres UNIFEM e Global Compact
O UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e o Pacto Global lançaram em março uma iniciativa mundial visando a mobilização do mundo empresarial em torno dos direitos humanos das mulheres. Trata-se dos Princípios de Empoderamento das Mulheres.
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Hoje temos 39 corporações que aderiram aos Princípios, das quais 11 são brasileiras.
São elas: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel – Companhia Paranaense de Energia, Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados.
O CEOS assinaram e divulgaram neste mês a Declaração de Apoio dos CEOs aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas.
É mais um instrumento para o meio empresarial e a sociedade civil atuarem efetivamente para melhorar a condição das mulheres não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade em geral, uma vez que as empresas aderem à ideia de que igualdade significa negócios.
Defendo, na abordagem do tema relações de gênero, que mais 60 milhões de mulheres entrando no mercado de trabalho nos últimos 40 anos significa também uma revolução cultural também para os homens e na forma como as empresas deveriam enxergar esse segmento entre seus consumidores, fornecedores, na comunidade, no governo, enfim, algo ainda distante da realidade. Muitas empresas ainda alimentam o machismo e entendem que discussão de gênero passa apenas pela questão de promover as mulheres a postos mais altos.
Contudo, continuam masculinas, masculinizadas e masculinizantes se não trabalharem aspectos culturais essenciais para a qualidade das relações entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. O que as empresas fazem, por exemplo, para mininizar as resistências que os companheiros oferecem às mulheres quando são transferidas de cidade? Os homens enfrentam a mesma resistência familiar? As empresas não têm nada a ver com a vida particular dos seus colaboradores? É mera coincidência o número de homens disponíveis às posições mais altas e às transferências?
Conheça os Princípios e incentive que sua organização empresarial também faça adesão a eles: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
Morre brutalmente assassinado um adolescente de 14 anos por crime de ódio a homossexuais.
A valorização da diversidade nas empresas, numa sociedade tão dividida, produz impactos positivos não apenas na gestão dos negócios, mas em toda a comunidade. Gestores estão atentos ao fato de que há entre seus funcionários membros de gangues ou de grupos violentos contra negros, nordestinos, gays, prostitutas, entre outros?
O assassinato deste jovem de 14 anos faz pensar sobre ações no cotidiano da gestão empresarial que poderiam trabalhar melhor a qualidade das relações, princípios e valores da organização. É correto permitir que um funcionário expresse livremente seu ódio a homossexuais? Eu lido com isso com frequência e fico espantando com a conivência das empresas em relação a seus colaboradores racistas, machistas, homofóbicos...
Porque essa tolerância com discursos de ódio, que podem, afinal, expressar práticas de ódio dentro da própria empresa ou na comunidade? Essa tolerância não pode ter como desculpa o respeito à diversidade de pensamentos, já que há princípios organizacionais, em geral, muito claros, convivendo com princípios legais e uma normativa internacional de direitos humanos em relação aos quais as empresas assumem compromissos públicos para poder operar.
Políticas de valorização da diversidade ajudam, mas gestores têm uma responsabilidade importante ao identificar dificuldades de seus subordinados neste tema. Práticas de formação, discussões aprofundadas sobre o valor da diversidade e os riscos de práticas de discriminação negativa, favorecem a ampliação da consciência, mas também deixam evidentes os limites colocados pela empresa, o que é aceitável e o que é inaceitável.
Há empresas que dizem que esse tipo de violência sofrida pelo jovem de apenas 14 anos é mais um dos problemas que a sociedade deve resolver. Sociedade? E a organização não faz parte dela? Há outras que afirmam, por meio de seus líderes, que trata-se de uma questão cultural, como se nada pudesse ser feito para transformá-la numa cultura de apreço, valorização e promoção da diversidade. Pequenos gestos podem produzir efeitos muito positivos na cultura interna e na cultura da sociedade.
O mesmo colaborador que expressa ódio aos homossexuais pode ser aquele que coloca a empresa em risco em relação a práticas anti-éticas, corruptas, de boicote à qualidade das relações com clientes, fornecedores, comunidades, imprensa, sindicatos, acionistas e governos, entre outros stakeholders.
Os assassinos de adolescentes homossexuais podem estar trabalhando dentro de sua imensa e poderosa organização, com um marca internacionalmente conhecida. Que direito os gestores omissos têm de colocar o trabalho sério de tanta gente em situação de risco? Que direito têm de se calar e nada fazerem quando alguém demonstra que seu ódio no discurso pode expressar crimes de ódio na comunidade? Onde quer que você esteja, seja qual for sua atividade e ou nível de poder, aja, faça algo para ajudar o mundo a ser mais inclusivo, respeitoso e promotor da pluralidade.
Direitos Fundamentais LGBT: Morre brutalmente assassinado uma criança de 14 anos de idade, motivado pelo ÓDIO aos HOMOSSEXUAIS!
domingo, 20 de junho de 2010
Folha de S.Paulo - A ditadura do crime de ódio
O deputado Carlos Giannazi, do PSOL, respondeu hoje na Folha ao artigo publicado pelo vereador Carlos Apolinário no mesmo jornal. Aos que ainda tentam disfarçar atentados aos direitos humanos com argumentos "democráticos", Giannazi responde de maneira muito didática e com foco na valorização da diversidade.
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
"A ditadura do crime de ódio
Os homossexuais é que são privados desse direito à liberdade de expressão e, não raramente, chegam a ser mortos por exercê-lo
No Brasil, uma pessoa de orientação homoafetiva é assassinada a cada três dias, tornando o país um dos mais homofóbicos do mundo, com a tenebrosa estatística anual de 198 mortes violentas nessa área.
Enquanto isso,o vereador paulistano Carlos Apolinario, que parece viver ainda na Idade Média, brinca com coisa séria folclorizando e reforçando, em seus posicionamentos, os crimes de ódio contra seres humanos -sujeitos de direitos fundamentais-, que ousam manifestar publicamente a sua orientação sexual "diferente".
Em artigo publicado neste espaço, no dia 7 de junho, intitulado "A ditadura gay", ele tenta vender a ideia de que algumas ações do poder público e leis que visam combater o preconceito, a discriminação, a intolerância e a violência da qual essa população é vítima não passam de exclusividade e privilégio patrocinados com o erário público.
Como exemplo, ele cita a autorização dada pelo Ministério Público e pela Prefeitura de São Paulo para que a Parada do Orgulho Gay seja realizada na avenida Paulista e o convênio do município com a ONG Casarão Brasil, que faz um importante trabalho em defesa da vida, da saúde e da inclusão de centenas de pessoas.
Numa sociedade heterossexista, na qual a preferência pelo sexo oposto é a norma, qualquer outra orientação sexual é considerada doença patológica, desvio de comportamento/caráter, crime ou pecado, trazendo como consequência a humilhação, a ofensa e a perseguição tanto física (e muitas vezes letal) como psicológica.
Assim como o racismo é crime inafiançável e imprescritível pela Constituição e a violência contra a mulher é criminalizada pela Lei Maria da Penha, temos a luta pela criminalização da homofobia presente no projeto de lei 122, em trâmite no Congresso Nacional.
Apolinario, no seu texto, afirma que a criminalização da homofobia coloca em xeque o direito de liberdade de expressão, quando, na verdade, os homossexuais é que são privados desse direito e, não raramente, mortos por exercê-lo.
O que está em jogo é o direito à cidadania, que só pode ser construída através de políticas de Estado. Ao apresentar projeto de lei criando o Dia do Heterossexual, o vereador só confirma sua militância irônica, se valendo de caricaturas e estereótipos de não héteros. É bom lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) retirou a homossexualidade de sua lista de doenças mentais em janeiro de 1993, o que foi um enorme avanço, mas ainda insuficiente, para barrar o preconceito.
O mesmo já fizeram os Conselhos Federal de Medicina e de Psicologia. Por isso, defendemos a punição de pessoas físicas ou jurídicas que violem os direitos de quem tem orientação sexual homossexual ou identidade de gênero diferente.
No limiar desse novo marco civilizatório, em breve não precisaremos mais de leis específicas que protejam idosos, crianças, homossexuais, negros e mulheres, pois o respeito à diversidade e às diferenças já estará incorporado à cultura e à visão tanto do novo homem quanto da nova mulher.
CARLOS GIANNAZI é deputado estadual pelo PSOL na Assembleia Legislativa de São Paulo."
MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
O site JusBrasil é um portal de notícias da justiça brasileira e muito acessado por aqueles que trabalham na área do direito. Ele trouxe a notícia abaixo, que foi também publicada no Portal do Geledés, boletim de 20 de junho de 2010.
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Chama a atenção o fato da iniciativa ser do Rio Grande do Sul, tido como machista e racista, mas com amplas demonstrações de avanços na luta dos movimentos sociais e da justiça local quando o assunto é valorização da diversidade.
Veja a notícia: "MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho
Porto Alegre (RS), 16/06/2010 - O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) está lançando uma campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho.
Dois modelos de outdoors estão sendo expostos em locais de grande visibilidade, em Porto Alegre e na região - Metropolitana. Conforme a procuradora do Trabalho Márcia Medeiros de Farias, do Núcleo de Proteção à Dignidade do Trabalhor (Coordigualdade), 'você pode não perceber, mas o preconceito contra as mulheres negras está mais presente em nossa vida do que você imagina'.
Mulheres negras ganham 45% menos do que mulheres brancas e 66% menos do que homens brancos. No Brasil, quatro entre dez mulheres negras não têm emprego e apenas 0,3% dos cargos de gerência são exercidos por elas.
Os dados são da Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras. As informações são o mote das peças publicitárias, que incluem anúncios de jornal, criadas pela agência e21, com apoio da STV." - MPT-RS lança campanha pela igualdade da mulher negra no mercado de trabalho :: Notícias JusBrasil
Machismo mata!
O Portal do Geledés escolheu a foto deste homem sarado para falar sobre como os homens vivem menos porque cuidam pouco da saúde.
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
Em artigo da Dra. Jocelem Salgado, autora dos livros: 'Faça do Alimento o seu Medicamento'; 'Pharmacia de Alimentos'; 'Alimentos Inteligentes' e 'Guia dos Funcionais' (publicado em 2009), fica cada vez mais evidente que o machismo mata de muitas maneiras, incluindo os homens como suas vítimas.
Eu tenho tratado as questões de gênero em aulas ou palestras demonstrando também o impacto do machismo na vida dos homens. São muitos os impactos negativos, mas podemos dizer que a saúde é uma dessas áreas onde a situação fica escandalosa.
Veja a materia no Portal do Geledés e, se você é homem e heterossexual, preste atenção em como é importante rever seus conceitos, seus medos, seus preconceitos... Saúde : Homens não se cuidam, têm mais problemas e vivem menos - Geledés Instituto da Mulher Negra
sábado, 19 de junho de 2010
Palas Athena
Dia 15 de julho estou no Palas Athena conversando sobre diversidade. Segue link para a programa completa e a proposta da minha apresentação.
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
Tema: A diversidade que nos caracteriza e nos desafia, com Reinaldo Bulgarelli.
Valorizar a diversidade hoje representa a reinvenção da qualidade das relações, ouvir muitas vozes para entender qual é o problema, qual a solução, aonde queremos chegar. Nossos marcadores identitários não podem ser cativeiros, mas plataformas que ampliem as possibilidades de diálogo nesta busca por um mundo sustentável. Como realizar uma gestão da diversidade que considere nossas características e não desapareça com elas? Palas Athena
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Diversidade humana e biodiversidade - Revista Página 22
A Revista Página 22 de junho traz um artigo muito interessante e demonstra o esforço da revista por trazer às discussões e práticas de desenvolvimento sustentável a dimensão humana. Tarefa difícil porque parece que estamos falando apenas de meio ambiente. Uma confusão terrível para o desenvolvimento sustentável porque separa o que está unido no mesmo planetinha azul chamado Terra.
Vejam trechos do artigos: "Assim como as espécies, variantes culturais desaparecem da face da Terra num ritmo acelerado e irreversível. As línguas, expressão máxima do conhecimento e dos valores de uma determinada cultura, extinguem-se na velocidade de uma a cada duas semanas, segundo o projeto Enduring Voices, da revista National Geographic. A projeção é de que, até o final do século, metade das 7 mil línguas faladas hoje terá desaparecido (leia mais em “Letra Morta”, texto da coluna de Regina Scharf, à edição 39).
Dá até para especular que o declínio dos recursos naturais tenha algo a ver com isso. Um relatório produzido pela Unesco, em 2002, aponta que os ambientes mais biodiversos do mundo têm também a maior diversidade linguística. Simples assim: quanto mais elementos disponíveis no ambiente, mais os humanos geram palavras para denominá-los. Isso não se restringe às populações tradicionais. Basta lembrar-se do repertório da gastronomia, ou mesmo dos fitoterápicos, comum a todos nós: dendê, tucupi, pequi, camomila, boldo, erva-cidreira… Por aí vai a alquimia de ingredientes que compõem a diversidade biológica e cultural brasileira.
(...)“A preservação e o uso duráveis da diversidade biológica reforçarão as relações amigáveis entre os Estados e contribuirão com a paz da humanidade” – Convenção sobre a Diversidade Biológica, 1992, assinada por 156 países
“O respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e entendimento mútuos, está entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais” – Convenção sobre a Diversidade Cultural, 2005, assinada por 148 países"
Artigo e revista inteira no link: Espelho meu « Página 22
terça-feira, 15 de junho de 2010
MEU AMIGO CLAUDIA
Assisti este fim de semana o DVD que Claudia Wonder me deixou na sexta-feira. "Meu Amigo Claudia" é um documentário sobre a Claudia e também sobre o nosso país.
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
Ela é daquelas pessoas cuja biografia se confunde com a história. Lá estava fazendo passeata na frente do INCOR bem no dia em que Tancredo morria. Madame Satã, programas de TV, a chegada da AIDS ao Brasil, o amigo poeta Caio Fernando Abreu que lhe escreveu a crônica no Estadão e que virou o nome do filme.
O universo LGBT e, sobretudo, dos travestis, oferece um ponto de vista que mesmo homossexuais militantes nem sempre conhecem ou consideram. Vi minha própria história recontada e com elementos novos que eu não tinha percebido, mesmo frequentando os lugares citados, vivendo no mesmo país, passando por situações que lá estão. Esta é a beleza da diversidade com seus muitos pontos de vista sobre um mesmo tempo e lugar.
Em outros momentos, revivi os intensos anos 80, aquela fase criativa em que a transgressão era uma forma de nos reinventarmos e ajudar o mundo a ampliar horizontes. Acho que conseguimos. O filme vai trazendo cenas da história de Claudia e do nosso mundo, nossos medos, conquistas, retrocessos, descobertas. Tudo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Mas o filme não pára nos anos 80 e nem poderia. Claudia não foi, é, vive intensamente sua história e faz história hoje de olho no amanhã melhor.
Agora a luta é por colocar o filme no circuito comercial. Já ganhou prêmios, já foi elogiado de muitas maneiras e precisa ser conhecido por todos. É uma contribuição sem igual para a valorização da diversidade. Sonho e, mais que isso, trabalho para que as empresas tenham orgulho de aliar suas marcas com um filme como este, que muito nos ensina sobre a diversidade humana, respeito, superação, arte, cultura, direitos humanos, história do nosso país e do mundo pela ótica de uma artista sem igual.
O filme há de entrar em cartaz nos cinemas para que mais gente possa ter essa sensação boa de ver sua própria história contada de um lugar, para muitos, desconhecido. Como sempre nos lembra o filósofo Mario Sérgio Cortella: todo ponto de vista e a vista de um ponto. Foi o que mais curti no "Meu Amigo Claudia".
Conheça o blog da Claudia sobre o filme. MEU AMIGO CLAUDIA
quarta-feira, 9 de junho de 2010
17 de Maio - Dia Nacional de Combate à Homofobia - PL 7052/06
Presidente Lula decreta dia 17 de maio como Dia Nacional de Combate à Homofobia. O ato ocorreu na véspera da 14a. Parada LGBT de São Paulo, de acordo com a ABGLT.
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é quem reivindicou a data ao Presidente da República. Segundo Toni Reis, presidente da ABGLT, "o Decreto é o reconhecimento governamental de que há homofobia no Brasil e que é preciso ter ações concretas para diminuir ou acabar com o preconceito, a discriminação e o estigma contra a comunidade LGBT. Esperamos que o exemplo do Brasil seja seguido pelos 75 país que criminalizam a homossexualidade e pelos 7 países em que há pena de morte para os homossexuais”, disse.
Dia 17 de maio, portanto, uma ótima oportunidade para trabalhar o tema nas organizações. Não há valorização da diversidade sem respeito a todos.
Veja o Decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 07/06, Seção 1, página 5 por meio do link com a página da ABGLT, onde há também uma coletânea de leis municipais e estaduais. - PL 7052/06
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Atores e executivos homossexuais: sair ou não do armário?
A Parado do Orgulho LGBT 2010 será neste domingo e o assunto do momento é este mesmo: orgulho LGBT.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Em entrevista para Monica Bergamo, na Folha do dia 26 de maio, Silvio de Abreu apresentou suas ideias sobre atores, homens ou mulheres, que se assumem homossexuais:
"Um ator que se assumisse homossexual teria dificuldade?
Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: "Eu sou lésbica", ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.
Mesmo um bom ator?
Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: "O público gay vai gostar". Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."
Segue abaixo um trecho da carta para Silvio de Abreu, enviada por Toni Rei, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT.
"Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são? Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.
O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: 'Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.' Será que ele era bobo, ou defeituoso?
Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.
Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do 'vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar'. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso."
É um tema que também está presente na vida de muitos profissionais, executivos ou executivas. Sair ou não do armário? É apenas "uma questão pessoal" ou algo da vida particular e ninguém tem nada a ver com isso? Concordo com Toni e acredito que os homossexuais assumidos, além de protegerem seus direitos, estão ajudando a educar a sociedade na convivência com a diversidade sexual.
Um dos valores mais presentes na identidade das empresas é integridade. Armários e integridade não combinam. Ser você mesmo é a melhor forma de ajudar o mundo a ser mais tolerante, incluindo você mesmo, que pode aprender muitas coisas novas na interação do que dentro de um armário mofado, como disse o Toni.
Aproveitando o clima da Parada em São Paulo, dia 06 de junho, vamos exercitar nossa cidadania a partir da "dor e alegria de ser o que é". Cobrar transparência do mundo é fácil. Duro é exercitar a transparência e arcar com as consequências, as possibilidades e os desafios de assumir-se íntegro no nosso tempo e lugar.
Foto: Toni Reis e David Harrad, no blog da Parada 2009 de Fortaleza - 10ª Parada da Diversidade Sexual de Fortaleza.
Câmara de Comércio GLS
A Câmara de Comércio GLS do Brasil está funcionando a pleno vapor.
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Visite o site da Câmara e também do Casarão Brasil, ong que deu lhe origem.
Já é possível realizar a associação de sua empresa à Câmara por meio de conta bancária aberta na Caixa Econômica Federal.
O site apresenta a proposta e as atividades previstas no Estatuto da Câmara. Todo começo é difícil, mas é evidente que a Câmara será notada em breve e os benefícios oferecidos serão um grande atrativo para a articulação das empresas em torno da causa LGBT no país e suas oportunidades de negócio.
Câmara de Comércio GLS
Entrevista para Revista Vivendo - Sustentabilidade: aspectos sociais
A revista Vivendo, da UNIMED de Amparo, está com matérias sobre sustentabilidade com base nos pilares econômico, ambiental e social.
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
No número de abril/maio/junho (ver link abaixo) eu falei sobre o aspecto social e dei ênfase à qualidade das relações em todos os níveis, sem deixar de falar de diversidade. - ttp://www.unimedamparo.com.br/
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
O Instituto Ethos publicou hoje meu artigo "O importante é a diversidade de ideis?", publicado originalmente no Portal do Geledés.
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
Segue link para site do Ethos com boletim e o artigo.
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
Voltado ao meio empresarial e comprometido com práticas socialmente responsáveis, o boletim do Instituto Ethos é um dos veículos mais importantes para tratar hoje de empresas e desenvolvimento sustentável.
Segue link para site do Ethos com boletim e o artigo.
Instituto Ethos - Notícias - O importante é a diversidade de ideias?
domingo, 30 de maio de 2010
I Festival Gastronômico GLS - participe e divulgue!
A Txai é parceira desta iniciativa da Câmara de Comércio GLS do Brasil, que promete agitar São Paulo. Vejam a divulgação realizada pela Câmara:
"Não é bom poder sair com os amigos, namorados e namoradas e saber que vai gastar pouco, se divertir e ser bem atendido?
É exatamente essa a proposta que a Câmara de Comércio GLS do Brasil trás para São Paulo! Entre os dias 2 e 13 de junho de 2010 acontecerá o 1ª Festival Gastronômico GLS da cidade, onde você poderá desfrutar momentos super agradáveis, com pratos e drinks elaborados para você.
Todas as casas participantes do festival selecionaram um prato e/ou um drink, que custarão o valor fixo de R$ 24,00 e 9,90 respectivamente. Consulte os restaurante e bares participantes e aproveite o melhor da gastronomia da Cidade de São Paulo.
O 1ª Festival Gastronômico vem com o objetivo de fortalecer, desenvolver e aprimorar o comércio, o serviço e principalmente o atendimento prestado ao segmento GLS, mostrando que esse exigente público prima além de um bom serviço, um atendimento impecável, sem qualquer diferenciação.
Este festival conta com o apoio da Associação Brasileira de Turismo para Gay, Lésbicas e Simpatizantes – ABRAT GLS, Casarão Brasil – CABAG, Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual – CADS, Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Turismo e Gastronomia de São Paulo – HOTEC, São Paulo Turismo – SPTURIS, Txai Consultoria, Convention & Visitorsbureau. Maiores informações consulte www.camaragls.com.br" - Câmara de Comércio GLS
"Não é bom poder sair com os amigos, namorados e namoradas e saber que vai gastar pouco, se divertir e ser bem atendido?
É exatamente essa a proposta que a Câmara de Comércio GLS do Brasil trás para São Paulo! Entre os dias 2 e 13 de junho de 2010 acontecerá o 1ª Festival Gastronômico GLS da cidade, onde você poderá desfrutar momentos super agradáveis, com pratos e drinks elaborados para você.
Todas as casas participantes do festival selecionaram um prato e/ou um drink, que custarão o valor fixo de R$ 24,00 e 9,90 respectivamente. Consulte os restaurante e bares participantes e aproveite o melhor da gastronomia da Cidade de São Paulo.
O 1ª Festival Gastronômico vem com o objetivo de fortalecer, desenvolver e aprimorar o comércio, o serviço e principalmente o atendimento prestado ao segmento GLS, mostrando que esse exigente público prima além de um bom serviço, um atendimento impecável, sem qualquer diferenciação.
Este festival conta com o apoio da Associação Brasileira de Turismo para Gay, Lésbicas e Simpatizantes – ABRAT GLS, Casarão Brasil – CABAG, Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual – CADS, Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Turismo e Gastronomia de São Paulo – HOTEC, São Paulo Turismo – SPTURIS, Txai Consultoria, Convention & Visitorsbureau. Maiores informações consulte www.camaragls.com.br" - Câmara de Comércio GLS
Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Quando escrevi o artigo "Cafona é ser Racista" no Portal do Geledés, estava indignado com algumas falas dos profissionais da moda brasileira.
Eles diziam que não havia modelos negros para se justificar frente à demanda do momvimento negro e das medidas do Ministério Público.
Walter Rodrigues caprichou, colocou foco na África e trouxe modelos negras para a passarela.
Continuo afirmando que cafona não é a discussão sobre o racismo, mas é ser racista.
Walter, parabéns pelo desfile e pela visibilidade que deu às modelos negras brasileiras. Será que foi tão difícil assim conseguir essas profissionais fantásticas?
Veja a cobertura e o vídeo no Portal do Geledés - Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Eles diziam que não havia modelos negros para se justificar frente à demanda do momvimento negro e das medidas do Ministério Público.
Walter Rodrigues caprichou, colocou foco na África e trouxe modelos negras para a passarela.
Continuo afirmando que cafona não é a discussão sobre o racismo, mas é ser racista.
Walter, parabéns pelo desfile e pela visibilidade que deu às modelos negras brasileiras. Será que foi tão difícil assim conseguir essas profissionais fantásticas?
Veja a cobertura e o vídeo no Portal do Geledés - Fashion Rio: Negritude no desfile de Walter Rodrigues - Geledés Instituto da Mulher Negra
Seminário "Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes"
Conheça o blog e divulgue o seminário “Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes". O evento será realizado dias 23 e 24 de junho próximo, no auditório do Instituto APAE de São Paulo, à Rua Loefgren, 2109, no bairro de Vila Clementino, na cidade de São Paulo (SP).
O objetivo do evento é dar voz a diferentes atores e segmentos sociais que trabalham com temas ligados ao HIV/aids e deficiência, visando relatar iniciativas e projetos de prevenção e tratamento e também estimular reflexões, dando visibilidade a temas ainda cercados por preconceitos e tabus.
Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes
O objetivo do evento é dar voz a diferentes atores e segmentos sociais que trabalham com temas ligados ao HIV/aids e deficiência, visando relatar iniciativas e projetos de prevenção e tratamento e também estimular reflexões, dando visibilidade a temas ainda cercados por preconceitos e tabus.
Ações e reflexões sobre aids e deficiência: diferentes vozes
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Racismo? Que racismo? A moça vítima está no hospital e o agressor solto...
No Portal do Geledés há várias notícias sobre esse caso vergonhoso de agressão ocorrida contra uma estudante negra na Universidade Federal da Paraíba. Aconteceu lá, mas acontece também em outros lugares. Paraibanos revoltados com a repercussão do fato não precisam sofrer sozinhos, infelizmente.
Como brasileiro, peço desculpas por essa vergonhosa agressão contra a moça da Guiné Bissau, que está no Brasil por conta de um acordo de cooperação. Que cooperação!
Houve um assédio de um vendedor de cartões de crédito no campus da Universidade. A estudante não gostou, exigiu respeito e foi agredida a ponto de ser hospitalizada. Vendedor de cartão de crédito na UFPB? De qual empresa será? Não terá recebido na Universidade ou da sua empresa alguma orientação sobre comportamentos esperados nesta sua atividade?
Não bastasse o fato ser vergonhoso, a fala das autoridades (a delegada) e mesmo do coordenador da Ação Comunitária da UFPB, entrevistado por TV local, são ainda mais vergonhosas. A delegada liberou o agressor e defende (?) que não houve violência, que não é racismo etc e tal. O coordenador da UFBP diz que "a Universidade está lá para educar e não para fazer a parte repressiva". O que será que ele quis dizer com isso?
Foi erro da TV e sua edição, confundindo as matérias, evidentemente. Não houve racismo porque a moça é um ser humano. Não há negros ou brancos, não é assim que defendem os neo-racistas? E não houve agressão passível de prisão porque, afinal, alguns seres humanos, mais que outros, devem se submeter passivamente a humilhações e assédios. Se reagirem, é natural que alguns seres humanos, mais que outros, devem apanhar a ponto de ir pro hospital... Ando muito irônico ultimamente, me desculpem, mas é que é duro enfrentar tanto cinismo com a paciência histórica que eu mesmo defendo.
Vejam o caso no site da TV Parabaíba 1 - http://www.paraiba1.com.br/Noticia/42342_AMIGOS+DA+ESTUDANTE+AGREDIDA+NA+UFPB+PEDEM+FIM+DA+VIOLENCIA.html
Vejam também no Portal do Geledés. Procurador pede para substituir delegada que negou racismo na UFPB - Geledés Instituto da Mulher Negra
Como brasileiro, peço desculpas por essa vergonhosa agressão contra a moça da Guiné Bissau, que está no Brasil por conta de um acordo de cooperação. Que cooperação!
Houve um assédio de um vendedor de cartões de crédito no campus da Universidade. A estudante não gostou, exigiu respeito e foi agredida a ponto de ser hospitalizada. Vendedor de cartão de crédito na UFPB? De qual empresa será? Não terá recebido na Universidade ou da sua empresa alguma orientação sobre comportamentos esperados nesta sua atividade?
Não bastasse o fato ser vergonhoso, a fala das autoridades (a delegada) e mesmo do coordenador da Ação Comunitária da UFPB, entrevistado por TV local, são ainda mais vergonhosas. A delegada liberou o agressor e defende (?) que não houve violência, que não é racismo etc e tal. O coordenador da UFBP diz que "a Universidade está lá para educar e não para fazer a parte repressiva". O que será que ele quis dizer com isso?
Foi erro da TV e sua edição, confundindo as matérias, evidentemente. Não houve racismo porque a moça é um ser humano. Não há negros ou brancos, não é assim que defendem os neo-racistas? E não houve agressão passível de prisão porque, afinal, alguns seres humanos, mais que outros, devem se submeter passivamente a humilhações e assédios. Se reagirem, é natural que alguns seres humanos, mais que outros, devem apanhar a ponto de ir pro hospital... Ando muito irônico ultimamente, me desculpem, mas é que é duro enfrentar tanto cinismo com a paciência histórica que eu mesmo defendo.
Vejam o caso no site da TV Parabaíba 1 - http://www.paraiba1.com.br/Noticia/42342_AMIGOS+DA+ESTUDANTE+AGREDIDA+NA+UFPB+PEDEM+FIM+DA+VIOLENCIA.html
Vejam também no Portal do Geledés. Procurador pede para substituir delegada que negou racismo na UFPB - Geledés Instituto da Mulher Negra
sexta-feira, 21 de maio de 2010
21 de maio - Dia Mundial da Diversidade Cutlural para o Diálogo e o Desenvolvimento
No dia de hoje comemoramos o Dia Internacional da Diversidade Cultural e estamos também no ano Internacional da aproximação das culturas, todos relacionados às atividades da UNESCO no mundo.
Este ano internacional é mais um reforço na longa trajetória da humanidade por "viver melhor juntos", respeitando e considerando as diferenças em ambientes plurais e que promovem equidade.
Desde 2001 há essa data e apresento abaixo alguns trechos da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural:
"(...) a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças."
"(...) a cultura se encontra no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o desenvolvimento de uma economia fundada no saber."
"(...) o respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais."
"IDENTIDADE, DIVERSIDADE E PLURALISMO - Artigo 1 – A diversidade cultural, patrimônio comum da humanidade - A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em beneficio das gerações presentes e futuras.
Artigo 2 – Da diversidade cultural ao pluralismo cultural - Em nossas sociedades cada vez mais diversificadas, torna-se indispensável garantir uma interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz. Definido desta maneira, o pluralismo cultural constitui a resposta política à realidade da diversidade cultural. Inseparável de um contexto democrático, o pluralismo cultural é propício aos intercâmbios culturais e ao desenvolvimento das capacidades criadoras que alimentam a vida pública.
Artigo 3 – A diversidade cultural, fator de desenvolvimento - A diversidade cultural amplia as possibilidades de escolha que se oferecem a todos; é uma das fontes do desenvolvimento, entendido não somente em termos de crescimento econômico, mas também como meio de acesso a uma existência intelectual, afetiva, moral e espiritual satisfatória.
DIVERSIDADE CULTURAL E DIREITOS HUMANOS - Artigo 4 – Os direitos humanos, garantias da diversidade cultural - A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance."
Lembrar essa Declaração é uma forma de complementar meu artigo "O importante é a diversidade de ideias", publicado esta semana no site no Portal do Geledés, Instituto da Mulher Negra. A diversidade cultural implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e promover equidade, sem sumir com as diferenças, mas buscando a pluralidade cultural como forma de "vivermos melhor juntos", como diz a UNESCO. Diversidade cultural é algo um pouco mais complexo...
21 de mayo: Día Mundial de la Diversidad Cultural para el Diálogo y el Desarrollo Cultura UNESCO
Este ano internacional é mais um reforço na longa trajetória da humanidade por "viver melhor juntos", respeitando e considerando as diferenças em ambientes plurais e que promovem equidade.
Desde 2001 há essa data e apresento abaixo alguns trechos da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural:
"(...) a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças."
"(...) a cultura se encontra no centro dos debates contemporâneos sobre a identidade, a coesão social e o desenvolvimento de uma economia fundada no saber."
"(...) o respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança internacionais."
"IDENTIDADE, DIVERSIDADE E PLURALISMO - Artigo 1 – A diversidade cultural, patrimônio comum da humanidade - A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em beneficio das gerações presentes e futuras.
Artigo 2 – Da diversidade cultural ao pluralismo cultural - Em nossas sociedades cada vez mais diversificadas, torna-se indispensável garantir uma interação harmoniosa entre pessoas e grupos com identidades culturais a um só tempo plurais, variadas e dinâmicas, assim como sua vontade de conviver. As políticas que favoreçam a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz. Definido desta maneira, o pluralismo cultural constitui a resposta política à realidade da diversidade cultural. Inseparável de um contexto democrático, o pluralismo cultural é propício aos intercâmbios culturais e ao desenvolvimento das capacidades criadoras que alimentam a vida pública.
Artigo 3 – A diversidade cultural, fator de desenvolvimento - A diversidade cultural amplia as possibilidades de escolha que se oferecem a todos; é uma das fontes do desenvolvimento, entendido não somente em termos de crescimento econômico, mas também como meio de acesso a uma existência intelectual, afetiva, moral e espiritual satisfatória.
DIVERSIDADE CULTURAL E DIREITOS HUMANOS - Artigo 4 – Os direitos humanos, garantias da diversidade cultural - A defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance."
Lembrar essa Declaração é uma forma de complementar meu artigo "O importante é a diversidade de ideias", publicado esta semana no site no Portal do Geledés, Instituto da Mulher Negra. A diversidade cultural implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e promover equidade, sem sumir com as diferenças, mas buscando a pluralidade cultural como forma de "vivermos melhor juntos", como diz a UNESCO. Diversidade cultural é algo um pouco mais complexo...
21 de mayo: Día Mundial de la Diversidad Cultural para el Diálogo y el Desarrollo Cultura UNESCO
quarta-feira, 19 de maio de 2010
“O importante é a diversidade de ideias” Reinaldo Bulgarelli no Portal do Geledés
O Portal do Geledés é o site do momento quando o assunto é a questão racial, gênero, visões e propostas para o país considerando os brasileiros, todos.
Saiu hoje mais um artigo meu inédito que fala sobre a onda do momento no meio empresarial: o importante é a diversidade de idéias.
Com o artigo de Edson Cardoso, que foi publicado no Portal esta semana, me animei de enviar o artigo. Edson também alerta sobre o perigo de tratarmos como algo "superficial" a questão racial.
No meu artigo, lembro frase famosa de Paul Valéry: "o que há de mais profundo é a pele".
O artigo é duro, pode ser até que crítico e irônico demais, mas lembro que estes profissionais que andam defendendo a importância das ideias estão colocando suas empresas em risco e afastando-as da riqueza da diversidade.
Boa leitura! “O importante é a diversidade de ideias.” - Geledés Instituto da Mulher Negra
Saiu hoje mais um artigo meu inédito que fala sobre a onda do momento no meio empresarial: o importante é a diversidade de idéias.
Com o artigo de Edson Cardoso, que foi publicado no Portal esta semana, me animei de enviar o artigo. Edson também alerta sobre o perigo de tratarmos como algo "superficial" a questão racial.
No meu artigo, lembro frase famosa de Paul Valéry: "o que há de mais profundo é a pele".
O artigo é duro, pode ser até que crítico e irônico demais, mas lembro que estes profissionais que andam defendendo a importância das ideias estão colocando suas empresas em risco e afastando-as da riqueza da diversidade.
Boa leitura! “O importante é a diversidade de ideias.” - Geledés Instituto da Mulher Negra
terça-feira, 18 de maio de 2010
18 de maio - Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
Ana Maria Drummond é diretora-executiva da Childhood Brasil, organização que trabalha pela proteção da infância contra o abuso e a exploração sexual. Ela tem um artigo publicado na Folha de São Paulo de hoje - Tendências e Debates. Seguem trechos do artigo.
"NO DIA 18 de maio de 1973, no Estado do Espírito Santo, uma menina de oito anos chamada Araceli foi raptada, drogada, violentada, morta e carbonizada. Seus responsáveis nunca foram punidos. Esse crime, que chocou todo o país, foi escolhido no ano 2000 para ser o marco do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil, instituído pela lei nº 9.970/00."
(...) "O setor privado vem assumindo a sua parcela de responsabilidade sobre a causa, a cobertura jornalística do fenômeno está aos poucos se qualificando e, de modo geral, podemos dizer que a sociedade está mais receptiva ao diálogo sobre a importância do respeito ao direto de crianças e adolescentes a um desenvolvimento pleno e saudável. Entretanto, a proteção a esses direitos fundamentais só pode ser concretizada de forma eficaz por meio de ações integradas entre governos, empresas, organizações sociais e sociedade em geral."
(...) "O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes são fenômenos multicausais e, ao contrário do que muitos ainda podem pensar, ocorrem de norte a sul do país e de maneira transversal em todas as camadas sociais. Outro ponto a ser considerado é que, embora os estímulos ao sexo sejam encontrados em várias interfaces, o diálogo e a educação sexual continuam considerados tabus. Conversar sobre sexo com os filhos não é estimulá-los. Faz parte do nosso papel de proteção instruir crianças e adolescentes sobre sexualidade saudável, sobre prevenção. O que vemos é que, apesar do entendimento legal sobre os direitos infantojuvenis, retirar de seus ombros a culpa por um abuso sexual, por exemplo, persiste ainda como um grande desafio."
(...) "Somente mudando olhares e atitudes frente a problemas que antes pareciam distantes de nós é que poderemos caminhar para uma sociedade mais justa e harmônica, na qual os direitos humanos, especialmente os dos pequenos cidadãos em desenvolvimento, sejam devidamente assegurados. Dia 18 de maio é o grande estandarte dessa luta!"
Para conhecer melhor a Childhood Brasil, visite o site: http://www.wcf.org.br/default.htm
"NO DIA 18 de maio de 1973, no Estado do Espírito Santo, uma menina de oito anos chamada Araceli foi raptada, drogada, violentada, morta e carbonizada. Seus responsáveis nunca foram punidos. Esse crime, que chocou todo o país, foi escolhido no ano 2000 para ser o marco do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil, instituído pela lei nº 9.970/00."
(...) "O setor privado vem assumindo a sua parcela de responsabilidade sobre a causa, a cobertura jornalística do fenômeno está aos poucos se qualificando e, de modo geral, podemos dizer que a sociedade está mais receptiva ao diálogo sobre a importância do respeito ao direto de crianças e adolescentes a um desenvolvimento pleno e saudável. Entretanto, a proteção a esses direitos fundamentais só pode ser concretizada de forma eficaz por meio de ações integradas entre governos, empresas, organizações sociais e sociedade em geral."
(...) "O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes são fenômenos multicausais e, ao contrário do que muitos ainda podem pensar, ocorrem de norte a sul do país e de maneira transversal em todas as camadas sociais. Outro ponto a ser considerado é que, embora os estímulos ao sexo sejam encontrados em várias interfaces, o diálogo e a educação sexual continuam considerados tabus. Conversar sobre sexo com os filhos não é estimulá-los. Faz parte do nosso papel de proteção instruir crianças e adolescentes sobre sexualidade saudável, sobre prevenção. O que vemos é que, apesar do entendimento legal sobre os direitos infantojuvenis, retirar de seus ombros a culpa por um abuso sexual, por exemplo, persiste ainda como um grande desafio."
(...) "Somente mudando olhares e atitudes frente a problemas que antes pareciam distantes de nós é que poderemos caminhar para uma sociedade mais justa e harmônica, na qual os direitos humanos, especialmente os dos pequenos cidadãos em desenvolvimento, sejam devidamente assegurados. Dia 18 de maio é o grande estandarte dessa luta!"
Para conhecer melhor a Childhood Brasil, visite o site: http://www.wcf.org.br/default.htm
domingo, 16 de maio de 2010
17 de maio - Dia Internacional contra a Homofobia
Mensagem de Toni Reis, da ABGLT, sobre a 1ª MARCHA NACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA, para o 17 de Maio – Dia Internacional de Combate à Homofobia: "A comemoração do dia 17 de Maio – Dia Internacional de Combate a Homofobia, deste ano terá uma programação especial para os milhares de militantes que lutam pelos direitos humanos e cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT.
Por meio de um conjunto de atividades que vão de 17 a 19/05/2010, em Brasília-DF, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais- ABGLT realizará uma grande mobilização social que culminará com a I Marcha Nacional contra Homofobia e I Grito pela Cidadania LGBT, tudo para lembrar o dia 17 de Maio de 1990, que marca a retirada, pela Organização Mundial de Saúde, da homossexualidade da classificação internacional de doenças.
Nos dias 17 e 18/05/2010, a juventude da ABGLT, em parceria com os movimentos estudantil e juvenil, realizará um seminário na Universidade de Brasília – UnB, que tem o tema “UnB fora do armário!” O objetivo é debater vários temas relacionados às questões LGBT e à interface com os movimentos sociais das quais a juventude participa, além de denunciar os constantes casos de homofobia que vêm acontecendo nas universidades.
No dia 18/05/2010 acontece o VII Seminário de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no Congresso Nacional, que tem o tema: “Direitos Humanos de LGBT: Cenários e Perspectivas” (cartaz e programação abaixo). O evento, que vem sendo realizado anualmente desde 2004, será realizado no Auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados. O Seminário contará com a presença de vários parlamentares, advogados, gestores públicos, pesquisadores e militantes que estarão debatendo os temas que envolvem as principais reivindicações do movimento LGBT brasileiro. Na solenidade de abertura o Hino Nacional será entoado pela cantora Angela Leclery. O Seminário é promovido pelas Comissões de Legislação Participativa, Direitos Humanos e Minorias, e Educação e Cultura, da Câmara dos Deputados, em parceria com a ABGLT. Programação e Inscrições pelo link:
No dia 19/05/2010, a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília, acontecerá a concentração da I Marcha Nacional contra a Homofobia e I Grito Nacional pela Cidadania LGBT e contra a Homofobia (cartaz abaixo). O local será o ponto de encontro de várias caravanas vindas das 27 unidades da federação. No início da Marcha, a atriz e cantora Jane di Castro entoará o Hino Nacional. A partir das 10h30, milhares de militantes LGBT e também de outros movimentos sociais sairão em caminhada pela Esplanada dos Ministérios em manifestação de reivindicação das principais demandas da ABGLT:
• Garantia do Estado Laico (Estado em que não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais)
• Combate ao Fundamentalismo Religioso.
• Executivo: Cumprimento do Plano Nacional LGBT na sua totalidade, especialmente nas ações de Educação, Saúde, Segurança, Direitos Humanos, Trabalho e Emprego, entre outros, além de orçamentos e metas definidas para as ações.
• Legislativo: Aprovação imediata do PLC 122/2006 (Combate a toda discriminação, incluindo a homofobia).
• Judiciário: Decisão Favorável sobre União Estável entre casais homoafetivos, bem como a mudança de nome de pessoas transexuais."
Veja mais notícias no site: .:: ABGLT ::.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Está nas bancas a edição 968 da Revista Exame com uma matéria de capa muito interessante e que fala sobre o maior mercado emergente do mundo: as mulheres! A revista diz que elas, juntas, despejaram 12 trilhões de dólares na economia mundial em 2009. Só no Brasil, ainda segundo a revista, foram 800 bilhões de reais.Sem pensar muito no que isso significa para o mercado interno, as empresas, mesmo as grandes, ainda apresentam dados incompatíveis com a realidade do século XXI. São poucas mulheres em cargos de liderança e encontrando, desde a posição mais básica da empresa, um labirinto cheio de obstáculos a tudo que é reconhecido como feminino.
As empresas deste século ainda são masculinas, masculinizadas e masculinizantes. Não é estranho que mantenham esses padrões machistas mesmo quando estes dados divulgados pela Exame convocam a objetividade capitalista mais crua e, muita vezes cruel? O importante é o lucro?
Não, não é. O machismo consegue se colocar como algo mais importante que o lucro quando vemos que ainda há apenas 11,5% de mulheres em cargos executivos, segundo pesquisa do Ethos de 2007. Tomara que 3 anos depois possamos encontrar outros dados, quem sabe 12,5%?
Pagina22 - Brick in the wall
Foi publicada na Revista Página 22, uma matéria fruto do casamento entre o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas e jornalistas independentes. Eu contribuí falando sobre educação, sustentabilidade e diversidade, claro! A matéria é de Amália Saflate, velha conhecida nas boas produções sobre sustentabilidade com visões amplas e avançadas do tema. Segue um trecho da matéria: (...) "Ele (Carlos Brandão, da UFMG) cita o físico norte-americano Thomas Kuhn, para quem foram a aproximação e a reorganização do conhecimento, e não o acúmulo dele, que levaram ao desenvolvimento da ciência, da cultura e da sociedade. Segundo Kuhn, essa aproximação e essa reorganização se devem menos às descobertas e invenções do que a um novo olhar depositado sobre as mesmas coisas e os mesmos conteúdos já existentes. Para Brandão, esse olhar que atravessa os conhecimentos, impulsionado por algo que está além e aquém das disciplinas, é um sintoma de transdisciplinaridade.
Um olhar diferente que, pela inovação que apresenta e o desafio que provoca, teria potencial de envolver e estimular os alunos.
Brick in the wall
Para começar, esse olhar disciplinar, voltado para a compreensão dos diversos níveis de realidade, se faz necessário para romper os muros que costumam separar as escolas do seu entorno, especialmente as particulares. “Será que as escolas estão em contato com a comunidade à sua volta? Se houvesse mais porosidade, a educação para a sustentabilidade aconteceria naturalmente, pois esta é, sobretudo, transversal”, diz Reinaldo Bulgarelli, especialista em temas da diversidade e professor da Eaesp na área de responsabilidade social corporativa. Ele compara muitas escolas particulares a shopping centers, que fazem o aluno esquecer o lado de fora e acabam por formar ambientes segregacionistas.
Ainda que políticas do governo busquem criar oportunidades de inclusão por meio do sistema de cotas e do Programa Universidade para Todos (ProUni), o ensino de qualidade no Brasil, como se sabe, é acessado principalmente pelas classes favorecidas, perpetuando a imobilidade social.
“Quem está discutindo sustentabilidade é uma elite, mas ser sustentável é ser inclusivo”, afirma. A seu ver, o desrespeito à diversidade ainda é tão grande na sociedade brasileira que chega a ser sentido em turmas mais homogêneas. Bulgarelli descreve as queixas das alunas em grupos de discussão dos quais participa. “Até as brancas e ricas sofrem discriminação. Elas dizem: ‘Eu estudo tanto quanto meu colega, mas no mercado de trabalho é ele que vai ser meu chefe. Se é assim, prefiro não lutar por um cargo de chefia, vou tentar equilibrar o trabalho com a satisfação na vida pessoal’.” Por isso, segundo Bulgarelli, tem uma turma imensa de mulheres montando o próprio negócio ou optando por uma vida fora do País.
Já nas escolas públicas o problema é a porosidade à violência. “Diria até que em alguns casos há conivência, pois não se interpõe um filtro, não se executa um projeto para trabalhar a questão”, diz. E descreve situações que parecem banais, mas podem marcar profundamente as crianças e causar ressentimento ou revolta. Em geral, os professores, que se colocam como detentores do conhecimento, são brancos, e os alunos, negros. Nas creches, as crianças brancas costumam ser penteadas pelas professoras brancas, que não têm o know-how de pentear o cabelo das crianças negras. Estas acabam penteadas pela merendeira, pela copeira, que estão abaixo na hierarquia de poder nas escolas. Assim, diz Bulgarelli, o momento de ser arrumado, de ser cuidado, do prazer desse contato físico e emocional, vem com uma carga de segregação.
Será um tipo sutil de violência, ainda que não intencional? Que efeitos isso pode ter nos corações e mentes dessas crianças e como isso vai afetar a sua formação na escola e na sociedade?
“A ciência não deu conta do sofrimento do homem”, diz Maria de Mello, do Ciret. O ensino, enquanto mero transmissor do conhecimento científico, não dará conta das demandas e das carências da humanidade.
Pagina22 - Informação para o novo século
Um olhar diferente que, pela inovação que apresenta e o desafio que provoca, teria potencial de envolver e estimular os alunos.
Brick in the wall
Para começar, esse olhar disciplinar, voltado para a compreensão dos diversos níveis de realidade, se faz necessário para romper os muros que costumam separar as escolas do seu entorno, especialmente as particulares. “Será que as escolas estão em contato com a comunidade à sua volta? Se houvesse mais porosidade, a educação para a sustentabilidade aconteceria naturalmente, pois esta é, sobretudo, transversal”, diz Reinaldo Bulgarelli, especialista em temas da diversidade e professor da Eaesp na área de responsabilidade social corporativa. Ele compara muitas escolas particulares a shopping centers, que fazem o aluno esquecer o lado de fora e acabam por formar ambientes segregacionistas.
Ainda que políticas do governo busquem criar oportunidades de inclusão por meio do sistema de cotas e do Programa Universidade para Todos (ProUni), o ensino de qualidade no Brasil, como se sabe, é acessado principalmente pelas classes favorecidas, perpetuando a imobilidade social.
“Quem está discutindo sustentabilidade é uma elite, mas ser sustentável é ser inclusivo”, afirma. A seu ver, o desrespeito à diversidade ainda é tão grande na sociedade brasileira que chega a ser sentido em turmas mais homogêneas. Bulgarelli descreve as queixas das alunas em grupos de discussão dos quais participa. “Até as brancas e ricas sofrem discriminação. Elas dizem: ‘Eu estudo tanto quanto meu colega, mas no mercado de trabalho é ele que vai ser meu chefe. Se é assim, prefiro não lutar por um cargo de chefia, vou tentar equilibrar o trabalho com a satisfação na vida pessoal’.” Por isso, segundo Bulgarelli, tem uma turma imensa de mulheres montando o próprio negócio ou optando por uma vida fora do País.
Já nas escolas públicas o problema é a porosidade à violência. “Diria até que em alguns casos há conivência, pois não se interpõe um filtro, não se executa um projeto para trabalhar a questão”, diz. E descreve situações que parecem banais, mas podem marcar profundamente as crianças e causar ressentimento ou revolta. Em geral, os professores, que se colocam como detentores do conhecimento, são brancos, e os alunos, negros. Nas creches, as crianças brancas costumam ser penteadas pelas professoras brancas, que não têm o know-how de pentear o cabelo das crianças negras. Estas acabam penteadas pela merendeira, pela copeira, que estão abaixo na hierarquia de poder nas escolas. Assim, diz Bulgarelli, o momento de ser arrumado, de ser cuidado, do prazer desse contato físico e emocional, vem com uma carga de segregação.
Será um tipo sutil de violência, ainda que não intencional? Que efeitos isso pode ter nos corações e mentes dessas crianças e como isso vai afetar a sua formação na escola e na sociedade?
“A ciência não deu conta do sofrimento do homem”, diz Maria de Mello, do Ciret. O ensino, enquanto mero transmissor do conhecimento científico, não dará conta das demandas e das carências da humanidade.
Pagina22 - Informação para o novo século
domingo, 9 de maio de 2010
Veja 12 de maio: Gays: o começo do fim do preconceito
Diferente da pesquisa que revela muito preconceito contra pessoas LGBTs nas escolas, a matéria da Veja desta semana fala em começo do fim do preconceito.
A matéria apresenta depoimentos de jovens e de pais, chamando a atenção para as mudanças em curso na sociedade.
Escolas, empresas e outras organizações estão se dando conta desta realidade e considerando-a em tudo que são e fazem?
Especial - Gays: o começo do fim do preconceito - Edição 2164 - Revista VEJA
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Folha de S.Paulo - Marcelo Coelho: Manual do bom conservador - 28/04/2010
Saiu na Folha de SP de ontem um artigo de Marcelo Coelho comentando o livro com as ideias de José de Alencar, o escritor, defendendo a escravidão. Escrevi no Portal do Geledés um comentário sobre o artigo e o livro: "José de Alencar vive! Quero dizer algo como "Jason vive!" Não é que o argumento do escritor atravessou séculos e continua presente entre nós? Ainda ontem estava num auditório com umas 200 pessoas e ao perguntar onde estavam os negros (havia poucos), a resposta foi a mesma do José de Alencar, o escritor. Gosto de fazer essa pergunta para instigar o coração e a mente dos brancos presentes, incluídos, a pensar no que estão fazendo ou deixando de fazer para criar essa realidade. A pessoa que me procurou depois da palestra foi para dizer que a minha pergunta era descabida e demonstrava ignorância. Os negros não estão presentes num evento científico como aquele porque não têm educação, são despreparados etc. Parece ter lido Alencar. É o mesmo argumento que se usa também no mercado de trabalho para justificar a ausência das pessoas com deficiência e até mesmo das mulheres. Alencar fez escola! Eu sei, ele não inventou essa maneira perversa de alimentar um circulo vicioso que explica a realidade de forma a mantê-la como está e até piorá-la. Mas, esse argumento me isenta de responsabilidades? Em tempos de "Não somos Racistas" e "Gostas de Sangue", vale a pena ler o livro de Alencar para encontrar ali um pensamento mais original, como diz Marcelo Coelho, do conservadorismo, do atraso, da falta de vergonha e responsabilidade pelo nosso tempo e lugar. Boa leitura! Reinaldo Bulgarelli, Txai Consultoria e Educação" - Folha de S.Paulo - Marcelo Coelho: Manual do bom conservador - 28/04/2010
sábado, 17 de abril de 2010
Boaventura de Sousa Santos defende participação de todos
Uma fala importante de Boaventura de Sousa Santos sobre a campanha do Laço Branco, pelo fim da violência contra mulheres. Ele fala da importância da participação dos homens na campanha contra a violência doméstica. Boaventura defende que os avanços em questões importantes não podem ser deixadas a um grupo social, como a luta dos movimentos negros não pode ser deixadas aos negros, a luta contra o machismo não pode ser apenas das mulheres e assim por diante. O enfrentamento dos problemas e a busca de soluções deve envolver a todos. A pressão democrática de todos, solidariamente, é que pode garantir bons resultados. A participação de homens nessa campanha, por exemplo, demonstra que nem todos os homens são violentos ou coniventes, oferecendo uma referência de tipo novo para as novas gerações e toda a sociedade. YouTube - BoaVentura.mpg
domingo, 11 de abril de 2010
Depoimento de Maite Schneider para a novela Viver a Vida
Acabo de assistir no blog da Gi Lucato - Tribo Diversidade - o depoimento da Maite Schneider e não resisto de colocá-lo também aqui. Ele foi gravado para a novela Viver a Vida, da Rede Globo. Uma história linda de uma pessoa linda que precisa ser conhecida e que reforça a necessidade de respeitarmos e considerarmos a diversidade em tudo que somos e fazemos. A vida é muito mais complexa do que parece, mas é bela e muito divertida. YouTube - Depoimento Maite Schneider para a novela Viver da Vida da Rede Globo - versão estendida
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Programação Encontro Nacional de Cidadania Empresarial e Responsabilidade Social 2010
De 15 a 18 de abril acontecerá em São Paulo a feira REATECH 2010, um evento que reune empresas e soluções de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência.
Dentro da Feira acontecerá o Encontro Nacional de Cidadania Empresarial e Responsabilidade Social 2010 com o tema INCLUIR E TRANSFORMAR.
Vou participar no dia 16 de abril, às 15h30, com um balanço da valorização da diversidade no meio empresarial. O tema será "Avanços da Valorização da Diversidade nas Organizações". Vou falar de avanços, retrocessos, riscos e conquistas, estimulando que os profissionais que atuam no tema possam refletir sobre as barreiras e possibilidades existentes nestes 12 anos de história do movimento de valorização da diversidade no meio empresarial brasileiro.
A comunidade de RH que participa do Encontro Nacional será duplamente beneficiada por esta feliz articulação com a REATECH. É um espaço muito importante para fazer contatos, divulgar suas ações e mostrar o posicionamento em valorização da diversidade para atrair bons profissionais, novos fornecedores, clientes e outros públicos para as empresas.
Participe! Veja a programação do Encontro Nacional e encontre também maiores informações sobre a REATECH no link. :+:+:+:+:+ Pacin Eventos :+:+:+:+:+ _____________________________ .
Dentro da Feira acontecerá o Encontro Nacional de Cidadania Empresarial e Responsabilidade Social 2010 com o tema INCLUIR E TRANSFORMAR.
Vou participar no dia 16 de abril, às 15h30, com um balanço da valorização da diversidade no meio empresarial. O tema será "Avanços da Valorização da Diversidade nas Organizações". Vou falar de avanços, retrocessos, riscos e conquistas, estimulando que os profissionais que atuam no tema possam refletir sobre as barreiras e possibilidades existentes nestes 12 anos de história do movimento de valorização da diversidade no meio empresarial brasileiro.
A comunidade de RH que participa do Encontro Nacional será duplamente beneficiada por esta feliz articulação com a REATECH. É um espaço muito importante para fazer contatos, divulgar suas ações e mostrar o posicionamento em valorização da diversidade para atrair bons profissionais, novos fornecedores, clientes e outros públicos para as empresas.
Participe! Veja a programação do Encontro Nacional e encontre também maiores informações sobre a REATECH no link. :+:+:+:+:+ Pacin Eventos :+:+:+:+:+ _____________________________ .
Lançamento do Relatório da UNILEHU
Dia 07 de abril estive no lançamento do Relatório 2009 da Universidade Livre para a Eficiência Humana, organização não governamental parceira de várias empresas no Paraná e outros estados do país na inclusão de pessoas com deficiência.
Fiz uma palestra e uma sessão de autógrafos do livro "Diversos Somos Todos". Foi uma alegria estar com o pessoal da UNILEHU comemorando o lançamento do relatório e os 5 anos de sua criação.
Melhor ainda foi poder aplaudir o representante do HSBC, Moura, que recebeu uma homenagem especial. A empresa está cumprindo a legislação de cotas. A parceria com a UNILEHU e a liderança do Moura ao longo deste processo foi muito importante para chegar neste momento. A Txai é consultora do HSBC no programa de valorização da diversidade e sabe que não é fácil cumprir a legislação, mas não é impossível, principalmente quando se tem essa determinação que a equipe do banco demonstra e a criação de condições internas para realizar a gestão da diversidade.
O trabalho da UNILEHU é evidentemente relevante para a comunidade empresarial, mas sua constituição sempre me chamou a atenção. Ela nasceu da articulação de diferentes atores do meio empresarial para responder aos desafios da inclusão.
São pessoas e empresas que não ficaram reclamando da dificuldade de cumprir com a legislação de cotas, mas arregaçaram as mangas e foram trabalhar para beneficiar a todos com suas ações.
A equipe da UNILEHU contribui para que milhares de pessoas com deficiência se aproximem das empresas e possam trabalhar. Mas, como disse no evento e para a imprensa, a maior qualidade da UNILEHU é que ela contribui para aproximar as empresas da diversidade humana. Empresas que efetivamente valorizam a diversidade, buscam parceria com a UNILEHU como forma de realizar seu desejo de ter equipes caracterizadas por um conjunto plural de colaboradores.
Com essa postura, as empresas melhoram o ambiente interno e as possibilidade de sucesso no negócio ao ampliar seus horizontes, contribuir na inclusão daqueles que são seus funcionários e também clientes ou consumidores, prestadores de serviços, membros de uma comunidade cada vez mais atenta aos benefícios da acessibilidade.
Veja no link mais detalhes sobre o evento. UNILEHU - Universidade Livre para Eficiência Humana
Fiz uma palestra e uma sessão de autógrafos do livro "Diversos Somos Todos". Foi uma alegria estar com o pessoal da UNILEHU comemorando o lançamento do relatório e os 5 anos de sua criação.
Melhor ainda foi poder aplaudir o representante do HSBC, Moura, que recebeu uma homenagem especial. A empresa está cumprindo a legislação de cotas. A parceria com a UNILEHU e a liderança do Moura ao longo deste processo foi muito importante para chegar neste momento. A Txai é consultora do HSBC no programa de valorização da diversidade e sabe que não é fácil cumprir a legislação, mas não é impossível, principalmente quando se tem essa determinação que a equipe do banco demonstra e a criação de condições internas para realizar a gestão da diversidade.
O trabalho da UNILEHU é evidentemente relevante para a comunidade empresarial, mas sua constituição sempre me chamou a atenção. Ela nasceu da articulação de diferentes atores do meio empresarial para responder aos desafios da inclusão.
São pessoas e empresas que não ficaram reclamando da dificuldade de cumprir com a legislação de cotas, mas arregaçaram as mangas e foram trabalhar para beneficiar a todos com suas ações.
A equipe da UNILEHU contribui para que milhares de pessoas com deficiência se aproximem das empresas e possam trabalhar. Mas, como disse no evento e para a imprensa, a maior qualidade da UNILEHU é que ela contribui para aproximar as empresas da diversidade humana. Empresas que efetivamente valorizam a diversidade, buscam parceria com a UNILEHU como forma de realizar seu desejo de ter equipes caracterizadas por um conjunto plural de colaboradores.
Com essa postura, as empresas melhoram o ambiente interno e as possibilidade de sucesso no negócio ao ampliar seus horizontes, contribuir na inclusão daqueles que são seus funcionários e também clientes ou consumidores, prestadores de serviços, membros de uma comunidade cada vez mais atenta aos benefícios da acessibilidade.
Veja no link mais detalhes sobre o evento. UNILEHU - Universidade Livre para Eficiência Humana
TV Sentidos - Entrevista com Dorina Nowill
Dorina Nowill, presidente emérita e vitalícia da Fundação que leva seu nome, em entrevista à TV Sentidos, fala sobre sua vida e como revolucionou a maneira como a sociedade considera os cegos no Brasil. Vale a pena assistir essa breve matéria e pesquisar mais sobre essa pioneira e sua Fundação.
Muita gente ainda duvida do que uma pessoa cega é capaz de fazer. Dorina Nowill é uma referência e mostra sua disposição permanente em enfrentar as barreiras que aumentam a deficiência dos cegos.
YouTube - Canal de tvsentidos#p/search/0/2WJ27M2X67g#p/search/0/2WJ27M2X67g
Muita gente ainda duvida do que uma pessoa cega é capaz de fazer. Dorina Nowill é uma referência e mostra sua disposição permanente em enfrentar as barreiras que aumentam a deficiência dos cegos.
YouTube - Canal de tvsentidos#p/search/0/2WJ27M2X67g#p/search/0/2WJ27M2X67g
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